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História da minha vida política durante quatro mandatos de vereador, nesta cidade de
1972 a 1992
-2011-
Dedico este livro aos que foram
perseguidos, caluniados e injuriados, em nome da justiça, assim como eu
fui na cidade de Ituiutaba; aos que lutaram como eu em nome de uma
causa, defendendo intransigentemente os interesses do povo, da classe
trabalhadora, onde representei meus ideiais durante toda trajetória
política, na Câmara Municipal, nas emissoras de rádio onde trabalhei e
na minha carreira jornalística, como assessor de imprensa da Prefeitura
de Ituiutaba.
Agradeço a Deus pela proteção e
inspiração nos momentos mais difíceis. Deus sempre presente foi, e
continua sendo, meu escudo, minha proteção, contra os inimigos e falsos
amigos e contra todo mal.
Apresentação
Ao ler estes
capítulos, a história da vida árdua, difícil e sofrida de Hairton Dias,
este exemplo de ser humano, exemplo de pessoa honrada, honesta e
trabalhadora. Como irmão, vivenciei parte de tudo isso; porém, confesso,
fiquei emocionado já no primeiro capítulo, “Meus primeiros anos”.
Depois, fiquei indignado diante da confirmação de meu pensamento: “a
política é um poço de lama, de desonestidade a cada dia que passa fica
mais cheia de vilões”. Como pode existir tanta falsidade, desonestidade,
tanto fisiologismo, tantos políticos corruptos e demagogos, que não são
punidos e que não pagam pelos seus repetidos erros e crimes...
Hairton Dias, neste
seu primeiro livro, Política: minha vida, meu ideal, minha dor,
desvenda os bastidores da política praticada em Ituiutaba há alguns anos
e mostra a verdadeira face de alguns políticos desta cidade, cidade que
poderia ser melhor não fosse essa malta de políticos que só pensam em
seu umbigo e nada fazem pela cidade e seus moradores e, quando fazem, é
de forma ilícita e interesseira.
São de arrepiar
as verdades aqui expostas. A Cada página lida, você tomará conhecimento
do quanto o município de Ituiutaba e os seus munícipes foram lesados
pelos políticos que se dizem “amigos” do povo, mas que são amigos de
seus próprios interesses, da vida fácil, enquanto o povo só fica com as
migalhas, com o resto. Esses políticos são como o "Rei": todo mundo
pagando impostos para sustentar suas mordomias, e as mordomias da
familia real, que são seus parentes e apaniguados.
Cumprimento o meu irmão Hairton Dias
pela conduta exemplar que teve durantes os seus mandatos como vereador
de Ituiutaba, e o louvo pela coragem de contar nesta obra toda crueldade
que seus “companheiros” de política fizeram com ele e pela coragem de
revelar estas falcatruas praticadas por eles, pois só assim o povo e os
eleitores terão o retrato falado de alguns políticos para poderem
escolher melhor os seus governantes.
Política: minha
vida, meu ideal, minha dor é um dossiê da história política de
Ituiutaba . Este livro deve ser lido e a ideia deste vereador do povo,
Hairton Dias, copiada por outros políticos de bem, para que pessoas
inescrupulosas, como estas aqui mencionadas, nas próximas eleições,
sejam eliminadas do cenário político e, em seu lugar, sejam colocados
homens e mulheres, de princípios e respeito ao ser humano, à causa
pública, mas acima de tudo: honestos e empreendedores.
Hélio Dias da Silva
Rádio Jornalista
Capítulo I
Meus primeiros anos de vida

Hairton aos 11 anos de idade
Inicio esta
narrativa fazendo referência à minha origem: sou filho de Aristides Dias
da Silva, nascido em Catalão/Goiás, e Laura Gonçalves da Silva, nascida
em Conquista/Minas Gerias. Sou o sétimo filho de uma família de
quatorze irmãos, todos nascidos no estado de Goiás, nas cidades de
Goiandira, Vianópolis, Buriti Alegre e Goiânia. Eu nasci em Buriti
Alegre, uma pequena cidade de ruas estreitas e calçadas com pedra
poliédrica, encravada em um lugar em declive, tendo a parte alta e a
parte baixa.
Na década de
50, esta cidade era uma das mais importantes do sudoeste goiano devido à
sua grande atividade agropecuária, se destacando pela criação de gado
zebu, que lhe dava soberania sobre as outras cidades próximas,havendo,
inclusive, agência do Banco do Brasil, que movimentava a economia de
toda aquela região formada por Itumbiara, Santa Helena, Morrinhos,
Goiatuba, Caldas Novas, Marzagão, Bom Jesus, dentre outras. Buriti
Alegre recebeu esse nome por existir ali muitas veredas e ter como
plantas nativas os famosos buritis.
Nasci no dia 2
de setembro de 1946, na zona rural, na fazenda Sapé, em uma casa de doze
cômodos, piso de assoalho, dez janelões e telhado colonial. Não me
lembro de mais detalhes do lugar onde eu nasci só sei dizer que era uma
fazenda muito importante, onde se criava gado zebu e onde meus pais
trabalhavam; meu pai, como agricultor e retireiro, e minha mãe, em
serviços gerais. Todos os seus filhos trabalhavam também, porém, apenas
meu pai tinha salário, mas sem carteira assinada. Era próprio daquela
época, ninguém respeitava as leis trabalhistas criadas pelo Presidente
Getúlio Vargas.
Comecei na lida
muito cedo. Meus pais tinham que criar muitos filhos e tudo que
ganhavam era pouco. Em 1953, com apenas sete anos de idade, pedi à minha
mãe que encomendasse um engraxate porque eu ia trabalhar para ajudar
meu pai nas despesas de casa, pois ele tinha que vestir e calçar toda
família, por comida na boca de muita gente, sem, contudo esquecer-se dos
problemas de saúde que, naquela época, eram muitos. Neste mesmo ano,
meus pais haviam sido transferido de fazenda, tinham saído da fazenda
onde eu nasci e foram tomar conta de um sítio, pertencente, a um dos
filhos de seu ex-patrão. Ali vivemos pouco tempo, porque o proprietário
de nome Florentino Martins por desavença amorosa com sua esposa
suicidou-se, bebeu veneno e morreu. Esse lamentável acontecimento
determinou a nossa saída daquela propriedade por falta de acerto da
viúva herdeira, de nome Maria Rita, com meu pai.
Foi muito
difícil para nós o desemprego de nosso pai e, por cima, ainda, tocando
demanda com uma pessoa fria e sem consideração, as coisas tinham ficado
mais difíceis para meus pais. Nesse ínterim, um amigo de meu pai, por
nome Valdemar, proprietário de um grande armazém e máquina de beneficiar
arroz – porque naquela época não existia supermercado e nem arroz
beneficiado, em pacote, como hoje, ofereceu emprego de maquinista e
auxiliar de armazém para meu pai. Esse fato aconteceu, mais ou menos,
por volta de novembro de 1953. Meu pai havia ganhado a demanda da viúva e
as coisas começavam a melhorar. Eu já trabalhava como engraxate, iria
iniciar meus estudos na 1ª série primária; meus irmãos, Odete, Oliveira,
Edson, Hélio, Genevra, que já haviam iniciado os estudos em escola na
fazenda, estavam cursando a 2ª, 3ª, 4ª série primária, no Grupo Escolar
de Buriti Alegre.
Mas veja como é
o destino! Depois de muitos anos sofrendo arduamente na lida dura da
roça, meu pai tinha conseguido um bom emprego mas, infelizmente, ele foi
sua desgraça e a nossa também. Por quê? Porque o patrão de meu pai,
casado, tinha uma amante. Um dia, já nos idos de 1954, o senhor Valdemar
encontrava-se na residência de sua amante e, um outro homem, por nome
João Martins, que também era amante da mesma mulher – um verdadeiro
triângulo amoroso, surpreendeu, o Valdemar com ela. Os dois se
desentenderam e juraram que se mais uma vez esse fato repetisse, um dos
dois morreria.
Observem o que
aconteceu... Não passou nem uma semana e, o Valdemar tomou conhecimento,
pela boca de gente desocupada e fofoqueira, que o tal João Martins
estava com sua amante. Não deu outra! Ele pegou um revólver de calibre
38 e foi se encontrar com seu desafeto. Os dois homens já se encontraram
na rua, próximo à casa da referida amante, porque o João Martins já
havia saído e deu de cara com o Valdemar.
Meu pai ficou
sabendo que seu patrão havia saído armado e, a pedido da dona Irany,
esposa do Valdemar, foi tentar impedir uma tragédia. Chegou tarde, os
dois homens já estavam atracados um com o outro. João Martins era um
morenão alto e forte, enquanto Valdemar era baixo e de pouca compleição
física. O João Martins havia pegado o Valdemar pelo pescoço e o estava
matando enforcado. Meu pai, vendo de longe que o seu patrão estava sendo
enforcado, apressou os passos para tentar separar os dois homens; no
trajeto encontrou um amigo por nome de Ilídio e, com esse, foi tentar
separar as duas feras.
Meu pai tentou
tirar as mãos fortes do João Martins do pescoço do Valdemar e gritou
para o Ilídio tomar o revólver do seu patrão. Nesse ínterim, meu pai
conseguiu tirar as mãos do João Martins do pescoço do Valdemar que já
estava meio moribundo. O Ilídio, diante da fragilidade do Valdemar,
conseguiu tirar o revólver de sua mão; mas, sem mais por que, o João
Martins, do jeito que soltou a mão do pescoço de seu desafeto, deu um
murro no rosto do Ilídio, que estava ali para ajudar a apaziguar aquela
contenda.
Estava
decretada a tragédia. O Ilídio, da família Borges de Uberaba, gente
perigosa, que não levava desaforo para casa, o qual havia levado um soco
na cara, caiu de costas; quando levantou, já foi atirando no João
Martins. Foram seis tiros no peito, à queima-roupa. O João Martins não
resistiu e caiu morto.
Moral da
história, meu pai Aristides Dias da Silva e Ilídio Borges, que nada
tinham com o desentendimento amoroso dos dois homens, tiveram que
anoitecer em Buriti Alegre e amanhecer em outro lugar. Meu pai e toda a
família em Goiânia, capital do Estado de Goiás. Fiz essa narrativa para
contar os motivos que nos fizeram mudar do interior. Gente humilde da
roça, como era a nossa família, para a cidade grande, isso em outubro de
1954, dois meses depois da morte do presidente Getúlio Vargas.
Capítulo II
Goiânia: Uma menina moça

Largo do Bandeirante - Av. Anhanguera com Av. Goiás - Goiânia 1954
Plantada
no Planalto Central, no coração do Brasil, onde as veredas mais pareciam
um oásis para o viajante cansado, Goiânia, nesta época, era ainda uma
menina-moça, porém, de uma beleza imensurável e de um futuro
promissor.
Iniciou-se para
minha família uma nova jornada de incertezas, isso porque meus pais não
conheciam ninguém ali e os parcos recursos que traziam consigo, nesta
retirada obrigatória do interior para a capital, haviam acabado e ai,
sem emprego, sem lenço e sem documento todos nós começamos a passar
privações; tantas que havia dia que não tínhamos um pedaço de pão para
matar a fome.
Vivemos assim
por algum tempo, morando em Goiânia, no Bairro Fama, perto de uma praça
onde existia uma pequena igreja. Mesmo sendo de origem espírita, eu a
frequentava. Os dias iam se passando, as dificuldades aumentando. Foi aí
que, devido a minha frequência à igreja, conheci o padre Simão, um
sacerdote de bom coração, de origem alemã, que ao tomar conhecimento das
dificuldades que estava vivendo minha família, propôs-se a nos ajudar.
Ele levou-me para ajudá-lo na igreja como coroinha e ajudou meu pai, que
não tinha profissão nenhuma, com recursos da igreja, a comparar uma
carroça, um cavalo e todos os acessórios para que ele pudesse
trabalhar como carroceiro e, com essa atividade, ganhar o pão sagrado de
cada dia. Mas o que meu pai ganhava, mal dava para sustentar a família.
Tivemos que
mudar para Vila Nova, outro bairro de Goiânia, onde vivemos mais ou
menos uns seis meses. O dia que meu pai levava dinheiro para casa, a
gente comia, ou então, tínhamos que comer mamão cozido ou molho de
abóbora com água e sal, que eu conseguia em terrenos baldios.
Mais uma vez
tivemos que mudar de endereço: na Vila Nova, Rua 214, nº 137, seria a
nossa nova morada, isso por volta de 1955. Os meus irmãos Odete,
Oliveira, Edson e Hélio, que poderiam ter amenizado toda essa
dificuldade ajudando meu pai a trabalhar e nas despesas de casa, haviam
ficado para trás; moravam em outras cidades e não tinham como nos
ajudar. Eu estava com apenas nove anos de idade.
Como eu já
havia me familiarizado com Goiânia, resolvi, com o consentimento de meus
pais, voltar novamente a engraxar sapatos e a trabalhar como
jornaleiro, vendendo jornais nas ruas. Eu, com apenas 9 anos de idade,
levantava às quatro horas da madrugada e, em companhia de minha
cachorrinha Bolinha e de outros garotos, ia vender jornais. Fazíamos
isso de segunda a sábado, até por volta das dez horas; depois, como já
havia levado nas costas o engraxate, acertava a conta da venda dos
jornais e ia engraxar sapatos, sempre acompanhado pela minha cachorrinha
Bolinha, na Avenida Anhanguera, na Avenida Goiás, no Largo do
Bandeirante, na Rua 4, no Mercado Central e, em vários outros pontos do
centro da exuberante Goiânia. Ficava trabalhando até por volta das vinte
horas, todos os dias. Eu era um garoto de apenas nove anos de idade na
rua, mas trabalhando, seguindo a educação e a orientação que recebi de
meus pais, especialmente de minha mãe querida, Laura.
Eu tinha um
comportamento reto, sem deslizes, respeitava os mais velhos, nunca mexia
em coisa alheia, mesmo estando passando muitas dificuldades, pois tinha
dia que o que eu ganhava não dava nem para eu comer. Nessa época,
aconteceu um fato muito importante em minha vida. Meu pai ficou doente,
sem condição de trabalhar, as coisas iriam se complicar ainda mais, pois
o que eu ganhava era muito pouco e insuficiente para sustentar a casa.
Já no ano de 1956, levantei-me, como sempre, às quatro horas da madruga
e, na companhia inseparável de minha Bolinha e de outros garotos, lá
fomos nós vender exemplares dos jornais: Folha de Goiás e o Popular,
dois importantes jornais da capital, que existe até hoje.
Naquela edição,
foi publicada matéria da morte de seis pessoas de uma mesma família que
residiam na Rua 68, a “Família Mateússe”, mortas a golpes de machado,
sem que ninguém soubesse as causas, porque nada havia sido roubado. Um
crime misterioso que chocou toda Goiânia. Vendi naquele dia
aproximadamente 500 exemplares dos jornais Folha de Goiás e do Popular,
que traziam a notícia do ocorrido.
Uma senhora, ao
adquirir de uma só vez quarentas jornais, me deu em pagamento duas
notas, uma de dois cruzeiros e outra de vinte cruzeiros, pensando estar
me pagando quatro cruzeiros pela aquisição dos exemplares. Mostrei para
ela o engano e que ela havia me dado em pagamento muito dinheiro, porque
os jornais custavam apenas dez centavos cada. Qual não foi minha
surpresa – diga-se de passagem, muito agradável - quando essa senhora
disse: “pela sua honestidade, você pode ficar com o dinheiro”.
Fiquei
embaraçado com todo aquele dinheiro, pois o máximo que eu conseguia
ganhar por dia era, em média, dois cruzeiros, pois uma engraxada custava
apenas cinco centavos cada. Foi uma grande festa levar para casa aquela
dinheirama que iria ajudar na despesa da casa, já que meu pai estava
doente e impossibilitado de trabalhar como carroceiro.
Com todo aquele
dinheiro, minha mãe que queria fazer cochinha para vender, não perdeu
tempo: comprou os ingredientes necessários e começou a fazer esse
gostoso petisco (feitas de carne de porco, as mais gostosas que já comi
em toda minha vida), que iria, com o lucro da venda, ajudar nas despesas
da casa.
Mas as minhas
surpresas como engraxate e jornaleiro não param com esse episódio. Um
mês depois do ocorrido, de ter recebido mais dinheiro que o necessário
para pagamento dos jornais, outro fato marcou definitivamente a minha
vida de engraxate. Ao engraxar o sapato de um senhor ainda jovem,
aparentando aproximadamente uns trinta e cinco anos, ele começou a
conversar comigo. Perguntou meu nome, quis saber quem eram meus
pais, indagou se eu estava estudando, se sabia ler e escrever, afirmando
que “somente através do estudo às pessoas podem se tornarem
independentes e livres”.
Respondi que
não, porque precisava trabalhar para ajudar meus pais na despesa de
casa, porque éramos muito pobres e o que ganhava meu pai mal dava
para sobrevivermos. Ele perguntou-me se eu imaginava qual era a
profissão dele. Respondi prontamente: “Doutor”. Ele sorriu e disse que
era Engenheiro Eletricista e que morava no Rio de Janeiro. Nesse
ínterim, terminei de engraxar os sapatos do engenheiro. Quando ele me
perguntou quanto ele devia pagar pelo meu serviço, eu respondi: “cinco
centavos. Ele tirou da carteira uma nota de cinquenta cruzeiros e me deu
em pagamento. Eu disse a ele que não tinha troco, que podia me pagar
depois, quando ele passasse por ali novamente. Com voz firme e
determinada, o doutor, que se chamava Rafael, disse: “estou lhe pagando
com essa quantia pelo seu serviço, pois notei que você é um bom menino,
que está trabalhando desde criança para ajudar seus pais”. “Não posso
aceitar, doutor, é muito dinheiro! Como vou explicar isso para meus
pais”. Então ele me perguntou: eles não confiam em você? "Diga-lhes que
você ganhou o dinheiro trabalhando, que fui eu que lhe paguei pelos seus
serviços. Não tenha medo, sua mãe e seu pai vão acreditar em você”. O
engenheiro desejou-me boa sorte e me aconselhou a estudar, pois só assim
eu iria melhorar a minha condição de vida. Despediu-se e foi-se embora.
Aquele
pagamento de cinco centavos com uma nota de cinquenta cruzeiros me
deixou atordoado, sem saber o que fazer com tanto dinheiro, pois eu
nunca tinha posto no bolso uma quantia assim, engraxando sapatos. Era
aproximadamente dez horas. Todos os dias eu voltava para casa às vinte
horas, naquele dia, porém, eu voltei logo em seguida, ao ter recebido o
dinheiro extra daquela tarefa, porque queria mostrar para a minha mãe o
tanto que eu havia ganhado. Cheguei em casa, aproximadamente às onze
horas, cansado, mas muito feliz, porque estava levando dinheiro que
seria suficiente para resolver os problemas que meu pai estava
enfrentado por estar doente e sem poder trabalhar. Minha mãe, Laura, e
meu pai Aristides ficaram muito contentes de saber que aquela grana
daria para pagar três meses de aluguel que estava atrasado, pagar mais
três adiantados. Poderiam comprar toda mobília da casa, porque tínhamos
alguns móveis muito velhos todos ultrapassados, e ainda daria para fazer
despesa da casa por uns três meses, comprar roupa e calçado para me
vestir e vestir todas as minhas irmãs. Aquele dinheiro deu, realmente,
para meus pais fazerem uma revolução, porque, aquele dia, naquela hora
que eu cheguei, não tinha nada para fazer comida em nossa casa.
Vivemos mais um
ano em Goiânia, e todo dia era a mesma rotina: eu levantava de
madrugada para vender jornais e depois ia engraxar sapatos, como forma
de ajudar minhas irmãs e meus pais a sobreviverem até que algo diferente
acontecesse em nossas vidas.
Um dia, numa
dessas idas para trabalhar, depois de vender jornais e ir para a Av.
Goiás engraxar, dois de meus colegas, Valdo e Roberto (Tatu), que também
exerciam a minha profissão, me chamaram para ir tomar banho no
Largo das Rosas, uma piscina pública que tinha entre Goiânia e Campinas.
Lá fomos nós. Chegamos naquele lago, tiramos as camisas e pulamos na
água, nadamos em direção a um trampolim que ficava a uns cinco metros da
margem onde havíamos deixado as nossas roupas e engraxates. Subimos no
trampolim , que tinha uns três metros de altura, e de lá nós pulamos em
pé, indo até ao fundo do lago, que tinha uns seis metros de fundura.
Num desses saltos que eu dei me lembro
que cheguei a encostar o pé no fundo, mas quando eu estava retornando do
mergulho, o meu colega Tatu pulou e veio direto em cima de mim, me
levando novamente para o fundo do lago com seu peso e a pressão da água.
Comecei a perder os sentidos, pois fiquei tonto, sem ter noção de onde
estava. Para sorte minha, o outro garoto, meu vizinho Valdo, viu quando
eu boiei, já afogando. Como que por instinto, ele me puxou pelo cabelo
para cima da base do trampolim, me salvando a vida. Bebi muita água, mas
como Deus protege as crianças, me protegeu de morrer
afogado. Naquele dia não contei nada para meus pais quando cheguei
em casa, porque, se eu fizesse isso, teria levado uma surra daquelas. Só
contei esse fato para minha mãe, muitos meses depois. A partir daquele
acontecimento, nunca mais brinquei com água.

Goiânia 1957 - Vista parcial da Praça Cívica
Em fevereiro de 1957, algo novo começa a
acontecer conosco. Minha irmã Odete havia se mudado de Buriti Alegre
para Uberlândia, e disse que ia nos ajudar a mudar para perto dela, e
reunir novamente a família, porque o meu irmão Edson e minha irmã
Genevra (Neve) já haviam se mudado para aquela cidade. Assim, em
setembro desse mesmo ano, às dezesseis horas, minha mãe, minhas irmãs:
Maria Célia, Sueli, Leilane e eu, embarcávamos de mudança, pela estrada
de Ferro Goiás, rumo ao Triângulo Mineiro, para a cidade de Araguari,
estado de Minas Gerais. Meu pai ficou em Goiânia, para resolver alguns
assuntos, antes de ir se juntar a nós.
Um fato triste
aconteceu na nossa partida, que me deixaria sentido por muito tempo. Eu
tinha, como já disse anteriormente, uma cachorrinha de nome Bolinha.
Quando eu saía de madrugada para vender jornais e engraxar sapatos, ela
ia comigo, era minha companheira inseparável, onde eu punha o pé, ela
punha o nariz, não se separava de mim para nada. Tudo que eu comia, eu
dava para ela comer, por isso, ela aprendeu comer maçã, uva, chupar
picolé, tudo que eu dava ela comia. Mas vejam como são as coisas, não
sei se foi por falta de visão de meus pais ou se foi por falta de
recursos financeiros, quando estávamos embarcando, a minha cachorrinha
não podia embarcar conosco, ela havia nos seguido até a estação
ferroviária iria para sempre se separar de nós. A Bolinha queria estar
perto de mim, coisa que ela fez durante o tempo que morei em
Goiânia, ela queria ir junto comigo, mas infelizmente a empresa não
permitia carregar cachorro ou qualquer outro tipo de animal. O trem
apitava a bolinha do lado de fora, latia tristemente. Parecia até que
ela adivinhava que aquela seria a última vez que ia me ver. Dentro
do trem, meu desespero era igual. Eu chorava inconsolavelmente, pedia
que deixassem a minha amiga Bolinha vir comigo. Infelizmente o trem
partiu e a minha cachorrinha ficou para trás, uivando, triste, como
querendo me dizer adeus para sempre. Nunca mais a vi. Tive notícias de
que ela voltou para onde morávamos e que chorava muito. E foi assim até
morrer.
Viajamos a
noite toda. Chegamos a Araguari eram aproximadamente umas nove horas da
manhã. Durante a viagem, fato desagradável ocorreu: o dinheiro que minha
mãe estava levando, fruto da venda de alguns objetos em Goiânia, foi
roubado. Esse dinheiro era para as despesas de viagem, comida e
passagem, assim, a viagem inteira passamos fome, sem ter a quem
recorrer. Em Araguari, minha mãe, contando com a ajuda providencial de
um primo, por nome de Missiínha, que trabalhava na Estrada de Ferro da
Mogiana, comprou as passagens para nós até Uberlândia, onde iríamos
morar.
Em Uberlândia,
as coisas não mudaram muito. Estávamos com a família quase toda reunida,
mas era uma família grande, meu pai e minha mãe estavam desempregados,
só meu irmão Edson, que era alfaiate, trabalhava para nos sustentar,
porque minha irmã Odete e meu cunhado Álvaro não tinham como nos ajudar,
eles trabalhavam cedo para comer à tarde. Eu já tinha onze anos de
idade. Como Uberlândia era uma cidade onde as pessoas tinham o hábito de
plantar hortaliças, eu embarquei nessa. No fundo do quintal da casa da
minha irmã havia uma área de terra relativamente grande. Não perdi
tempo, contando com a ajuda de meu cunhado, Álvaro Vasconcelos, iniciei o
plantio de hortaliças, como forma de ajudar, com a venda dessas
verduras, na despesa de casa.
Graças a Deus,
tudo que plantamos deu com abundância: alface, couve, repolho, cenoura,
almeirão e cebolinha. Enchi um carrinho e saí vendendo. Não deu nem pro
cheiro. Assim, vendendo essas verduras, ajudei a manter as despesas da
casa com alimento, durante uns três meses.
Já fazia alguns
meses que estávamos morando em Uberlândia, quando minha mãe descobriu
que vários parentes nossos moravam em Ituiutaba. Ela não perdeu tempo,
juntou o dinheiro necessário para a viagem e veio conhecer Ituiutaba e
se avistar com a parentalha, que há muitos anos não via, e tentar
encontrar um novo caminho, uma nova oportunidade , para que nossa
família pudesse viver melhor.
A viagem de mamãe a Ituiutaba durou
apenas dois dias, pois ela retornou a Uberlândia com um único objetivo:
preparar a nossa mudança para aquela cidade que seria mais uma onde
iríamos buscar uma nova oportunidade de sobrevivência, de ter uma vida
digna, independente, como todas às pessoas têm direito.
Capítulo III
Chegada a Ituiutaba

Vista parcial da Praça da Prefeitura - 1960
Mudar para
Ituiutaba representava a esperança de um dia melhor, de encontrar um
caminho seguro que pudesse dar estabilidade ao esforço de meus pais de
completarem a criação da família que haviam iniciado a constituição no
estado de Goiás, nas cidades de Goiandira, Vianópolis, Buriti Alegre e
Goiânia, mas que, por ingerência do destino, havia penalizado a nossa
criação no estado em que eu nasci e que nasceram meus irmãos.
No dia 8 de junho de
1958, chegávamos de mudança na pequena e ainda muito jovem Ituiutaba,
que naquele ano completaria cinquenta e sete anos de existência. Saímos
de Uberlândia por volta de cinco horas da madrugada e aportamos nesta
terra de São José do Tijuco, por volta das quatorze horas e trinta
minutos. Gastamos nove horas e meia de viagem de caminhão. Chegamos pela
Rua 36 – como é até hoje -, descemos pela Av. 7 – que hoje é mão única
de sida -, viramos a direita, na Rua 26, e seguimos por esta até a
Avenida 13, onde iríamos morar.
Algo me chamou a
atenção: havia grande fila de caminhões, carregados com sacas de arroz,
em toda a extensão da Avenida 7, nas ruas 28 e 26, numa distância de
aproximadamente em um quilômetro, dos dois lados da vias, justificando
ser Ituiutaba a “Capital Brasileira do Arroz”.
Segundo o historiador João Petraglia
(falecido), existiam naquela época aproximadamente cinquenta e duas
máquinas de beneficiar arroz, e Ituiutaba era conhecida, como, a
“Capital Brasileira do Arroz” devido à grande produção de arroz no
município.
Chegamos, como já
disse, às quatorze horas e trinta minutos. A cidade estava em festa,
pois a seleção brasileira havia jogado contra a Áustria, pela Copa do
Mundo de 1958, que estava sendo realizada na Suécia, e havia derrotado
aquela seleção por 3X1.
Fomos morar em uma
casa na Av. 13, entre ruas 28 e 30, bem perto de parentes de minha
venerada e querida mãezinha, Laura. Eram nossos parentes, minha tia
Bárbara Severino e meu tio Filinho, os primos Geni Severino e Bolívar
Gomes Campo, que foram pessoas importantíssimas na mudança de rumo de
nossas vidas, desde nossa chegada a essa cidade que nos abraçou como
filhos.
Dois anos depois da
nossa chegada a esse porto feliz,meu pai, até então trabalhando de
guarda noite na Predial - Materiais para Construção, localizada na Rua
22, entre as avenidas 9 e 11 -, conseguiu mudar de emprego. Ele foi
convidado – por intermédio do primo Bolívar que era espírita e membro da
Mocidade Espírita de Ituiutaba, mantenedora do Educandário Ituiutabano
-, para trabalhar e morar naquele Educandário, o que daria a mim
uma nova perspectiva de vida, pois ali aprendi a ler, a escrever e a
descobrir um mundo que até então eu não conhecia. Naquele Educandário
vivi uma das melhores fases da minha vida, pois, durante dez anos,
convivi com quase dez mil estudantes de ambos os sexos e professores
maravilhosos, como dona Nair Gomes Muniz, dona Luiza e dona Congeta
Pelheús, esta última, esposa do meu grande amigo Tomaz Salviano, as
minhas primeiras professoras, e o professor, Dr. Paulo dos Santos,
diretor do colégio, e um segundo pai para mim e para os demais alunos da
escola.
O educandário
foi para mim um segundo lar, pois aprendi que a vida é mais bonita
quando a gente sabe ler e escrever, porque ler e escrever significa
cortar as algemas da ignorância e as corrente do analfabetismo e alçar
vôo, como o condor, para um mundo maravilhoso que é o saber, a luz que
guiaria meus passos por toda vida. Aprendi, além de ler e escrever, a
dançar, a praticar esporte, como futebol, futsal, vôlei, natação,
atletismo e fiz parte da mais importante fanfarra que já se teve notícia
nesta cidade: a fanfarra do Educandário que dava show quando
participava dos desfiles de 7 de setembro e do aniversário da cidade.

Hairton Dias - Aos14 anos de idade
O primo Bolívar, um
influente comerciante na Rua 22, com Av. 11, era proprietário da
Alfaiataria do Bolívar, que naqueles tempos, por volta de 1960,
confeccionava uma média de cem ternos por semana, todos para
noivos que iriam se casar. Aos sábados eram realizados na cidade uma
média de cento e vinte casamentos. Nesta época, o Bolívar, já
bem-sucedido como empresário no ramo de alfaiataria, propôs vender seu
estabelecimento para seus funcionários: Edson – meu irmão, Chico
Alfaiate e Valdivino Alves Ferreira, que assumiriam o comando daquela
promissora atividade.
A sociedade
durou apenas um ano, pois meu irmão Edson comprou a parte do Chico e do
Valdivino e passou a tocar, com minha ajuda, aquela alfaiataria, que
passou a chamar-se Silva Alfaiate, na Rua 22, nº 621, bem no centro da
cidade. Eu que já havia aprendido a profissão de alfaiate, trabalhava
noite e dia para ajudar meu irmão a dar conta das encomendas que eram
muitas, uma média de doze ternos por semana.
Registro: Em 1963,
morávamos no Educandário Ituiutabano, naquele ano aconteceu uma seca
memorável, ficou sem chover praticamente, de janeiro a dezembro,
deixando às pessoas desesperadas por falta de água, levando centenas de
moradores desta cidade, passarem em frente ao colégio onde eu morava,
com garrafas com água e irem rezar, na chamada Serra do Corpo Seco, para
chover.
Até 1967, eu,
já com vinte e um anos de idade, estudava e trabalhava naquela profissão
que havia me dado uma melhor estabilidade financeira, diferente da vida
dura de minha infância. Paralelo à minha profissão de alfaiate e
atividade estudantil, nos fins de semana, eu iniciava uma nova
profissão: a de radialista. Convidado por meu irmão, hélio Dias, e por
Gilson Humberto e Pereira Lisboa – estes dois últimos de saudosas
memórias -, fui fazer teste de radialista na rádio Difusora AM, que
naquela época estava arrendada pelos cancellas e funcionava no mesmo
prédio da Rádio Cancella, na rua 20, no 1º andar do prédio onde funciona
até hoje a revenda Ford – isso ainda por volta de 1967.
Naquela nova profissão eu contei, como
não poderia deixar de ser, com a ajuda importantíssima do mano Hélio
Dias, mas também com a ajuda importante de amigos como Elmory Pereira
Lisboa e Rui Barbosa Castanheira. Mas tarde pude ajudar amigos como Luiz
Carlos de Souza, Wanderlei Nascimento, Daniel Paulo do Nascimento e
tantos outros, a iniciarem a gratificante carreira de radialista.
Capítulo IV
Presidente Da União Estudantil de Ituiutaba

1971 - Presidente da UEI
No final de 1969, eu estudava na Escola
Estadual Professora Maria de Barros (ex-Educandário Ituiutabano), fui
convidado por Luiz Fratary e Nelson Dias das Graças para concorrer à
eleição da UEI – União Estudantil de Ituiutaba -, como candidato a
vice-presidente de uma chapa de situação, encabeçada por Nelson Dias das
Graças. A eleição foi realizada em 23 de outubro de 1969, e nós saímos
vencedores. A nossa posse se deu em 5 de dezembro de 1969. Fomos eleitos
para um mandato de dois anos. Foi nessa época também que fui convidado
por Rodolfo Leite de Oliveira e Sebastião Luiz Mamede a ingressar na
política, filiar-me no MDB, como um de seus fundadores, partido pelo
qual saí candidato a vereador, e fui eleito por quatro mandatos, sobre
os quais entrarei em detalhes posteriormente.
Na política
estudantil fiquei como vice-presidente por um ano. Devido a problemas
particulares, o presidente Nelson Dias das Graças renunciou ao mandato,
isso em maio de 1970. Por força do estatuto da entidade fui
conduzido à presidência da UEI.
Como
presidente, paguei todas as contas deixadas por meus antecessores, como
aluguel atrasado, para o Senhor Manoel Horta, correspondente à sala
quatro do edifício Cine Ituiutaba, aonde funcionava a sede da UEI;
despesa de energia elétrica, material de consumo, como papel, envelopes,
plásticos para carteira de estudantes. Procurei administrar bem a UEI,
pois consegui através de um trabalho sério filiar todos os grêmios das
escolas municipais, estaduais e particulares à entidade. Destinei 60% da
arrecadação com a expedição de carteira de estudantes aos grêmios das
escolas filiadas; fiz convênios com estabelecimentos comerciais,
médicos, dentistas, barbeiros, cabeleireiros para que os estudantes
pudessem gozar de descontos ao comparar nos estabelecimentos e ou usar
os serviços prestados por esses profissionais.
Foi nessa época
que a UEI foi convidada a participar, em Passos, sul de Minas, dos
Jogos Estudantis Mineiros. Formamos uma delegação de 11
atletas para disputar natação, atletismo e futebol de Salão
(Futsal). Foi uma equipe pequena, mas voluntariosa, porque ganhamos três
medalhas, uma em natação, uma em Futsal e outra em atletismo. Mas
Ituiutaba, devido essa participação, ganhava um sonhador. Prometi a mim
mesmo, naquela longínqua cidade, que um dia eu iria realizar na minha
terra jogos como aqueles que nós acabávamos de participar.
No final de
1971 realizei, conforme estatuto, as eleições da União
Estudantil, e a chapa oficial, encabeçada pelo estudante Wilson Marinho e
apoiada por mim, saiu vitoriosa. Ele venceu aquele que, mais tarde,
viria a ser o diretor da CTBC, Divino Sebastião de Souza, irmão do
também, mais tarde , diretor da CTBC Algar Telecom e presidente da ACII –
Associação Comercial e Industrial de Ituiutaba, Gerson Sebastião de
Souza. Em seguida dei posse aos eleitos. Pequeno detalhe: eu que havia
assumido a UEI, há dois anos, com dívidas que ultrapassavam, naquela
época, a casa de dez mil cruzeiros, deixei a entidade com trinta e cinco
mil cruzeiros em caixa, depositados em conta do Banco do Brasil.
Em janeiro de 1973,
casei-me com Mirtes Helena Vinhal, com quem tive duas filhas, Andréa
Vinhal Dias e Priscila Vinhal Dias.
Em maio de 1976, conheci aquela
que viria a ser, mais tarde, minha segunda esposa, a jovem Margarete
Batista Moreira, porque, anos depois me divorciei, indo unir minha vida
aquela por quem me enamorei desde o primeiro dia em que a vi.
Capítulo V
Início da minha carreira política e radiofônica

No início da carreira radiofônica, apresentando o programa com a participação de populares
Retornando a
1970, ano em que foi oficializada a fundação do MDB de Ituiutaba e
ano eleitoral, iríamos ter a primeira eleição para prefeito no
bipartidarismo, isto porque, a chamada revolução de 1964 havia baixada
um Ato Institucional extinguindo todos os partidos políticos existentes
até aquela data. Foram criados somente dois partidos: MDB – Movimento
Democrático Brasileiro – e a ARENA – Aliança Renovadora Nacional.
Como já tinha
alguma experiência política disputando cargo na União Estudantil de
Ituiutaba e como já havia me filiado ao MDB, não tive dúvidas, entrei de
cabeça na campanha eleitoral. Como um dos fundadores do partido,
empunhei a Bandeira da Democracia, já que o Brasil estava sendo
governado, depois do golpe militar de 1964, por generais, em um regime
ditatorial truculento, porque prediam, torturavam e exilavam as
pessoas que eram contra aquele estado de coisas, e por isso, eram
consideradas comunistas.
A disputa foi
bastante concorrida, o MDB tinha como candidato o arquiteto Fued José
Dib, e a ARENA, o engenheiro civil e professor, Álvaro Otávio Macedo de
Andrade. Eu como membro do partido, vesti camisa dessa candidatura
sem pedir nada em troca. Ao final da campanha, o candidato do MDB foi
derrotado e Álvaro Otávio saiu vitorioso. Foi nessa campanha que, pela
primeira vez, como líder estudantil, fiz um discurso político, na
confluência da Av. 25 com Rua 36, pedindo ao povo para votar nos
candidatos do meu partido, o MDB. Saí carregado do caminhão, porque as
pessoas que lotavam aquele comício gostaram bastante do meu discurso de
apoio aos candidatos do partido. Muitos cidadãos naqueles tempos tinham
receio de ir ao comício do MDB, por pensar que podiam ser considerados
comunistas.
Foi nesse mesmo
ano que iniciei um programa radiofônico, na Rádio Cancella, intitulado
“Show Noturno e o desfile dos Bairros”, onde eu, usando um gravador
maior que uma rapadura, ia de bairro em bairro, levantando os problemas
existentes em cada um deles e, depois, cobrava das autoridades
constituídas as providências em favor dos moradores. As pessoas
que participavam das gravações do programa, além de poder cobrar os
benefícios, como rede de água, rede de esgoto, energia, pavimentação,
postos de saúde, creches e emprego, podiam ainda pedir a sua música
preferida. Esse programa ficou no ar até dezembro de 1975, com audiência
total nos bairros da cidade, porque era um instrumento precioso que os
moradores tinham para cobrar das autoridades os benefícios que quase não
existiam em seus bairros. Foi dessa foram que fiquei bastante
conhecido, ganhei popularidade e, no ano seguinte, em 1972, eu fui
convidado pelos integrantes da executiva do MDB para me candidatar a
vereador.
Na minha
carreira radiofônica trabalhei com vários ícones do rádio de Ituiutaba,
mas a maior de todas as honras, para mim, foi ter trabalhado ao lado de
Fernando Santiago, o mestre dos mestres, o papa do rádio tijucano.
Capítulo VI
Meu primeiro mandato de vereador: Criação dos
Jogos Estudantis de Ituiutaba
Jogos
Estudantis criados em 1976 - seriam realizados pela primeira em um
ginásio em 1981 - Ginásio AABB
A eleição de 1970 foi
realizada para um mandato tampão. Dois anos depois os partidos políticos
se organizaram para mais uma disputa eleitoral. O MDB novamente lançava
a candidatura do arquiteto Fued Dib (raposa da política de Ituiutaba), e
a ARENA lançou a candidatura do Dr. Gerson Abrão, advogado e professor,
com o único objetivo: derrotar o candidato do Movimento Democrático
Brasileiro, Fued Dib.
Nessa eleição
de 1972, eu me candidatei a vereador pela primeira vez, enfrentei
candidatos como Agesípolis Fernandes Maciel, Gabriel Palis, Arthur
Junqueira de Almeida, José Arantes de Oliveira, Sebastião Luiz Mamede,
Milson Ribeiro Vilela, Luziano Justino Dias, Joaquim Campos Primo,
Eurípedes da Costa Melo, Nivaldo Inácio Moreira, Pedro Lurdes de
Morais, Vasco de Almeida, dentre outros, que eram candidatos raposas da
política desta cidade, fiquei como primeiro suplente, vindo a assumir,
mais tarde, a cadeira de vereador, na mudança do vereador Vasco de
Almeida para o estado de Matogrosso. Nessa época vereador não tinha
salário.
O candidato do
MDB, Fued Dib, saiu vitorioso, com uma substancial ajuda minha e de meus
companheiros de partido. Nesse meu primeiro mandato como vereador
foi desenvolvido de forma muito atuante. Como eu já conhecia os
problemas da cidade, e principalmente os dos bairros, devido ao programa
que realizava na Rádio Cancella, Show Noturno e o Desfile dos Bairros,
percorrendo os quatro cantos da cidade, em toda reunião da Câmara eu
apresentava indicação ao prefeito para resolver a questão da falta de
infraestrutura e de saneamento básico, como redes de água e esgotos para
os moradores da periferia, que não contavam com esses benefícios,
postos de saúde, creches e pavimentação. Foi nesse meu primeiro mandato
de vereador que criei os Jogos Estudantis de Ituiutaba considerados
naquela época, a maior festa esportiva do Triângulo Mineiro. Os jogos
foram aceitos pela administração e aquele sonho que eu acalentava desde
1971, quando participamos dos Jogos Mineiros, em Passos, iria se
transformar em realidade e, como sonhei, eu iria coordenar a sua
realização em Ituiutaba.

Jogos Estudantis - 1978 - Quadra do Ituiutaba Clube
Foi a minha
primeira grande vitória em favor do povo desta cidade que me abraçara
como filho. Vitória da nossa juventude estudantil que até então não
tinha nenhuma opção de lazer, de prática esportiva. Os Jogos Estudantis,
além de ser a maior festa esportiva da cidade, se transformaram num
instrumento de inclusão social, porque desde 1976, tirou meninos e
meninas das ruas, incentivando-os a retornarem às salas de aula, e
voltarem a estudar, pelo prazer de participarem dos jogos, defenderam
suas escolas, tornarem-se vencedores, ficarem em destaque, se
transformarem de excluídos, em vencedores, em verdadeiros campeões.
Capítulo VII
História dos Jogos Estudantis criados
por Hairton Dias

Abertura dos Jogos Estudatis Ituiutaba - 1982
Era outubro de
1971. A cidade de Passos, no Sul do estado, iria sediar os Jogos
Estudantis Mineiros. A competição reunia cinco mil atletas de vários
municípios. Um dos convidados foi Ituiutaba, no Triângulo Mineiro. Eu,
Hairton Dias, então presidente da União Estudantil de Ituiutaba, tinha
um desafio: reunir o maior número de alunos para participar da
competição. O número não foi nem um pouco animador. Apenas onze
estudantes decidiram entrar nos jogos para representar a cidade.
 
Abertura dos Jogos Estudantis 1988
O que ninguém imaginava era que a cidade
terminaria a competição tão bem representada. Ao todo, três atletas
voltaram com medalhas: uma de ouro, uma de prata e uma de bronze. Mas
mais do que medalhas, eu, Hairton também trazia um sonho. Pois eu
acreditava que a prática do esporte era capaz de aproximar as pessoas,
de fazer amizades e o melhor: fazer disto um instrumento de inclusão
social.

Após chegar de viagem da capital
mineira, eu fui amadurecendo aquela ideia de fazer tornar-se possível o
sonho de realizar os jogos estudantis na cidade. Mas o caminho não foi
fácil. Sem dinheiro e sem patrocinadores, eu decidi bater na porta de
empresas em busca de parceria para adquirir materiais esportivos que
poderiam ser usados nas competições. E foi em meio às dificuldades que
eu dei início, em 1976, à primeira edição dos Jogos Estudantis de
Ituiutaba. Em 2014, 38 anos depois, eu aguardava como espectador o
início da 36ª edição.

Hairton Dias cumprimenta os atletas no Jubileu de Prata dos Jogos, quando foi homenageado, em 2002
- “Digo que
plantei uma semente em terra fértil. Fico lisonjeado em saber que isso
cresceu. Sonhei e materializei esse sonho e estou realizado por saber
que os jogos desde sua criação são usados como instrumento de inclusão
social. Muitos alunos, desde a sua criação voltaram à escola por causa
deles. Estamos colhendo os frutos desta semente boa que foi plantada,
com muito carinho e dedicação. Frutos que são colhidos hoje também por
profissionais da educação.
A diretora da Escola
Municipal Machado de Assis, Ana Emília Abrão, explicou que somente para
esta edição, cerca de 400 alunos foram selecionados. Ela afirma que é
visível a mudança de comportamento nas crianças, que mostram vontade de
participar e se comprometem mais nas aulas. Com os jogos, ficou mais
fácil ensinar.
- "Os alunos mudaram o comportamento. Eles têm aumentado a frequência e
se mostram mais dispostos para as aulas. É um sentimento de dever
cumprido, pois estão dando respostas aos projetos que nos envolvem" -
disse a diretora.
O coordenador de
esportes da Escola Municipal Aureliano Joaquim da Silva, Fernando
Donizete, explica que por conta dos jogos, treinos especiais são
realizados aos finais de semana com os selecionados. Ele ainda afirma
que é mais fácil ensinar e entusiasmar os alunos, que têm o objetivo de
participar da competição e subir ao pódio para representar a escola.
- Se você propuser ao aluno para treinar e participar das aulas, você
tem como objetivar a competição. Só de falar que esses alunos vão
representar a escola nos jogos, eles já se sentem realizados. Se não
tivéssemos esse projeto, teríamos dificuldade em facilitar essa
motivação. E damos o máximo para que isso não diminua - explicou.
Em 2015, os Jogos
Estudantis serão realizados em sua 37ª edição. “Hoje grande parte das
cidades do Triângulo Mineiro realizam jogos estudantis seguindo o
exemplo de nossa cidade, isso para mim é gratificante”.
Registro:
Na comemoração do Jubileu de Prata dos Jogos Estudantis, em 2002, além
de mim, idealizador e criador, da referida competição foram homenageados
também, os integrantes da comissão que me ajudou durante a realização
desse grande evento: Eurípedes Divino Parreira, Sinésio de Freitas,
Marquinhos da Esportiva Calçados, Sargento Neiva (TG), Alberico José
Vilarinho, Valter Vanderlei Valadão, Paulo Sergio da Cruz, Ebert
Laurent, Edmar Mariano, Jamil Nasralla, Vanderlei Alves, que deram sua
contribuição para a realização dos Jogos Estudantis de Ituiutaba.
Jogos Estudantis – 40 anos de história

Partida dos Jogos no Ginásio AABB - 1982 - Ginásio lotado de estuantes e população
Foi no dia 7 de setembro de 1976, que
nós abrimos pela primeira vez nesta cidade os Jogos Estudantis, que
iriam mais tarde se transformar no maior acontecimento esportivo de
Ituiutaba e região. Sonho acalentado por vários anos e que a partir
daquela data ia se transformar no grande elo de integração da juventude
desta terra tão querida.
Quantas dificuldades foram vencidas por
nós para concretização desse ideal, mas tínhamos uma certeza, se
conseguíssemos lançar aquela semente que colhemos na longínqua cidade de
Passos, no sul de Minas, por certo haveria de germinar e produzir bons
frutos. Preparamos a terra com todo cuidado e lançamos a semente, a
irrigamos com muito amor e a adubamos com a fé inquebrantável que vinha
das entranhas de nossa alma, porque acreditamos que só vence aqueles que
acreditam no poder de vencer, lição que aprendi com meus pais, a quem
rendo as minhas homenagens. Vencemos, porque a semente germinou e surgiu
uma árvore frondosa, que ao longo dos anos tem produzido inúmeros
frutos, os “Jogos Estudantis”, em sua 38ª edição.
Esse ano estamos comemorando quatro
décadas da abertura dos 1º Jogos Estudantis, que além de ser uma
extraordinária ferramenta de preparação fica e mental de “ crianças, se
transformaram desde seu nascedouro, em um instrumento poderoso de
inclusão social, pois fizeram retornar as salas de aula muitas crianças e
adolescentes que haviam deixado de estudar e despertou em outras, o
desejo de ir para a escola, fazendo nascer um interesse coletivo pela
sala de aula, afastando muitas crianças e adolescentes dos caminhos
perigosos e perversos das drogas, pois tinham certeza que estudando, o
prêmio seria a participação nos jogos estudantis, que significava
praticar várias modalidades de esporte, o que representava para eles uma
grande vitória!
Quando se realiza no país às Olimpíadas,
reunindo atletas e nações do mundo inteiro, quero concitar os
governantes a investir mais em educação e em esporte, para que tenhamos
realmente um país em que parte de seu povo possa se libertar das amarras
do analfabetismo que escraviza e possa viver a plenitude de seus
direitos, para que o Brasil possa se transformar na maior nação do
mundo, em todos os sentidos, mas especialmente no campo esportivo,
produzindo os melhores atletas para nos representar nas principais
competições esportivas. Nesta oportunidade em que comemoramos 40 anos da
criação dos jogos, eu quero cumprimentar a todos os prefeitos que deram
a sua contribuição e apoio aos jogos, especialmente ao prefeito Luiz
Pedro, a sua secretária Lazara Maria e a subsecretária Alciene Martins
que têm dado suporte e apoio, para que os jogos continuem sendo esse
instrumento importante de aprimoramento físico e mental, de nossas
crianças e adolescentes, cumprindo o seu papel de formar bons atletas,
mas acima do tudo, formar homens e mulheres conscientes, para enfrentar e
vencer os desafios da vida!
Por último rendo a minha homenagem a
companheiros que acreditaram no meu sonho e se juntaram a mim desde a
primeira edição dos jogos, compondo comigo a comissão organizadora:
Eurípedes Divino Parreira, Sinésio de Freitas, Paulo Sergio da Cruz,
Marquinhos da Esportiva Calçados, Sargento Neiva (TG), Alberico José
Vilarinho, Valter Vanderlei Valadão, Ebert Laurent, Edmar Mariano, Jamil
Nasralla, Vanderlei Alves.
Realizar os jogos estudantis foi um
sonho vencido, mas havia nascido outro sonho: ver um (uma) atleta dos
Jogos Estudantis, participar um dia, das Olimpíadas! Para minha Alegria e
satisfação, estou vendo mais um sonho meu ser realizado, pois na
abertura das olimpíadas, a atleta Poliana de Ituiutaba, revelação dos
JEI, lateral direita da Seleção Brasileira de futebol Fem., participou
da vitória do Brasil 3 X 0 China e Brasil 5 X 1 Suécia, nos últimos dias
3 e 6 de agosto de 2016 no Engenhão.
Os Jogos Foram oficializados pela Câmara
Municipal de Ituiutaba, através de emenda de minha autoria quando fui
vereador, fiz constar na Lei Orgânica do Município promulgado no dia 21
de abril de 1990, Art. 115 § 4º. Além desta oficialização fiz constar no
mesmo artigo, § 5 º que: o atleta ou agremiação que se destacar
extraordinariamente nos jogos estudantis poderão ser destinados recursos
financeiros, nos termos da lei, para participarem de competições
intermunicipal, estadual ou nacional.
A todos os participantes dos 38º Jogos
Estudantis os meus cumprimentos, que a vitória seja sempre perseguida,
mas com lealdade, camaradagem e respeito com seus oponentes! Salve os
Jogos Estudantis, 40 anos vivos, em meu coração!
Hairton Dias
Homenagem ao criador dos Jogos Estudantis de
Ituiutaba

Ponto alto da homenagem ao criador dos Jogos Estudantis, ex-vereador Hairton Dias, sendo representado por seu neto João Pedro
O criador dos Jogos Estudantis de
Ituiutaba, ex-vereador Hairton Dias recebeu em 11 de agosto de 2016, uma
das mais significativas homenagens para comemorar os 40 anos de
história da criação deste grande evento esportivo de Ituiutaba e de toda
região. A homenagem foi prestada pela atual administração (prefeito
Luiz Pedro), ficando a Secretária de Educação, Esporte e Lazer, Lázara
Maria coordenadora dos jogos, encarregada de prestar esta merecida
homenagem ao seu criador.
A solenidade muito bonita e emocionante
aconteceu no Ginásio Poliesportivo Municipal Romão, mas o homenageado,
ex-vereador Hairton Dias, por orientação médica não pode comparecer
(devido as fortes emoções que por certo teria), sendo representado por
seu neto, de 14 anos, João Pedro Dias Vieira, estudante da escola Gildo
Vilela Cancella (GVC), que teve a honra, em nome de seu avó, conduzir a
Tocha Olímpica e acender a Pira Olímpica, dos 38º Jogos Estudantis de
Ituiutaba.

João Pedro representando seu avó, criador dos Jogos Estudantis, ex-vereador Hairton Dias, acende a Pira Olímpica
“Toda essa homenagem que recebi, eu
dedico as crianças e adolescentes desta minha querida cidade, com a
certeza que os jogos são uma importante ferramenta de burilamento do
caráter e da personalidade de cada um, com a convicção de que os jogos
haverão sempre, de preparar essas crianças e adolescentes, para os
grandes desafios da vida, sempre com muita garra, mas com muita lealdade
e respeito, aos seus semelhantes” disse HD.
Secretaria de Educação, Esporte e Lazer
endereça mensagem ao criador dos Jogos
Estudantis de Ituiutaba

Hairton,
“O homem é uma continuidade existencial. É uma vida que se faz em cada momento e se expande em cada gesto”.
A sua vida possui, sobejamente, continuidade existencial em todas áreas de trabalho em que você atuou ou atua.
No Legislativo tijucano, porém, você
criou, quando vereador, os Jogos Estudantis de Ituiutaba-JEI, que
sabemos, ficarão na história do município.
Parabéns pelo legado deixado as
gerações vindouras que muito contribuirá para formação do carater de
nossas crianças e jovens, além de integrá-las, incentivando-as a se
comportarem em sociedade com seriedade, lisura, ética, companheirismo,
respeito e lealdade.
Esta cerimônia, linda e
segnificativa, devemos a você, Hairton e a sua capacidade de criar
projetos que beneficiam o coletivo é que ficarão para a posteridade.
Nossos agradecimentos e o nosso abraço.
Prof.ª Lázara Maria Alves Moraes de Souza
Secretária Municipal de Educação, Esporte e Lazer.
Agradecimento:
“Fiquei muito emocionado ao ler essa
mensagem a mim endereçada, através de meu neto João Pedro, que me
representou no dia 11/08/2016, quando da abertura da 38ª edição dos
Jogos Estudantis de Ituiutaba, onde não pude comparecer por recomendação
médica. Quando os criei, não podia imaginar que um dia eles alcançariam
o grande sucesso que hoje desfrutam. Passaram-se 40 anos, mas quando li
essa mensagem e vi o vídeo de sua abertura, senti uma emoção
inenarrável, como se toda aquela maravilhosa festa de abertura estivesse
acontecendo naquele momento. Confesso fui tomado por uma emoção
indiscernível, o que sonhei um dia estava se realizando, ano, após ano,
os jogos cumprindo o seu papel, o de contribuir com formação física e
mental, das crianças e adolescente desta cidade, de sua formação, se
transformando em uma ferramenta importantíssima de inclusão social,
contribuindo desde a sua 1ª edição, com o retorno a sala de aula, de
crianças e adolescente que haviam parado de estudar, muitas delas a
mercê de serem arrebanhadas pelo mundo perigoso das drogas. Retornavam a
sala de aula, pelo prazer de participar dos jogos e defenderem as cores
de sua escola, mas acima de tudo, com essa volta, sendo preparadas para
enfrentar os grandes desafios nas jornadas da vida”.
“Muito obrigado prefeito Luiz Pedro,
muito obrigado Secretária de Educação, Esporte e Lazer, Lázara Maria
Alves Moraes de Souza, muito obrigado a Subsecretária Alciene Martins e
todos os membros da Comissão Organizadora-JEI. Recebo esta homenagem
muito emocionado e eternamente agradecido, mas quero dividi-la com todos
aqueles amigos e companheiros, que um dia acreditaram no meu sonho, e
participaram comigo da sua realização, organizar os Jogos, a partir de
sua criação, em 1976: Eurípedes Divino Parreira (+), Cinésio de Freitas,
Marquinhos da Esportiva Calçados, Paulo Sérgio da Cruz (+), Sargento
Neiva - TG 11/002, Ebert Laurent, Alberico José Vilarinho, Edmar Mariano
(+), Jamil Nasralla, Walter Vanderlei Valadão e Vanderlei Alves”.
Hairton Dias
Capítulo VIII
Recuperação da canalização do córrego
São José

Trecho de 300 metros sendo recuperado pelo prefeito João Batista Arantes da Silva da Rua. 38-A até Av. 17
Em 1974, tivemos o
início de uma grande obra de infraestrutura na cidade, a canalização do
córrego São José, no trecho da Av. 5 até a rua 38, essa canalização foi
feita com recursos do FDU – Fundo de Desenvolvimento Urbano-, do Governo
Federal, repassados através do BDMG. Essa canalização representava uma
grande conquista e um grande avanço no desenvolvimento urbano da
cidade; porém, de uma hora para outra, se transformaria no maior
desastre administrativo já registrado na história deste município.
Grande parte da canalização caiu. É que a sua construção, de acordo com
denúncias feitas pelos vereadores da bancada da Aliança Renovadora
Nacional – ARENA – na Câmara Municipal, havia sido feito com material de
qualidade inferior e sem a devida fiscalização, por isso, no início de
1977, aproximadamente 300 metros dessa canalização caiu e aquela obra se
transformou num grande pesadelo para a cidade e para à população
tijucana, com reflexos negativos para o desenvolvimento econômico e
urbanístico da cidade.
Capítulo IX
Segundo mandato de vereador

HD fez as emissoras de rádio aonde trabalhou ficarem a serviço do povo
Já no meu segundo
mandato – devido aos trabalhos que realizei em favor da minha classe e
dos trabalhadores em geral, consegui uma grande vitória nas eleições de
1976, o que me dava forças para desenvolver um bom trabalho em favor da
população e do desenvolvimento do município. Eu que era vereador e
radialista, tão logo assumi a minha cadeira na Câmara para o segundo
mandato fui surpreendido com um desastre, a canalização que tinha sido
recém-inaugurada com muita festa caiu aproximadamente 300 metros de
galeria, trecho compreendido entre as ruas 38 e 38-A.
Foi uma
agitação total, pois a oposição queria uma explicação para aquele
desastre, porque além de estarem cumprindo a missão de fiscalizar, não
gostavam do ex-prefeito Fued Dib, devido às suas posições radicais. Como
vereador de situação, tive a oportunidade de questionar aquele
desastre, porém, o ex-prefeito Fued Dib, autor da obra, tentava de todas
as formas justificar o injustificável e explicar o inexplicável sobre
aquele desastre, porque ele não tinha uma explicação lógica para aquela
irresponsabilidade e nenhuma forma de convencer a seus opositores – que
qualificaram a canalização de a “Obra do Século”, porque, segundo eles,
teria que ser consertada durante um século, pois teria sido muito mal
feita.
Ainda segundo a
oposição, a queda da canalização do Córrego São José foi considerada
como o maior prejuízo já causado por um prefeito na história
administrativa de Ituiutaba, isso, segundo eles, por falta de zelo na
construção da obra, falta de fiscalização, uso de material inadequado,
sem que a administração tomasse qualquer posição para melhorar essa
situação. Ela caiu três vezes em trechos compreendido entre a Rua 36 e a
38-A, sendo esse mesmo trecho recuperado, em épocas diferentes, pelos
prefeitos Gilberto Aparecido Severino, João Batista Arantes da Silva e
Públio Chaves, obras que, se fossem cobrados os preços praticados hoje,
custariam aos cofres públicos aproximadamente 10 milhões de reais,
porque foram quase 600 metros de canalização, que caiu vezes três.
Devo salientar
nessa narrativa da minha vida política em Ituiutaba, que tão logo
comecei a realizar projetos em favor do povo, ganhando a simpatia
popular, principalmente a partir da criação dos Jogos Estudantil de
Ituiutaba, comecei a enfrentar na Câmara Municipal resistência aos meus
projetos que sempre eram voltados para os mais carentes, para a classe
que eu representava na Câmara, a classe trabalhadora.
Mas, por
incrível que pareça, não sei se por inveja, a maior resistência que os
meus projetos e o meu trabalho enfrentava, vinha dos meus próprios
“companheiros” do MDB/PMDB: José Arantes de Oliveira, Arthur Junqueira
de Almeida (já falecido), Ricardo Abalém, Gabriel Palis, Sebastião Luiz
Mamede, Luziano Justino Dias e Milson Ribeiro Vilela. Esses
“companheiros” procuravam de todas as formas dificultarem o meu
trabalho, impedindo que o povo fosse beneficiado por meus projetos,
certamente, para que meu nome não continuasse acrescendo junto a opinião
pública.
Uma prova do
que estou narrando aqui está registrado nos anais da Câmara Municipal
desta cidade. Durante os seis anos de mandato do prefeito Acácio Alves
Cintra Sobrinho – de 1º de janeiro de 1977 a 31 de dezembro de 1982 -,
por seis vezes me candidatei ao cargo de presidente da Câmara.
Inicialmente a escolha era feita dentro da bancada, para ser o candidato
do partido e aí quem tivesse a maioria dos votos, seria o candidato da
bancada. A nossa bancada era constuída por oito vereadores e a bancada
da ARENA/PDS, por sete vereadores. Tínhamos maioria para eleger o
presidente da Câmara; porém, em todos os anos, por mais que eu tentasse
mostrar a minha competência para meus “companheiros” de partido, não
conseguia me eleger presidente.
Como
inicialmente a escolha era feita dentro da bancada, eu tinha quatro
votos e meus oponentes o mesmo número. Nos dois primeiros anos, como
registrava empate o Regimento Interno da Câmara determinava que o
candidato mais velho fosse o escolhido. Depois de dois anos que eu
tentava e não conseguia ser escolhido, por marcação de meus
“companheiros”, resolvi, com a participação de meus companheiros, Helis
Ferreira da Silva, Anísio Marques dos Santos e Yussef Gergi Sabbag (este
último já falecido), como não havia consenso dentro da bancada, ir para
disputa da presidência da Câmara.
Enquanto eu
tentava conquistar legalmente os votos que me fariam presidente, os meus
oponentes vereadores, José Arantes de Oliveira, Sebastião Luiz Mamede,
Arthur Junqueira de Almeida e Gabriel Palis, companheiros entre aspas,
faziam composição com a bancada adversária e me derrotavam por onze
votos a quatro. Seria até normal na democracia esse resultado, se não
fosse os acordos para me derrotar que ocorriam na fazenda do ex-prefeito
Samir Tannus, um dos caciques da política da época.
Sabem por que
isso acontecia? Simplesmente porque eu disse em uma entrevista a um
jornal da cidade, antes da primeira eleição que disputei à presidência
da Câmara, caso fosse eleito presidente iria acabar com os marajás e
funcionários fantasmas da edilidade. Outra coisa que declarei, e que me
prejudicou muito, é que iria cortar as reuniões extraordinárias, em
número de quatro por mês, que aumentavam os getons dos vereadores.
Outra prática
imoral que era comum, e que sempre fora usada para me derrotar, era a
distribuição de dinheiro por aqueles vereadores que me enfrentavam na
eleição para presidente da Câmara. Os vereadores que neles votavam
recebiam dinheiro, além de parte dos dois terços a mais de salário que
ganhava o presidente, como por exemplo: imaginemos que nosso salário em
1978 fosse de 1000,00 cruzeiros (dinheiro da época), porém, como o
presidente recebia dois terços a mais, o que representava 666,66
cruzeiros, estes eram repartidos em partes iguais com os
vereadores-eleitores; se fossem 10 vereadores, tocavam, em média, 66,66
cruzeiros a mais para cada um, isso o que consegui descobrir.
Compra de voto!..
Como podem
notar, era impossível conseguir eleger-me presidente da Câmara, porque
usando estes artifícios – que sempre abominei – eles me derrotavam. À
época, disputei eleições para presidente da Câmara contra José Arantes
de Oliveira, Arthur Junqueira de Almeida e Gabriel Palis.
Capítulo X
Meu terceiro mandato - Implantação do
Projeto Cura em Ituiutaba
Dois projetos
devem ter contribuído para minha eleição, para um terceiro mandato, em
1982: a realização dos Jogos Estudantis de Ituiutaba e a criação da Lei
do Passe Escolar, que concedia quarenta por cento de desconto para o
estudante no uso do transporte coletivo urbano (Lei nº 1.119, de 1º de
janeiro de 1980. Esses projetos contribuíram para que eu ficasse mais
conhecido e mais respeitado, devido também, à minha luta em favor da
população mais sofrida.

Lei do Passe Escolar, uma grande conquista da classe estudantil
O prefeito que
venceu a eleição em 3 de outubro de 1982, foi Romel Anísio Jorge,
auxiliado por mais dois candidatos da sublegenda do PDS: médico, Dr.
Samir Palis (este já falecido) e o advogado e professor, Francisco
Roberto Rangel. Os seus opositores derrotados, da legenda do PMDB,
foram: professor Helis Ferreira da Silva. Milson Ribeiro Vilela e José
dos Santos Júnior.
Foi uma disputa
acirrada, mas desigual, pois, os partidários do prefeito eleito usaram
de todas às artimanhas para ganhar as eleições, inclusive, no dia da
eleição invadiram e quebraram, o comitê do PMDB, situado bem no centro
da cidade, na Rua 22, com Av. 9-A (avenida do Fórum Newton Luz). Um
mandato conquistado assim, não podia iniciar de forma a construir o
desenvolvimento da cidade.
O prefeito
Romel Anísio Jorge, iniciava o seu mandato com um orçamento aprovado de
aproximadamente 18 milhões de cruzeiros (dinheiro da época); porém,
contava com recursos vultosos do Projeto Cura, conseguidos pelo prefeito
Acácio Cintra, que acabara de sair do comando da prefeitura. Os
recursos eram de 450 mil UPCs, equivalente a quase cinquenta milhões de
cruzeiros (como já disse dinheiro da época), destinados a obras de
infraestrutura, tais como: canalização do Ribeirão Pirapitinga,
pavimentação de bairros, extensão de redes de água e esgoto, galeria
pluvial, meio-fio, sarjeta e construção de escolas, posto de saúde,
dentre outros.
Como salientei,
uma administração conquistada usando métodos não aceitáveis pela
sociedade, não podia ser uma administração voltada para o
desenvolvimento. Vejam bem o que aconteceu: os recursos do “Projeto
Cura” tinha como finalidade implantar obras de infraestrutura, como já
mencionei anteriormente, dentre elas a canalização do Ribeirão
Pirapitinga que corta a cidade, separando o centro da cidade de um dos
seus bairros mais tradicionais, a Vila Platina, segundo nome de
Ituiutaba.
No projeto
aprovado, constava uma canalização feita de concreto, a céu aberto,
sistema caixote, com uma avenida construída em suas margens – inclusive
até votamos o nome desse logradouro, “Avenida Juscelino Kubitschek de
Oliveira”, em homenagem a esse grande Estadista Brasileiro.
Infelizmente, mudaram o projeto, em vez de fazerem como estava previsto,
iniciaram uma canalização pelo sistema “Manta de Gabião”, com pedra,
tela e manta, descaracterizando totalmente o projeto, que inclusive, eu
votei e ajudei aprovar na Câmara.
Começaram esse
desastre de canalização na Avenida 31. Preparavam o talude com a terra
socada e cobriam com o manto, depois, punha pedra lascada e em seguida
cobriam com uma tela grossa, tipo as telas de cercar terreno. Antes de
completar 300 metros de canalização, isso em 1984, pouco abaixo da Av.
23, caiu uma chuva, deu uma pequena enchente, sanfonando praticamente
todo trecho canalizado, e parte da tela rodou Ribeirão abaixo causando
um grande prejuízo à obra e aos cofres públicos. Isto porque, a empresa
que havia vencido a licitação, conforme contrato, não estava fazendo as
coisas direito. A empresa vencedora da licitação e responsável pela
construção era formada por um consórcio entre a Seular Construtora, de
Ituiutaba, e a Araguaia-Minas, de Uberlândia, e a Consomap, essa última
responsável pelo projeto e fiscalização.

Canalização do Pirapitinga destruída toda nas primeira chuvas que caiu sobre a cidade
Esta licitação
foi contestada na justiça por uma empresa de Brasília, que segundo se
sabe, foi inabilitada quando tinha todas as condições de vencer. Por
essa inabilitação, ela entrou com um processo na justiça contra a
prefeitura, requerendo o seu direito legal de participar, mas, esse
processo ficou na primeira instância.
Voltando à
aplicação do referido Projeto Cura, o Consórcio Seular-Araguaia,
subempreitou várias obras, como pavimentação, construção de postos de
saúde, meio-fio, sarjeta, extensão de rede de energia, galerias
pluviais, redes de água e esgotos. Aí a coisa começou a complicar, pois a
fiscalização do que estava sendo feito, era realizada pela empresa que
havia projetado aquela obra, a Consomap, que deixava os serviços
correrem à vontade. Na verdade, ela não fiscalizava nada, era uma
fiscalização de fachada.
Os asfaltos
foram feitos com camada simples, de no máximo 1,5cm de espessura, quando
devia ser sido feito, o triplo invertido, com 3cm de espessura. A
sub-base e a base não atendiam às especificações de técnicas de
densidade e umidade ideal para receber a camada asfáltica e por isso o
asfalto feito nos bairros Natal, Pirapitinga, Marta Helena, e nas ruas
do Setor Sul e do Bairro Pedreira (Setor Norte) apresentaram problemas
como borrachudo, e em outros locais afundaram, precisando ser
concertados.
Os meio-fios
eram para ser feitos no local, no entanto, foram feitos com meios-fios
pré-fabricados, com qualidade muito abaixo daquela prevista no contrato.
O mais grave esses meios-fios foram adquiridos da Engeprel, empresa
pertencente ao secretário de Obras Públicas da administração Romel
Anísio Jorge, senhor Adauto Vilela Gouveia, e do próprio diretor do
Projeto Cura, Senhor Antenor Tomaz Domingues Filho. A Engeprel,
situava-se naquela época, na Av. 7, com Rua 32, no Bairro Progresso.
Esses meios-fios, depois de implantados, grande parte deles, devido à
péssima qualidade do material usado, quebravam.
Outra
irregularidade grave, parte do asfalto que era para ser feitos nos
bairros Natal e Pirapitinga, beneficiando um número maior de moradores,
considerados muito carentes, foi desviado e construído nos Conjuntos Sol
Nascente 1 e 2 e em parte do Lagoa Azul 1. Esses bairros foram
construídos sem pavimentação pela empresa Seular Construtora, uma das
integrantes do consórcio que estava implantando o Projeto Cura na
cidade.
Capítulo XI
Denúncia de corrupção no Projeto Cura

Todos esses fatos
narrados eram de domínio público, mas ninguém tinha coragem de fazer
nada para impedir que aquilo continuasse acontecendo. Parte da
população, e até mesmo o ex-prefeito Acácio Cintra, presidente do PMDB –
que havia passado a prefeitura para seu sucessor, Romão deixando
aprovado aquele projeto – dizia que a implantação do projeto apresentava
vestígios de corrupção na sua aplicação. Muitos cobravam posicionamento
dos vereadores, principalmente o presidente do PMDB, Acácio Cintra, que
chamava a sua bancada de vereadores na Câmara, de “Bancada Drurys” –
isso porque, no Natal de 1983, o prefeito Romel presenteou alguns
vereadores peemedebistas com um litro de uísque, com isso, Acácio queria
dizer que os vereadores liam na cartilha do prefeito.
Essa ladainha, a
cada dia que passava ficava mais forte, então, eu como vereador eleito
pelo povo de Ituiutaba, e em seu nome exercia o terceiro mandato de
vereador, comecei a acompanhar mais de perto aquilo que o ex-prefeito
Acácio Cintra cobrava de sua bancada, e que parte da população comentava
a boca pequena que havia corrupção na execução do Projeto Cura.
Fiz um
levantamento no que estava sendo feito na cidade, em termo dos recursos
financeiros do projeto – projeto que eu, como vereador, havia votado em
1982 -, e pude constatar que tinha mudado a forma de aplicação daquele
projeto. Mudado o projeto de canalização do Ribeirão Pirapitinga, a
forma de fazer os meios-fios, e como era feito o asfalto.
O que fiz
diante de tudo isso? Nesta época eu trabalhava na Rádio Platina, não
pude usar aqueles microfones para denunciar à população a mudança do
projeto, porque o prefeito dominava todos os órgãos de comunicação da
cidade, com exceção apenas de um, o Jornal Esteio, que pertencia a um
grupo totalmente desvinculado daquele que estava no poder. Era um grupo
independente, na forma de agir e de pensar daqueles que tinham o comando
político e administrativo da cidade. O proprietário deste jornal era
filho do empresário Elias Andraus, um jovem médico, Willian Melen
Andraus, que abriu as portas daquele tablóide semanal para eu fazer
esclarecimentos e as denúncias que precisavam ser feitas e que não pude
fazer onde eu trabalhava como repórter, tal era a pressão e o poder do
prefeito.
Capítulo XII
Entrevista ao jornal Esteio

A entrevista ao
Jornal Esteio foi concedida por mim ao senhor Darci Jerônimo da Silva,
no dia 14 de outubro de 1985. Naqueles tempos ele fazia estágio de
repórter naquele órgão de imprensa, hoje ele é professor e ligado ao
Sind-Ute – Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Ituiutaba.
Na entrevista, tive a oportunidade de destacar a importância do Jornal
Esteio, em termos de ser a única alternativa para a população que estava
amordaçada, sem ter como reclamar ou denunciar fatos que estavam
acontecendo, sem que pudesse ser levado ao conhecimento da opinião
pública, pois todos os demais órgãos de comunicação estavam mancomunados
com o Poder.
A pergunta do
repórter foi: “Como você vê o Projeto Cura”? A minha reposta provocou um
reboliço na cidade, porque eu tinha posto em suspeição a honestidade da
administração do prefeito Romel Anísio Jorge.
Respondi
categoricamente: Mudaram o Projeto Cura para beneficiar elementos do
grupo político e administrativo do prefeito. Isso porque nós votamos o
projeto de uma forma e ele estava sendo feito de outro jeito. Mudaram
totalmente a forma de realizar as obras e os locais que seriam
beneficiados. Havia obras de infraestrutura, como pavimentação e
meio-fio, programadas para serem feitas em determinados bairros, mas não
estava previsto pavimentação em outros. Isso para beneficiar elementos
do grupo político do prefeito. O Ribeirão Pirapitinga era para ser
canalizado pelo sistema caixote, a céu aberto, com concreto, no entanto,
ele está sendo canalizado pelo sistema “Manto de Gabião”.
A população
ituiutabana, acostumada a falsas verdades divulgadas nas emissoras de
rádio e no Jornal Diário Regional, de propriedade do Sr. Geraldo Luiz
Morais de Andrade, proprietário da empresa que executava o Projeto Cura,
ficou perplexa, mas não queria acreditar, ou fingia não acreditar
naquilo que eu estava denunciando, tal era a força e o domínio do grupo
político dominante, liderado pelo prefeito Romel Anísio Jorge.
Os acusados no
escândalo negaram envolvimento dizendo que o que eu estava denunciando
era totalmente inverídico, que eu estava mal informado, procurando dessa
forma, se desvencilhares da denúncia, de usar o Poder Público para se
beneficiar, crime de peculato. Como não conseguiram convencer
ninguém, disseram que iam me processar, por calúnia e difamação, quando
na verdade eu cumpria apenas a minha missão para a qual fui eleito,
fiscalizar a melhor aplicação do dinheiro público, impedindo que pessoas
inescrupulosas, empresas, administradores políticos, ou quem quer
que seja usassem esse dinheiro em benefício próprio. Eu, sim é que
devia tê-lo processado.
Na edição
seguinte do jornal, que circularia no dia 22 de outubro de 1985, fui
procurado novamente pelo repórter Darci Jerônimo, que me disse: “os
envolvidos no escândalo do Projeto Cura vão te processar. O que você tem
a dizer?...”
Respondi que
reafirmava as denúncias que havia feito e que faria novas denúncias,
porque, não podia acontecer o que estava havendo, na implantação daquele
projeto em Ituiutaba. Pensei que o prefeito Romel Anísio Jorge iria
apurar as denúncias que havia feito, no entanto, ele desconheceu essas
denúncias, ou melhor, mandou, ou permitiu que os seus assessores direto
me processassem. O correto seria ele afastar esses assessores e mandar
investigar as denúncias. Omitiu, e todos sabem, omissão é crime. Ao se
omitir assumiu todo o ono, do que esta sendo denunciado.
Inicialmente
aquela notícia de que seria processado me fez pensar que era uma forma
de me intimidar, de me fazer recuar se fosse fazer qualquer outro tipo
de denúncia; porém, era verdade. No dia 13 de janeiro de 1986, os
engenheiros que usavam a máquina pública para vender serviço e material,
através da empresa que eram proprietários, e que forneciam materiais
para uma das empresas integrantes do Consórcio Seular-Araguaia-Minas,
entraram com um processo na justiça contra mim, por calúnia, difamação e
injúria.
Diante desse
fato, procurei o diretório do PMDB, que tinha como presidente o
ex-prefeito Acácio Alves Cintra Sobrinho, o mesmo que havia aprovado no
final de sua gestão aquele projeto que estava sendo implantado na
cidade. A primeira coisa que ouvi da boca do Acácio Cintra – a mesma
boca que, inclusive, cobrava uma posição enérgica da sua bancada de
vereadores sobre os fortes indícios de corrupção na execução do projeto –
foi: “você é louco, Hairton”.
Fui, pedir o
apoio do partido para me ajudar a provar aquilo que todo mundo comentava
na cidade, inclusive ele, Acácio Cintra, afirmava que tinha gente se
beneficiando com os recursos do projeto. Ele convocou
extraordinariamente á executiva e os vereadores do PMDB para aquele
encontro comigo. A essa reunião compareceram os seguintes integrantes da
executiva: Acácio Cintra, Zé Cury, Carlos Melo, Valdir Castanheira,
Marcos Abrão (esse primo do Romel); e os vereadores: José Arantes de
Oliveira, Gabriel Palis, Arthur Junqueira de Almeida, Sebastião Luiz
Mamede, Ricardo Abalém, Aranísio Joaquim Martins, Luziano Justino Dias e
eu.
O presidente
Acácio Cintra, usando da palavra, disse qual era a razão daquele
encontro e queria saber a posição dos membros da executiva e da bancada
de vereadores sobre o processo do qual eu estava sendo alvo. Quem
primeiro se pronunciou foi o advogado e vereador Gabriel Palis,
convidado para aquela reunião com a possibilidade de ser contratado para
me defender. Depois de falar quase vinte minutos, ele descartou a
possibilidade de me defender, alegando que se aceitasse a tarefa, iria
ter todos os integrantes do PDS – sucedâneo da ARENA – integrantes do
grupo do prefeito Romel, e aqueles que estavam me processando, segundo
ele, até aquela data, eram seus adversários, mas se aceitasse me
defender passariam também a ser seus inimigos. Gabriel afirmou ainda que
um advogado pega uma causa por dois motivos: primeiro - por interesse
na causa; segundo - por dinheiro. E acrescentou que não pegava a minha
defesa, primeiro, porque ele não tinha interesse na causa, e, segundo,
porque eu não tinha dinheiro. Os vereadores José Arantes de Oliveira,
Sebastião Luiz Mamede e Luziano Justino Dias afirmaram que, para fazer
aquelas denúncias, eu não havia comunicado a eles que iria fazê-las, que
as fiz somente para aparecer, portanto, que eu agora me virasse
sozinho.
Arthur
Junqueira de Almeida (Pituca, já falecido) disse que não iria participar
de qualquer movimento que precisasse dele como testemunha, porque no
fórum onde era feitas as audiências era um local em que uma mentira de
um rico valia mais do que mil verdades, “que rico não vai para cadeia”, e
descartou também a possibilidade de me ajudar. Ricardo Abalém disse que
me ajudaria, mas nunca apareceu em nenhuma audiência e não fez nada
para me ajudar, nem sequer para levar pelo menos o seu apoio moral.

Vereador Aranísio Joaquim Martins apoio incondicional as denúncias do vereador Hairton Dias
Aranísio Joaquim Martins
disse que não tinha dinheiro para me ajudar a contratar um advogado, mas
que se eu precisasse dele para testemunhar contra os meus oponentes,
estaria disposto a testemunhar e que podia contar com ele. O vereador
Aranísio foi o único que esteve presente em todas as audiências.
Os membros da executiva do PMDB se pronunciaram depois:
Zé Cury disse que sabia
que houve irregularidade na realização da licitação que contratou o
Consórcio Seular-Araguaia para a execução do Projeto Cura em Ituiutaba,
que uma empresa de Brasília – que não se lembrava o nome -, havia
entrado na justiça, reclamando ter sido desclassificada, quando na
verdade teria todos os elementos para vencer aquela licitação, inclusive
no preço. Mesmo sabendo que as minhas denúncias eram corretas e se
mostrando favorável a elas, ele também não materializou a sua ajuda.
Marco Abrão, primo do então prefeito, descartou qualquer possibilidade de me ajudar.
Valdir Castanheira se
prontificou a me ajudar em tudo que fosse necessário. Carlos Melo teve
que sair da reunião, segundo ele por problemas particulares.
Diante da
posição da maioria que me abandonou, se colocando praticamente contra
mim, o ex-prefeito e presidente do PMDB, Acácio Cintra, que no início da
execução do projeto cobrava posição dos vereadores sobre graves
indícios de corrupção na aplicação do Projeto Cura em Ituiutaba. O mesmo
que havia chamado sua bancada de vereadores, de bancada Drurys, fez
como Pôncio Pilatos, lavou as mãos, dizendo:
“Hairton Dias,
diante da posição de cada integrante do partido contraria a ajudar você,
eu sugiro que no dia de sua Audiência você diga ao juiz que não fez
essas declarações, que foi o repórter que mudou o que você declarou
sobre o assunto, peça desculpas ao juiz e aos seus acusadores, e acabe
de vez com esse processo”.
Confesso que
fiquei tonto, perplexo, desiludido, incrédulo com o que acabara de ouvir
da boca do presidente do meu partido PMDB. Para mim foi uma ofensa, um
descaso essa omissão, ou melhor dizendo, esse não cumprimento aos
princípios de lealdade e de companheirismo defendidos pelo Estatuto do
PMDB. Ser abandonado pela maioria daqueles vereadores invejosos e falsos
não me causou nenhuma surpresa, porque eles sempre foram contra mim,
mas ser abandonado pela maioria dos membros da executiva do PMDB,
especialmente pelo seu presidente, Acácio Cintra, foi para mim um golpe
mortal.
Com toda a
convicção que herdei de meus pais, Aristides Dias da Silva e Laura
Gonçalves da Silva, de quem nasci, cresci, me fiz homem, me candidatei e
me elegi vereador, com a certeza de estar cumprindo o meu dever
constitucional, quando fiz as denúncias de corrupção no Projeto Cura, de
estar fiscalizando corretamente a melhor aplicação do dinheiro público e
sem medo do que pudesse acontecer comigo diante daquele ato covarde e
omisso, de falsidade de quase todos os meus companheiros – companheiros
entre aspas -, eu disse ao Senhor Acácio Cintra:
“Eu me chamo
Hairton Dias, não me chamo ‘Hairton Cintra’. Quanto aos vereadores, é
preferível correr riscos e poder viver em paz com a nossa consciência,
do que por conveniência, cometer o hediondo crime de omissão. Tenho fé
em Deus, por isso tenho certeza de que a verdade tarda, mas não falta.
Um dia que não está muito longe irá mostrar que eu estava com a razão, e
aí, os que me abandonaram, me acusaram e me julgaram, se não forem
punidos pela justiça dos homens, serão julgados e punidos pela história,
sem se esquecer da justiça Divina”.
Capítulo XIII
Advogados de Ituiutaba não se interessaram
por minha causa
Praticamente abandonado por todos – só
não fui abandonado por minha família, alguns amigos e por Deus, o que
redobrava minha confiança de estar fazendo certo -, procurei contratar
um advogado em Ituiutaba para me defender, como se eu tivesse
cometido algum crime. Devido à repercussão da negativa dos meus
“companheiros” do PMDB de me apoiarem, e por estar enfrentando gente
poderosa, não consegui nem um advogado de peso para pegar minha causa.
Os chamados “bons advogados” não se interessaram porque eu não tinha
dinheiro para bancar os seus altos honorários, mas, sobretudo, pelo
poderio do grupo que mandava em Ituiutaba
Nesse processo
movido contra mim, eu devia apresentar defesa prévia. O último dia
estava chegando e eu não conseguia ninguém para fazer minha defesa, tal
era a influência dos meus oponentes. Diante dessa situação, sem ter a
quem recorrer, algo aconteceu. Deus veio em meu socorro, iluminando a
minha mente, e foi ai que me lembrei que havia uma entidade na região,
chamada AVETRIM - Associação dos Vereadores do Triângulo Mineiro -,
constituída para representar, amparar e defender os interesses dos
vereadores do Triângulo.
O presidente da
AVETRIM, vereador Belarmino da Silva, natural de Tabuão da Serra/SP,
residia em Araguari, onde exercia seu mandato de vereador. Viajei apara
aquela cidade onde me avistei como o vereador-presidente Belarmino, que
se mostrou solidário à minha causa e prometeu me ajudar. Almoçamos
juntos e no período da tarde visitamos a seda da Câmara Municipal, onde
iria acontecer uma das reuniões ordinárias da edilidade araguaiense. No
início daquela reunião foi anunciada a minha presença e eu fui convidado
a participar dos debates. Fiz um pequeno histórico sobre minha atuação
como vereador em Ituiutaba e porque estava sendo processado. Recebi o
apoio e a solidariedade dos quinze vereadores daquela casa de leis,
especialmente do vereador, secretário geral e advogado da AVETRIM, Dr.
Joaquim Godói.
Após essa
reunião fui apresentado ao advogado Dr. Paulo Roberto dos Santos,
ex-vereador e secretário da OAB daquela cidade, que viria ser indicado
pela AVETRIM para ser meu advogado. Acertado os detalhes da minha
defesa, retornei a Ituiutaba. O advogado, por ter sido indicado pela
AVETRIM, não me cobrou honorários; porém, ficou acertado que todas as
despesas de viagem e estadia seriam por minha conta.
Ao
indicar os advogados para me defender no processo que estava rolando no
fórum de Ituiutaba, o presidente da AVETRIM assim se pronunciou:
“A questão em
que está envolvido o companheiro Hairton Dias é do nosso conhecimento. A
defesa do vereador nesse processo será feita pelos advogados da
Associação numa colaboração voluntária, sem qualquer remuneração. Quando
à posição técnica do advogado é defender a imunidade parlamentar do
vereador e o direito inarredável de questionar os atos da administração
municipal, principalmente quando esta se nega a prestar informações
sobre a aplicação de recursos públicos.
Capítulo XIV
Primeira Audiência

Vereador Hairton Dias aguardado o início da audiência
A primeira
audiência estava marcada para o dia 28 de janeiro de 1986, às 15 horas,
no Fórum Newton Luz. Muita gente estava apostando que eu não conseguiria
advogado de nome para me defender, principalmente aqueles ligados ao
grupo político que dominava o Poder na cidade. Além de não ter tomado
nenhuma providência para esclarecer as denúncias que fiz, o prefeito se
dava ao desfrute de dizer que não tinha nada a ver com o que estava
acontecendo, se mostrando alheio aos fatos, como se os dois engenheiros
não fossem assessores do primeiro escalão de sua administração.
Meus advogados, Dr.
Paulo Roberto dos Santos e Dr. Joaquim Godói, de raras
inteligências e conheciments jurídicos, apresentaram a minha defesa
prévia, deixando os meus acusadores e o seu advogado, Dr. Hélio Benício
de Paiva, preocupados.
E o pior, a
partir dessa primeira audiência: comecei a receber ameaças de sequestro,
de tortura e até de morte. Ameaçavam também raptar minhas filhas,
Priscila , de apenas 7anos de idade, e a Andréa de 8 anos de idade. Isso
passou a ser uma constante no meu dia-a-dia e de minha família.
Capítulo XV
O que é defesa prévia?

Dr. Joaquim Godoi, de Araguari, um dos advogados de Hairton Dias
Sobre a apresentação
de defesa prévia, o advogado Joaquim Godói esclareceu que é uma parte em
que não se expõe toda estratégia da defesa, mas indica um caminho. “É
quase que a preparação do processo”, esclareceu.
O Dr. Joaquim
Godói antecipou que seria solicitado ao Juiz que requeresse à Prefeitura
algumas certidões que serviriam de prova em meu favor. Mas afirmou que o
Juiz não se satisfizesse com a prova meramente documental, certidões e
provas, já constante dos autos, pediria que se completasse essas provas
com testemunhas, perícias e depoimentos, para confirmar a denúncia.
Para Godói, “o
que o vereador disse já está confessado pelo querelante, ou seja,
Antenor, o qual, segundo o advogado, caiu em contradição ao dizer que
sua empresa não participou da execução do empreendimento do Projeto
Cura, mas, no entanto confessa que fornecia preços e mercadorias, o que
confirma as palavras do vereador”.
As minhas
afirmações, de acordo com Godói, eram as de que os dois engenheiros
participavam do empreendimento como empresários: “ele falou a verdade,
pois os mesmo participam do quadro de fornecedores de mercadorias”,
disse.
Por outro lado,
uma proposta apresentada, em defesa prévia, é o pedido ao Juiz para que
efetue o processamento da exceção da verdade, ou seja, a produção de
provas que, se comprovarem os fatos por ele denunciados, encerra o caso.
Essa proposta está inserida numa fase preliminar, de acordo com os
advogados Paulo Roberto dos Santos e Joaquim Godói. Já em segundo lugar,
outra proposta a ser apresentada seria a de discussão jurídica de que o
que disse o vereador não é crime. Mas afirmou que só entrará com o
fato, caso não consiga provar as declarações à exceção da verdade.
Cumprida a
audiência de defesa prévia, o juiz, Paulo Roberto Miro da Silva, não
aceitou as alegações dos advogados de defesa e marcou a audiência de
instrução e julgamento para o dia 18 de fevereiro de 1986.
Capítulo XVI
Juiz e Promotora com posições unilaterais

Dr. Paulo Roberto Santos, de Araguari, um dos advogado do ver. Hairton Dias
Como aproximava-se o
dia da audiência de instrução e julgamento, a pressão sobre mim
aumentava; funcionários da prefeitura – que deixo de mencionar seus
nomes, por uma questão de bom senso, porque eram uns pobres
coitados e estavam sendo usados por aqueles que apareciam como
orientadores intelectuais dos autores do processo contra mim – iam á
Rádio Platina, onde eu trabalhava, e diziam que eu iria ser castrado,
que iria amanhecer com a boca cheia de formiga, se não parasse de
conversar, de fazer denúncias que atingisse gente poderosa da cidade.
Se não bastasse
tudo isso, na audiência realizada no dia 18, eu e meu advogado notamos
uma forte tendência do juiz e da promotora, de nome Sebastiana, a favor
dos proponentes do processo. O motivo dessa posição parcial era porque o
juiz e a promotora moravam em casas cedidas pela prefeitura. Além
disso, o juiz era constantemente visto tomando cerveja com os dois
engenheiros. O que me dava forças para resistir a tudo isso era a
proteção divina, o apoio da minha família e a minha convicção de
que a justiça tarda, mas não falha, e a certeza que ela seria
feita. Aqui.
Com cinco meses
após o início da obra de canalização que estava sendo feita no Ribeirão
Pirapitinga, uma chuva mais grossa caiu sobre a cidade destruído boa
parte da obra, levando manta, pedra e tela ribeirão abaixo. Alguns
afirmavam, ironicamente, que já tinha tela e pedra chegando ao Rio
Paranaíba, a uns cinquenta quilômetros de distância da canalização. Isso
acontecia porque não protegeram a parte superior do Gabião, deixando
telas e pedras soltas, serviço de carregação mal feito, sem acabamento.
Os meios-fios, e os asfaltos feitos em alguns bairros estavam
danificados, com rachaduras e borrachudos, em algumas ruas a base e a
sub-base muito mal feitas, faziam o asfalto afundar. Tudo isso, mas nada
parecia adiantar.
Diante da
omissão da justiça diante desses fatos que ocorriam, eu esperava que a
opinião pública compreendesse a veracidade de minas denúncias, porque no
próprio Jornal Esteio, que serviu para serem feitas as denúncias de
corrupção no Cura, foram publicados depoimentos de pessoas e mostradas
fotos das obras que estavam sendo feitas. Nada disso adiantava, parte da
população parecia se mostrar céptica a acreditar nos depoimentos e nas
imagens que mostravam a péssima qualidade do que estava sendo feito, e
como estava sendo feito.
E tinha um
agravante terrível: grande parte da canalização que tinha rodado com a
chuva e que era obrigação do Consórcio Seular-Araguia-Minas, recuperar,
sem ônus para o município, a administração, segundo se sabe, estava
pagando novamente. Tudo isso acontecia e ninguém fazia nada para
impedir, somente eu tentei, mas não fui ouvido, nem mesmo pela justiça
que havia acolhido aquele processo absurdo contra mim, justamente eu,
que tinha procurado com minha entrevista defender o dinheiro público, do
povo de Ituiutaba, que estava sumindo no “ralo da ambição” e do “manto
da omissão”.
O dia da
audiência de instrução e julgamento estava chegando. Uma semana antes
dessa audiência, empresários da área de pré-moldados denunciaram
competição irregular de empresas congêneres (Engeprel), me mandando
documento assinado por eles, que transcrevo aqui:
“Os empresários
abaixo-assinados desejam levar ao seu conhecimento, e da Câmara
Municipal de Ituiutaba, situação que de há muito vem prejudicando junto à
sua clientela. Trata-se de competição, no seu entendimento
absolutamente irregular, feita por congêneres, cujos proprietários
exercem cargos de confiança na administração municipal. No sentido de
esclarecer devidamente a questão, que se apresenta grave, solicita que
requeira vossa senhoria reunião extraordinária do Legislativo Municipal,
para que possam comparecer e relatar de viva voz o que esta se
passando. Na certeza da sua sensibilidade e agradecendo as providências
que vier a tomar, expressam-lhes a sua mais alta consideração”.
Assinaram o documento as empresas: Village, Lages Castelo, Comprel, Lages Santa Terezinha.
Esse
abaixo-assinado foi endereçado a mim, vereador Hairton Dias, devido à
empresa Engeprel, de propriedade dos engenheiros: Adauto Vilela Gouveia e
Antenor Tomaz Domingues Filho, usar a máquina administrativa para
vender seus produtos e serviços, registrando ai tráfego de influência e
peculato, pois como eles eram funcionários públicos, usavam o maquinário
da prefeitura e distribuíam terra para facilitar a venda dos serviços e
materiais da Engeprel.

Prefeito Romel disse que a Engeprel não seria a única a ser beneficiada
Capítulo XVII
Pedido de informação sobre documentação do
Consórcio Seular-Araguia-Minas
No sentido de
provar as minhas denúncias, isso em 1985, já que os argumentos de meus
advogados não foram aceitas na defesa prévia e nem os fatos publicados
no Jornal Esteio, conseguiram convencer o juiz, pelos motivos já
conhecidos, entrei com requerimento na Câmara Municipal solicitando
fosse ouvido o plenário e oficiado o prefeito para que, com base no
artigo 77, inciso XXI, da Lei Complementar nº 3, (Organização Municipal
do Estado de Minas Gerais), de acordo com a redação dada pela Lei
Complementar nº 11, de 31/07/1978, faça chegar a esta Câmara Municipal a
seguinte documentação:
1 – edital de tomada de preço 003/85 e os relacionados ao Projeto Cura;
2 – cópia de proposta do Consórcio Seular-Araguaia-Minas;
3 – especificações planilhas quantitativas;
4 – projetos,
normas, especificações, memoriais descritivos, dimensionamento e
demais elementos fornecidos pela contratante à contratada;
5 – diários de ocorrências;
6 – cronograma de obras;
7 – aditamentos;
8 – perícia
para verificação de resistência do concreto utilizado nos meios-fios,
granulometria dos materiais utilizados e traço provável em
volume-dimensão das peças;
9 – comparação com os previstos no edital;
10 – solicitar
ao Consórcio Seular-Araguaia-Minas a quantidade de meios-fios
fornecidos pela Engeprel;
11 – Solicitar à Engeprel a quantidade de meios-fios fornecidos ao Consórcio Seular-Araguaia-Minas;
12 – atribuições do cargo de gerente do Projeto Cura;
13 – sistema de medição utilizada;
14 – cópia de todas as medições;
15 – prova da existência legal dos fornecedores de mão-de-obra à empresa Araguia-Minas;
16 – números de registros perante a INPS (INSS) e a Prefeitura;
17 –
justificativa de todos os recibos estando em nome de Araguia-Minas, e a
contratada ser o Consórcio Seular-Araguia-Minas;
18 – recolhimento do ISSQN da empresa Consórcio Seular-Araguia-Minas e seus subempreiteiros;
19 – data de constituição da firma Engeprel.
Sala das sessões, em 9 de dezembro de 1985.
Esse requerimento foi votado por
unanimidade pelos vereadores da Câmara Municipal. Muitos queriam votar
contra, mas se isso tivesse acontecido poderia ter contribuído para a
mudança dos rumos do processo a meu favor.
Desses
documentos solicitados pelos meus advogados, os mais importantes não
foram atendidos pela administração, principalmente o item de nº 8. Tudo
isso foi juntado ao processo, pelos meus advogados, em mina defesa. Mas
tudo em vão.
Capítulo XVIII
Vereadores do Triângulo Mineiro e Alto
Paranaíba reunidos em Uberaba, fazem
moção de desagravo e apoio a meu favor
Os vereadores
de várias cidades do Triângulo e Alto Paranaíba, reunidos em Uberaba, no
dia 28 de janeiro de 1986, apresentaram Moção de Desagravo com
assinatura de mais de cinquenta vereadores de trinta municípios, em
solidariedade ao meu posicionamento como vereador:
“Os vereadores
abaixo-assinados, por meio desse especial instrumento de desagravo, vêm
manifestar repúdio e indignação pela atitude tomada contra o
vereador Hairton Dias da Silva, que, no cumprimento do dever, fez
denúncias e críticas à administração pública da cidade de Ituiutaba”.
O presidente a
União dos vereadores do Brasil – UVB –, Paulo Silas de Melo, enviou
telegrama para mim, com o seguinte teor:
“Hipotecamos
nossa solidariedade a Vossa Excelência no processo que está envolvido. O
vereador não pode ser calado na sua atribuição legal de fiscalizar o
executivo”.
Vereadores e
companheiros políticos do PMDB e de outros partidos de várias cidades de
Minas Gerais e do país manifestaram apoio e solidariedade às denúncias
que fiz, investido de mandato popular: fiscalizar e denunciar
irregularidades do executivo na aplicação do dinheiro público.
Infelizmente,
só não recebi apoio e solidariedade dos vereadores de minha cidade, e
nem de meus “companheiros” do PMDB de Ituiutaba – exceção para os amigos
e companheiros, Rodolfo Leite de Oliveira, Valdir Castanheira e
vereador Aranísio Joaquim Martins –, porque a maioria se omitiu, quando
todos que tomavam conhecimento ficavam solidários comigo! Omitiram-se
porque certamente, tinham o rabo preso com o prefeito, liam na sua
cartilha, pelos favores que recebiam. Alguns desses “companheiros”,
inclusive defendiam mais o prefeito que os próprios vereadores de
seu grupo político. Um verdadeiro compadrismo.
Outro que se escondeu na sombra da
omissão foi o ex-prefeito Fued Dib – que por diversas vezes foi ajudado
por mim nas suas eleições –, mas quando precisei de sua ajuda, ele, que
era deputado federal e sabia da seriedade de minhas denúncias, podia ter
me ajudado a desmascarar os meus algozes, porque havia acompanhado todo
o processo de aprovação do projeto e sabia como estava sendo aplicados
aqueles recursos, simplesmente não fez nada para me ajudar, porque o
prefeito Romel era seu patrício, e certamente não lhe interessava
desgastar-se com ele.
Só vim
descobrir o porquê da posição omissa daquele homem, que eu imaginava ser
meu companheiro, dezoito anos depois. É que por toda a vida ele mentiu
para nós, peemedebistas;durante todo esse tempo ele se referiu ao Romel
como um adversário ferrenho, mas tão logo se elegeu prefeito desta
cidade pela segunda vez, trocou todos os peemedebistas pelo Romel e
companhia limitada, tirando a máscara e revelando a sua verdadeira
identidade.
Capítulo XIX
Mandato popular no Banco dos réus
O PT – Partido
dos Trabalhadores –, de Ituiutaba, manifestou apoio e solidariedade às
denúncias que fiz de corrupção na implantação do Projeto Cura na cidade,
publicando manifesto na imprensa local com o título acima.
“Os fatos
relacionados com as denúncias feitas pelo vereador Hairton Dias da
Silva, lançaram sobre o executivo e o legislativo de Ituiutaba sérias
restrições sobre a forma de desempenho do mandato popular que lhe foi
outorgado em 15 de novembro de 1982. Isto porque o mínimo que se espera
do executivo ao receber uma denúncia que envolva sua administração
(assessoria) é que apurem os fatos e erradique o mal pela raiz,
para que não haja (neste caso especifico) malversação do dinheiro
público, e sua postura nos palanques de campanha eleitoral não se torne
figura de retórica.
Por outro
lado, o Legislativo, composto por vereadores cujo mandato só se
justifica na medida em que se trabalha na defesa dos interesses do povo,
deveriam se unir, evitando assim que os interesses particulares, de
grupos ou até mesmo de assessores inescrupulosos, se sobreponham ao bem
comum.
Não se
justifica, sobre hipótese alguma, que companheiros de uma mesma
batalha, empunhando uma mesma bandeira, cujo lema é dar um basta na
corrupção e aos desmandos ocorridos ao logo dos 21 anos de ditadura, se
omitam até mesmo hostilizem o companheiro que se propõe a legitimar o
mandato que lhe foi conferido.
Igualmente, é
no mínimo desonesto aguardar ‘em cima do muro’ o desfecho de uma batalha
e partilhar os louros da vitória. O partido dos Trabalhadores de
Ituiutaba espera que esses acontecimentos, embora lamentáveis, possam
contribuir para que se inicie em nosso município a tomada de uma postura
eficaz de oposição dentro do Legislativo.
PT de Ituiutaba
Capítulo XX
Audiência de instrução e julgamento

Envolvidos no escândalo do Cura - Na sala de audiência - Foto Jornal Esteio
O dia da
audiência de instrução julgamento havia chegado: 18 se fevereiro
de 1986, 9 horas da manhã. Na sala de audiência eu me encontrava com meu
advogado, Dr. Paulo Roberto dos Santos, os proponentes do
processo: Adauto Viela Gouveia e Antenor Tomaz Domingues Filho, a
promotora Sebastiana Cunha Nascimento e o Advogado de acusação Hélio
Benício de Paiva.
A audiência foi
aberta pelo Juiz da segunda Vara, Paulo Roberto Miro da Silva. No salão
adjacente à sala de audiência, em solidariedade à minha pessoa, estavam
vários representantes de associações de bairros, o presidente do PT
local, Francisco Coelho Ferreira, João Sérgio de Medeiros (falecido),
representando o Sindicato dos Comerciários, meu único companheiro e
correligionário, vereador Aranísio Joaquim Martins, meus familiares,
meus amigos, e muitos simpatizantes de minha causa.
O Juiz Paulo
Miro não permitiu o acesso da imprensa e das pessoas presentes na sala
onde se realizou a audiência, que protestaram contra essa atitude,
porque estavam ali para me apoiar.
Foram ouvidas,
pelo juiz, quatro testemunhas de acusação e três de defesa. A minha
quarta testemunha, por motivos particulares, não compareceu, o que levou
o juiz a designar nova data, 6 de março, para prosseguir a audiência, a
partir das 9 horas.
As testemunhas
de acusação foram: o corretor Adelino Roberto Pimenta, o advogado
Reinaldo Gonzaga e os vereadores Said Jacob Yunes e Mário Natal
Guimarães Neto – esses dois vereadores seriam, mais tarde, beneficiados
por mim.

Fotos comprovam denúncias - Foto: Jornal Esteio
Minhas
testemunhas: o comerciante Antônio Alves Filho, o empresário no ramo de
pré-moldados Luiz Antônio de Assis, e Walter Arantes Guimarães, morador
do bairro Natal, de onde foram retirados milhares de metros quadrados de
asfalto do Projeto Cura, para serem feitos onde não devia.
Transcrevo o
depoimento de cada testemunha de acusação para que todos que lerem a
minha história possam avaliar a posição tendenciosa daqueles que me
julgaram em nome da justiça em Ituiutaba. Assim como o próprio Antenor
Tomaz Domingues Filho admitiu na entrevista ao Jornal Esteio para
responder às denúncias que fiz, que a empresa dele e do Secretário de
Obras, Adauto Vilela Gouveia, vendia broquetes para uma das empresas que
“havia” vencido a licitação: Araguaia-Minas, uma das integrantes do
Consórcio Seular-Araguaia, e de acordo com a lei, a empresa deles não
podia vender material, porque ele, Antenor, e seu parceiro Adauto, eram:
o primeiro, o chefe do Projeto Cura, e o segundo, o Secretário de Obras
da Prefeitura, registrando aí o tráfico de influência, que é crime.
As testemunhas
reafirmaram, tentando me incriminar, as denúncias que fiz que eles não
vendiam material (broquetes) para a Construtora Araguaia-Minas, que de
forma indireta, vendia material para ser usado na implantação do Projeto
Cura.

Asfalto e meio-fio estragado: Foto: Jornal Esteio
Acompanhem os depoimentos das testemunhas de acusação, todos publicados, na época, no Jornal Esteio.
Adelino
Pimenta: “Não é do meu conhecimento que a firma Engeprel forneça
material à obra do Projeto Cura ou mesmo à Prefeitura deste município”.
Ele disse também que a aludida firma fornecia pré-moldados à Construtora
Araguaia-Minas. Essa empresa fazia parceria com a Seular, formando o
Consórcio Seular-Araguaia.
O advogado
Reinaldo Gonzaga, Procurador Jurídico da Prefeitura, alegou ter
conhecimento da existência de calúnias feitas pelo acusado contra o
vereador Luziano Justino Dias e de sua veiculação pela imprensa local,
embora não se recorda do teor destas calúnias.
Vejam bem, o
negócio era desgastar minha imagem e desqualificar as denúncias que fiz,
me colocando como alguém que não respeita ninguém. O que este
“advogado” declarou não tinha nada a ver com o processo e era uma grande
inverdade.
O vereador Said
Jacob Yunes, pertencente ao partido político do prefeito e dos dois
engenheiros, disse que fez questão de levar e exibir a documentação do
Projeto Cura a cada um dos vereadores presentes em sessões da Câmara,
tendo todos a oportunidade de constatar a lisura com que agiam os
engenheiros Antenor e Adauto.
O vereador Said
simplesmente saiu porque as principais questões solicitadas por mim não
foram atendidas, principalmente as perícias de meio-fio, asfalto e
canalização do Ribeirão Pirapitinga.
Eustáquio
Franco, membro do partido do prefeito – e, por motivos de ação
trabalhista que impetrei contra a empresa que ele ajudava a
administrar, Rádio Cancella, era meu desafeto,- disse saber que a
firma Engeprel vendia mercadorias à Construtora Araguaia-Minas,
conquanto não soubesse se a mesma prestava serviço ao Projeto Cura.
O vereador
Mario Natal Guimarães Neto, também pertencente ao grupo do prefeito e
dos engenheiros, disse que a Engeprel não prestava serviço ao Projeto
Cura, sabendo apenas ter eles fornecido material ao Projeto Cura, não
sabendo, contudo, a destinação dada aos mesmos.
Transcrevo aqui também o depoimento das testemunhas de defesa:
As minhas
testemunhas de defesa, por sua vez, mesmo coagidas pela pressão
psicológica que pairava no ar, compareceram na hora marcada, todas elas
prejudicadas de alguma forma por aqueles que executavam o projeto na
cidade, de forma direta ou indireta:
O primeiro a
depor foi o empresário de pre-moldados, Antônio Alves Filho, que disse
da concorrência desleal dos dirigentes do Projeto Cura, proprietário da
Empresa Engeprel, que para vender serviços de sua empresa usavam máquina
da prefeitura para fazer “favores” para os clientes. Disse também que
assinou documento enviado à Câmara reclamando dessa concorrência
desleal.
Walter Arantes
Guimarães, morador do bairro Natal, disse que alguns moradores do seu
bairro afirmavam que os serviços de meio-fio eram executados pela
empresa dos engenheiros, Adauto e Antenor, ou seja, pela Engeprel,
chegando a informar os primeiros nomes de dois funcionários que
executavam serviços em seu bairro: Jerônimo e Geraldo.
Luiz Antônio de
Assis, durante seu depoimento, disse não poder afirmar que a Engeprel
prestava serviço ao Projeto Cura, mas, no entanto, afirmou ter visto um
funcionário dessa empresa, chamado Milton, fazer demarcações para a
colocação dos meio-fios, tendo esse funcionário dito a ele que estava a
serviço da Engeprel.
Como faltou uma
testemunha, considerada chave no processo, o meu advogado, Dr Paulo
Roberto dos Santos, requereu ao juiz Paulo Miro, a designação de outra
data, para que esta testemunha fosse ouvida. O juiz acatou e marcou para
o dia 6 de março às 9 horas, uma nova audiência.
Enquanto eu
esperava chegar o dia marcado para a última audiência, procurava ficar
calmo, pois tinha certeza que mais cedo ou mais tarde a verdade viria à
tona; porém, não havia como me desligar daquela situação, que cada dia
que passava ficava mais tensa, porque as ameaças que eu recebia por
telefone aumentavam. Ligavam em minha residência, em meu local de
trabalho, que era a Rádio Platina, dizendo que iriam me matar, tão logo
eu saísse da apresentação do meu programa, “Tarde Noite Cabocla” que era
apresentado entre 17 e 19 horas. Eu sempre respondi que não temia
àquelas ameaças.
Numa dessas
ligações a pessoa disse: “agitador, fascista, hoje, quando você sair
daí, vai levar umas castanhas na costela para ficar de bico calado e não
ficar aí caluniando e difamando pessoas de bem”, e desligou. Só que
desta feita, essas ameaças foram ouvidas por todos os meus ouvintes
porque pedi ao técnico de som que pusesse a nossa conversa no ar.
Se não
bastasse, ligaram também para as minhas filhas, Andréia (8 anos) e
Priscila (6 anos), dizendo que iria me matar, porque eu estava mexendo
com gente muito poderosa; além de ligarem constantemente para minha
ex-mulher e dirigir-lhe todo tipo de assédio.
Faltavam apenas
dois dias para a audiência, onde seria ouvida a minha quarta
testemunha, considerada chave, porque era um técnico em laboratório, que
poderia confirmar um dos itens das denúncias que fiz sobre a qualidade
do que estava sendo feito na cidade. O meu advogado, Dr Paulo Roberto
dos Santos, foi procurado por alguém, ligado ao grupo dominante,
oferecendo vantagem financeira para que fosse colocada uma pedra em cima
do processo, acabando com aquela contenda judicial, ficando bem para os
engenheiros e para mim também.
Respondi para
meu advogado que era uma indignidade o que eu acabara de ouvir, que
nunca aceitaria uma proposta daquela, pois, se aceitasse eu jamais teria
coragem de olhar no rosto de meus pais que me criaram com muito
carinho, respeito e honra.
Diante da minha
recusa a essa proposta, o meu advogado, de Araguari, fez a seguinte
consideração: “se você tivesse dito ao menos que ia pensar na
possibilidade de aceitar essa proposta, eu abandonaria sua defesa na
hora. Eu vim a essa cidade para lhe defender porque vi sinceridade nas
suas palavras e consistência em suas denúncias, independente de qual
seja o resultado que você venha a alcançar aqui na primeira instância,
mas uma coisa é certa, no Tribunal de Justiça, em Belo Horizonte, pode
ter certeza, você será absolvido, pela seriedade de suas denúncias.
Capítulo XXI
Audiência Final

Vereadores de várias cidades do Triângulo Mineiro trouxeram seu apoio ao vereador Hairton Dias
Finalmente
chegou o dia 6 de março, data da última audiência que serviria de base
para minha possível condenação ou absolvição.
No salão
de entrada, em frente à sala de audiência, dezenas de pessoas se faziam
presentes. Vereadores de várias cidades do Triângulo Mineiro:
Tupaciguara, Araguari, Uberlândia, Centralina, Estrela do Sul,
Canápolis, Gurinhatã, Cascalho Rico, e apenas um de Ituiutaba, era mais
uma vez o meu companheiro de bancada e de partido, Aranisio Joaquim
Martins, que esteve presente nas anteriores.
Vários
presidentes de bairros, amigos, eleitores e todos os meus irmãos e
irmãs: Odete, Oliveira, Edson, Hélio, Genevra, Maria Célia, Sueli e
Leilane. Minhas filhas Andréa e Priscila ficaram em casa com a mãe,
mesmo porque eram de menores. Meus pais, Aristides Dias da Silva e Laura
Gonçalves da Silva, não compareceram, atendendo a um pedido meu, pois
eu não queria que eles tivessem o desprazer de assistir ao teatro que
tinham armado para mim no último ato. Porém, eu tinha certeza, meus
amigos e eleitores que ali estavam presentes sabiam que eu tinha falado a
verdade, quando, no dia 14 de outubro de 1985, tinha concedido
entrevista ao Jornal Esteio e denunciado corrupção na implantação das obras do Projeto Cura de Ituiutaba.
Eu sentia que
todos eles estavam ali em solidariedade à minha pessoa, à posição que eu
havia tomado em defesa de uma causa, defender intransigentemente o
dinheiro público, à população, contra a corrupção e a impunidade que
poderia estar nascendo naquele julgamento que demonstrava o quanto é
frágil a nossa justiça, o quanto era parcial aquele juiz e aquela
promotora que agiam ao arrepio da justiça, justiça que eles tinham a
obrigação de preservar.

Pessoas se acotovelavam para tentar acompar a última audiência antes da sentença
Os vereadores
que ali estavam, testemunharam o precedente perigoso que aquele processo
representava para o direito constitucional do Poder Legislativo,
através de seus membros fiscalizarem o executivo, e a melhor aplicação
do dinheiro do contribuinte; poder intimidar aqueles que usam a
influência do cargo que exerce para tirar proveito próprio exercendo o
chamado tráfico de influência, usando as benesses do Poder. Era o que
estava acontecendo com os personagens em questão, usaram a posição que
ocupavam para tirar proveito em benefício próprio, a par de todas as
informações e ingerências na forma original de concepção do projeto.
Aquele processo
revelou para mim o quanto podem ser perigosas algumas pessoas que
desfrutam do nosso convívio. Você as imagina amigas, companheiras e,
derrepente, se revelam e uma falsidade impressionante. Caso dos
vereadores de Ituiutaba naquela época, exceção do vereador Aranisio que
desde o início do processo foi solidário, se oferecendo, inclusive, para
depor a meu favor. Por orientação de meu advogado, Dr. Paulo Roberto
dos Santos, o vereador Aranisio não foi chamado para ser minha
testemunha, porque o seu depoimento não teria muito valor, por ser meu
companheiro.
Lembrei-me do
presidente do PMDB, Acácio Cintra, que cobrava posição dos vereadores
sobre as irregularidades na implantação do Projeto Cura, na cidade; do
Fued Dib, outro que se omitiu, certamente por medo de alguém ressuscitar
a canalização desastrosa que fez em seu primeiro mandato de prefeito,
causando um grande prejuízo aos cofres públicos, como a canalização do
Pirapitinga que eu havia denunciado; do professor Helis Ferreira, por
quem sacrifiquei a possibilidade de uma candidatura minha a prefeito, em
1982, para apoiar a sua candidatura; do José Cury, outro interesseiro,
que sempre usou o partido para beneficiar de uma forma ou de outra, nas
administrações peemedebistas na cidade. Do Luiz Junqueira, meu
ex-patrão, a quem também sempre ajudei, nas suas eleições para deputado
estadual. Solidariedade que veio de todos os lugares do Triângulo, de
Minas e do Brasil, menos do PMDB de Ituiutaba.
Naquela audiência, que seria a última antes da sentença, o
juiz Paulo Miro proibiu a presença de qualquer tipo de assistência ao
julgamento, até mesmo a imprensa foi proibida de registrar o depoimento
que poderia mudar os rumos da sentença. Houve protesto por parte dos
presentes; porém, o representante da justiça ameaçou esvaziar o salão de
entrada, onde as pessoas se acotovelavam para tentar acompanhar de
perto aquele depoimento.
O oficial de
justiça, por determinação do juiz, fez adentrar a sala de audiência a
minha última testemunha, João Batista Pacheco, laboratorista de
pavimentação que fez o seguinte depoimento.
“Afirmo que não
houve, no bairro onde eu moro, pesquisa de solo antes do início dos
serviços de pavimentação e que não constatei no local das obras um
laboratório de solo, e por isso a qualidade de uma base e sob-base
bem feitas, foram prejudicadas, não atingindo a umidade do material, o
ponto certo”.
O advogado de
acusação, sogro de um dos querelantes (Adauto Vilela Gouveia), Hélio
Benicio de Paiva, tentou desqualificar esse depoimento, afirmando se
tratar de informações falsas. Esse depoimento veio confirmar as
denúncias que fiz sobre esse item e as mudanças registradas na
realização e qualidade do material usado, enfraquecendo a qualidade do
que foi feito; porém, ao mesmo custo, como se tivesse sido executado
como foi aprovado pela Câmara Municipal, no final de 1982.
O advogado
Hélio Benício de Paiva ameaçou processar a minha testemunha que havia
esclarecido, em poucas palavras, aquela farsa que montaram para mudar o
projeto Cura, referente à pavimentação, com objetivo que não eram
aqueles previstos no projeto, qualidade destinada a área social da
cidade.
Diante do
burburinho que se formou, o juiz Paulo Miro encerrou a audiência, me
restando apenas, a partir daquele momento, aguardar a sentença.
Capítulo XXII
Sai à sentença e eu fui condenado
Bem, para mim o
mês de abril de 1986 transcorria sem muitas novidades, apena as
articulações políticas eram feitas pelos dirigentes partidários visando
às eleições daquele ano. Porém, aquele mês tinha um significado
diferente, eu estava sendo processado por ter denunciado corrupção na
implantação do famigerado Projeto Cura e a sentença poderia sair a
qualquer momento. O mês de abril acabou, e nada aconteceu.
À medida que o
tempo passava, os comentários sobre o que havia ocorrido nas audiências
de instrução sobre o que tinha sido dito pelas testemunhas criavam uma
série de boatos de que eu seria condenado, mesmo sendo verdade as minhas
denúncias, porque tinha denunciado gente poderosa e porque o juiz,
responsável pelo processo, era amigo dos dois engenheiros e continuava
sendo visto em festas na companhia de ambos, tomando cerveja.
Restava-me
apenas torcer para que a justiça fosse feita e que as minhas denúncias
fossem levadas a sério e consideradas por aqueles que representavam a
justiça no município, realmente fizesse justiça, independente de
amizade, mas acima de tudo, fazendo valer o interesse público, que a
própria justiça tem a obrigação de preservar. Ou então realmente seria
verdade aquele provérbio: “a justiça é cega, para quem precisa dela”.
Infelizmente,
na primeira instância, interesses escusos falaram mais alto e eu fui
condenado a vinte e oito meses de prisão – como se eu fosse um bandido
–, pagamento das custas do processo e onze salários mínimos de multa, e
aqueles que realmente podiam ser considerados assim, estavam saindo
ileso. Confesso que o meu primeiro pensamento foi realmente fazer
justiça com minhas próprias mãos, dar cabo daqueles representantes da
justiça que haviam assumido uma posição unilateral em favor de meus
algozes, e que, em vez de ficarem ao lado da verdade e ajudarem a
defender o interesse público, ficaram do lado da mentira, dos que usaram
o tráfico de influência, dos que usaram o poder para se beneficiarem,
em detrimento do interesse público e da moralidade administrativa.
Mas o pior
ainda estava por vir, se não bastasse aquela sentença, o meu nome seria
enlameado por um jornal que pertencia ao proprietário
da empresa Seular Construtora que havia firmado consórcio com a
Construtora Araguaia-Minas, de Uberlândia, para participar da
implantação daquele projeto, com já mencionei anteriormente. O Jornal
Diário Regional, pertencente ao Senhor Geraldo Luiz Morais de Andrade,
publica, de forma espalhafatosa, e sensacionalista, a injusta sentença
condenatória com o seguinte título: “Caluniador e Difamador condenado”.
Vejam o teor da sentença e os comentários do jornal faccioso:
Comentário do jornal: O
vereador Hairton Dias da Silva, conforme já é do mais amplo
conhecimento público, foi condenado a vinte e oito meses de detenção e a
pagar multa de onze salários mínimos, por ser autor de graves calúnias e
difamações, assacadas contra os engenheiros Antenor Domingues Filho e
Adauto Vilela Gouveia, sendo o primeiro chefe do Projeto Cura-Piloto de
Ituiutaba, e o segundo secretário de Obras da Prefeitura.
A sentença
condenatória está sendo considerada como demonstração cabal de que a
justiça é feita para conter dentro dos limites da ”lei” a atuação dos
senhores vereadores, que não gozam de imunidades parlamentares, o
contrário do que pesam alguns, desinformadamente. Ficou patente, ao ser
lavrada a condenação, que o vereador usou e abusou das páginas de um
semanário, para veicular suas comprovadamente falsas acusações. Nem a
imprensa, nem a tribuna do povo serão instrumentos de assacadilhas
caluniosas e difamadoras. É o que deixa claro o veredicto da “justiça”.
Foi dada ao
vereador Hairton Dias toda a oportunidade de se retratar. Não o fez.
Pelo contrário, em nova entrevista, endossou o que dissera, através da
calúnia e da difamação, e ameaçou acrescentar mais acusações, indo ao
ponto de nem sequer se preocupar com o respeito devido às autoridades
constituídas, nem aos que exercem o múnus público (sic), disse o
editorial do jornal Diário Regional, que vivia à custa do Poder Público.
Capítulo XXIII
Sentença do Juiz Paulo Roberto Miro da Silva

Juiz Paulo Miro
Publico na íntegra, a sentença condenatória propriamente dita do “juiz” Paulo Roberto Miro da Silva:
“Pelo visto e
como muito bem salientou o honrado assistente de acusação, Hélio Benício
de Paiva, o réu acha que a presente ação penal lhe dá rendimento
político e que seu objetivo único é e ter cartaz político, sem o menor
respeito a qualquer autoridade. Já se disse alhures, que fazer política
não e aproveitar-se dos cargos, quer para lisonjear vaidades, quer pelo
intuito de se aproveitar da situação em benefício próprio ou de um
grupo de amigos, em detrimento do interesse geral. O povo sabe julgar
onde está o que o defende e onde o que o explora com promessas vãs e
palavras despidas da sinceridade. Praticar a política, a sã política, é
abraçar o sacrifício. Para tanto, são requeridas daqueles que a ela se
entregam qualidades incomuns de descortino, coragem e abnegação, aliadas
a uma inteligência esclarecida e conhecimento profundo dos problemas
sociais. Ante ao exposto e mais que dos autos consta, julgo procedente
em parte a denúncia de folhas 02/03, para o fim de condenar o réu
Hairton Dias da silva nas sanções dos artigos 20 e 21, da Lei nº 5.250
de 09/02/1967. Trata-se de réu primário, sem antecedentes criminais.
Por conseguinte, fixo as seguintes penas:
a) Para o delito
do art. 20, lei nº 5.250 – fixo pena-base em quinze meses de detenção,
aumentando-a de um terço, face à causa especial prevista no art. 23, II,
lei 5.250, passando-a, pois, para vinte meses de detenção e multa de
sete salários mínimos vigentes na região, já que não alterada pelo art.
20, da lei 7.209-84. Concretizo-as nesse quanto, à míngua de causas
especais de diminuição de pena, bem assim de circunstâncias agravantes
ou atenuantes.
b) Para o delito
do art. 21, lei nº 5.250 – fixo a pena-base em seis meses de detenção,
aumentando-a de um terço, face à causa especial a que alude o art. 23,
II, lei 5.250, passando-a, pois, para oito meses de detenção e multa de
quatro salários mínimos vigentes na região, já que não alterada pelo
art. 20, da lei 7.209. Concretizo-as nesse quantum, à míngua de causas
especiais de diminuição de pena, bem assim de circunstâncias agravantes
ou atenuantes
Em resumo,
imponho ao réu Hairton Dias da Silva a pena privativa de liberdade de
vinte e oito meses de detenção a multa de onze salários mínimos.
Condeno-o ao pagamento das custas processuais, devendo seu nome ser
lançado no rol dos culpados. Transitada esta em julgado, expedir o
competente mandato de prisão. Está sentença cruel foi proferida no dia
29 de maio de 1986, pelo “juiz” Paulo Roberto Miro da Silva, que recebia
da prefeitura casa para morar.
Capítulo XXIV
Moradores da periferia inconformados com a
minha condenação

Aquela sentença caluniosa
do juiz da segunda Vara da Comarca de Ituiutaba, Paulo Miro, causou
inconformação entre as pessoas humildes que eu sempre defendi, pessoas
que sempre foram excluídas socialmente, que os poderosos da cidade
sempre usaram, mas nada faziam para mudar sua difícil condição de vida e
para eles a minha condenação significava a perda do aliado, do parceiro
que empunhava a bandeira do trabalho e que lutava para mudar a condição
de vida dos moradores dos bairros.
Vários desses
moradores, correndo risco ao se esporem, manifestaram sua surpresa pela
minha condenação e demonstraram a sua solidariedade, procurando o Jornal Esteio e deixando registrado o seu protesto e a sua solidariedade.
O comerciante e
mais tarde vereador Walter Arantes, morador do Bairro Natal, afirmou
que o Projeto Cura não cumpriu sua finalidade e que procurou o vereador
Hairton Dias para lhe solicitar empenho, visando providências sobre os
serviços feitos no bairro pelo Cura. “O vereador, que é da periferia,
atendeu-nos fazendo a denúncia de irregularidade nessas obras e hoje
está sendo processado, para mim, injustamente”.
Estamos
insatisfeitos com isso, disse Jandira Maria Moreno, também do Bairro
Natal. “Hairton Dias trabalhava em defesa dos moradores dos bairros, mas
que não era preciso caluniá-lo por isso, como estão fazendo”.
Já um morador
do Bairro Pirapitinga, Afonso Teixeira Nunes, entende que “a denuncia
foi feita em defesa da população e não pode ser crime. Hairton não é
criminoso, não faz sentido, eu ponho a minha mão no fogo por ele”,
atestou.
O presidente da
Sabson – Sociedade de Amigos do Bairro Sol Nascente 2 –, João Marcos da
Silva, estudante, falando em nome dos moradores do bairro disse:
“Hairton não merecia esta condenação. É um fato lamentável e tenho
certeza de que terá um fim tranqüilo, porque acredito que ele não
merece o que está passando, não é ele o caluniador, o difamador, porque
está defendendo interesses populares e é condenado, fato que nunca vi na
história. É a primeira vez. O Hairton disse a verdade”.
O comerciante
Ziltomar Donizete, morador do Sol Nascente 2, entende que “agora tem que
se procurar um meio de eliminar a sentença de Hairton”.
Já Valdivina
Rodrigues da Silva, professora, afirmou: “a condenação foi muito
injusta, vendo-se a péssima qualidade do asfalto e dos meios-fios”.
Segundo ela, “a justiça brasileira e muito falha, porque condena quem
fala a verdade e deixa por ai pessoas que vivem prejudicando a
comunidade”.
A moradora do
Bairro Pirapitinga, Maria Ferreira Silva, convocou os meus companheiros
de política a me ajudar, “porque ele está ajudando as pessoas menos
favorecidas”.
"Ele não merece ser desmoralizado como foi, porque não poderia levar essa calúnia”, declarou Ana de Jesus
Capítulo XXV
Processo sobe para o Tribunal de Justiça de
Minas Gerais
Após a minha
condenação na primeira estância, de conformidade com a lei, eu tinha
quinze dias para recorrer da sentença que, maldosamente, foi proferida
contra mim pelo “juiz” da segunda Vara da Comarca de Ituiutaba,
Paulo Miro, que não considerou os vários quesitos não atendidos
pela acusação, como perícia dos meios-fios vendidos pela empresa
Engeprel para serem usados nas obras do Projeto Cura, perícia da obra de
canalização do Ribeirão Pirapitinga, dentre outros.
O meu advogado,
Dr. Paulo Roberto dos Santos, muito tranqüilo quanto àquela condenação,
sempre me acalmava sobre um resultado desfavorável, porque no Tribunal
de Justiça não haveria influência do poder econômico e nem pressão de
ninguém sobre os desembargadores, que julgaria instruídos nos autos do
processo.
Enquanto isso na
cidade, o buchicho era total: a minha condenação era o assunto de toda
roda. Quando saía à rua para ir trabalhar, pessoas que eu julgava de bem
me olhavam com desdém, com desprezo, como querendo dizer que eu tinha
sido condenando por um crime inaceitável. Nessas horas eu levantava a
cabeça e dizia comigo mesmo: “vou provar para essa gente quem é culpado
nessa história.
Num desses
dias, quando eu descia a Rua 22, após a Av. 17, bem no centro da cidade,
cruzei com um cidadão por nome Juarez Alves Muniz, que inclusive se
dizia ser amigo de meu pai. Quando me dirigi a ele cumprimentando-o,
indagando com ele estava passando, respondeu-me que estava muito bem,
porque não estava sendo processado como eu. A princípio senti como se o
chão tivesse saído debaixo de meus pés, porém, recobrei a calma e disse a
ele: “É melhor ser processado cumprindo o dever conferido a mim pela
população, de fiscalizar o que é do povo, do que cometer o crime de
omissão que muitos vêem cometendo nesta cidade, como por exemplo, você,
em relação às denúncias que fiz em defesa do dinheiro público... “Ele
saiu sem falar mais nada. Acredito que ele jamais esperava aquela
resposta minha ao insulto a mim dirigido.
Insulto como
esse eu cansei de ouvir depois da minha condenação, principalmente no
centro da cidade, na chamada Esquina do Pecado, na Rua 22, com a Av. 15,
onde se reunia muitos desocupados, os meus adversários, aqueles que
costumeiramente viviam nas tetas do poder, homens que tinham preço,
alguns guiados, outros teleguiados, que viviam às custa daqueles que
ostentavam o Poder. Uns diziam que eu seria preso, outros que eu iria
perder o mandato de vereador, que perderia o pouco que tinha conseguido
com o suor de meu rosto, que minhas filhas seriam castigadas por serem
minhas filhas, tudo isso eu enfrentei desde o início do processo, se
agravando ao sair a minha condenação.

Dr. Rodolfo Leite de Oliveira meu amigo e companheiro de verdade
Os dias iam
passando e eu esperava, a qualquer momento, sair o resultado do processo
na segunda estância. Para reforçar minha defesa, um dos únicos
companheiros do PMDB que me ajudou de fato e de direito, Dr. Rodolfo
Leite de Oliveira, contratou o famoso advogado e jurista brasileiro, Dr.
Ariosvaldo Campos Pires, que me garantiu que no Tribunal a justiça
seria feita – o que me fez renovar a minha fé na justiça – e me
assegurou que haveria um julgamento justo e imparcial, o que não tinha
ocorrido na primeira estância, devido à parcialidade daqueles que
julgaram o processo imputado a mim, pelos engenheiros do poder.
Capítulo XXVI
Sai o primeiro resultado do julgamento,
Procurador de Justiça concede provimento
ao meu recurso
A minha
expectativa era muito grande, e a cada dia que passava eu me sentia mais
confiante numa renovação da sentença no tribunal, isto porque, além de
estar sendo defendido por um dos mais renomados juristas do país, na
instrução do processo, contei com outro grande advogado, o Dr. Paulo
Roberto dos Santos, que com muita competência forneceu todas as
informações cabíveis no processo para minha defesa lá em Belo Horizonte.
Os meus
advogados estavam certos ao afirmarem que no Tribunal o processo seria
analisado sem a influência de ninguém que pudesse interferir no
resultado final. Isso era tanto verdade que a minha primeira grande
vitória aconteceu, quando o Procurador de Justiça, que exerce o papel
quase sempre de acusar, me absolveu, opinando pelo provimento do meu
recurso.
Àquela altura
dos acontecimentos, como eu trabalhava em uma das rádios locais, eu dei
publicidade à posição do Procurador de Justiça, de ter dado provimento à
minha apelação. Essa notícia chegou à opinião púbica e às pessoas que
até então me olhavam com desprezo, começaram a ter outro conceito sobre
minha posição ao fazer as denúncias de corrupção na implantação do
Projeto Cura. Eu esperava apenas poder provar que não caluniei, nem
difamei e nem injuriei ninguém, somente cumpri a minha obrigação
constitucional de fiscalizar a aplicação correta do dinheiro público,
impedindo que maus administradores usassem o Poder para malversar sua
aplicação.
Estávamos em
ano eleitoral, mês das convenções partidárias, onde os partidos
políticos iriam escolher seus candidatos a governador, senador,
deputados federais e estaduais. Na minha cidade, os candidatos eram
Samir Tannus/estadual (PDC), Luiz Junqueira/estadual (PMDB), Arlindo
Porto/senador (PDS), Júnia Marize (PMDB, entre outros.
Em uma visita
que fez a esta cidade, o então candidato do PMDB, Newton Cardoso, me
recebeu, quando solicitei seu apoio para me ajudar a provar as denúncias
que fiz contra aqueles que haviam mudado o Projeto Cura para se
beneficiar. Ele hipotecou apoio à minha causa e se colocou ao meu dispor
para seguir em frente na minha luta em defesa da moralidade
administrativa.
Nesse ínterim,
os meus “companheiros” vereadores, até certo ponto decepcionados com o
provimento concedido pelo Procurador de Justiça ao meu recurso, torciam
pela minha condenação, o que os deixariam certamente muito satisfeitos
porque ao invés de me defenderem, eles, o tempo todo, se posicionava ao
lado da administração e dos engenheiros que me processaram. Inclusive,
sempre que podiam, passavam informações sobre o que ia propor em minha
defesa.
Tinha dia que
me dava vontade de resolver aquela questão de forma diferente, como eram
resolvidas, lá onde nasci, em Buriti Alegre/GO, questões iguais àquela:
justiça com as próprias mãos; mas recuava, porque se fizesse isso eu
estaria assumindo uma culpa que eu não tinha, jamais seria perdoado
pelos meus amigos e principalmente pela história.
Cinco dias
antes de sair a sentença do Tribunal, meu pai, Aristides Dias da Silva,
muito doente e fragilizado com aquela situação em que eu me encontrava,
me chamou em sua casa e, na presença de minha mãe, Laura Gonçalves da
Silva, me fez prometer que, se eu fosse absolvido no Tribunal de
Justiça, poria uma pedra em cima do processo e não mexeria mais com
nada, esquecendo que meus algozes existiam e que eu jogasse no lixo do
esquecimento aquele ultraje sofrido. Tive que prometer, porque, meu pai
estava muito doente e eu não queria almentar seus problemas de saúde.
Infelizmente, meu pai não viveu o tempo suficiente para ver e assistir a
minha absolvição, pois, dias após a essa conversa, meu pai fechava os
olhos para sempre.
Capítulo XXVII
Tribunal me absolve – Justiça, finalmente!

. Advogado e jurista, Dr. Ariosvaldo Campos Pires responsável por minha defesa e absolvição no Tribunal de Justiça
Como estava
previsto, longe da influência dos poderosos, do poder econômico, isento
de qualquer tipo de interferência que pudesse beneficiar esse ou aquele –
como ocorreu na primeira instância, onde a corda arrebentou do lado
mais fraco, devido ao poder daqueles que propuseram o processo e por
falta de coerência dos que em nome da justiça, cometeram uma grande
injustiça ao me condenarem a vinte e oito meses de detenção, multa de
onze salários mínimos e pagamento das custa do processo, sem analisar
com isenção os itens apresentados por meus advogados, Dr. Paulo Roberto
dos Santos e Dr. Joaquim Godói, quando recebi essa condenação –, e
graças à interpretação de minha defesa, pelo grande jurista brasileiro,
Dr. Ariosvaldo Campos Pires, no segundo julgamento, na Corte da Justiça,
em Belo Horizonte, O Tribunal de Justiça de Minas, por seis votos a um,
deu provimento ao meu recurso, isentado-me de qualquer tipo de crime
que eu tenha cometido, reformando a sentença, recaindo sobre meus
algozes o ônus de toda culpa, ou seja, pagamento das custas do processo,
os onze salários mínimos e faltando somente os dois serem presos e
ficarem não só vinte e oito meses na cadeia, mas, sim, mais tempo, para
deixarem de usar a maquina pública em seu benefício próprio, usando e
abusando do poder e ainda se darem ao luxo de me processar, quando eu
estava apenas cumprindo o meu dever, de defender intransigentemente a
melhor aplicação do dinheiro público.
Capítulo XXVIII
Acórdão de absolvição do Tribunal de Justiça
Justiça Finalmente!
Os que tiveram a
oportunidade de me ouvir ao longo dessa etapa de sofrimento e de
perseguição, pesado tributo que sempre paguei por militar honradamente
na vida pública situando o dever acima da minha própria tranqüilidade
podem testemunhar que, em momento algum, deixei de crer na Justiça. Os
percalços foram muitos. Os motivos para desânimo, inúmeros. Houve
instantes de profundo desalento, face à extrema crueldade dos meus
detratores. A palavra final da Justiça, eximindo-me de qualquer culpa ou
crime e, pois, fazendo cair sobre meus algozes à sombra do delito,
banha de paz minha alma e inunda de luz os meus familiares, os meus
amigos, os meus companheiros e as pessoas humildes que sempre confiaram
em mim. Os pró-homens (desembargadores), envolvidos nesse processo, a
final trouxeram inestimáveis esclarecimentos à vida coletiva de
Ituiutaba, e melhor do que ninguém resgata toda a verdade a meu respeito
e com relação àqueles que me agrediram, para ocultar os seus próprios
erros. Se não vejamos:
O preclaro
Procurador de Justiça, Dr. João Batista Bueno, em seu memorável parecer
sobre a matéria disse o seguinte:
“O réu apelante
é vereador em sua cidade e, como representante do povo, não se pode
negar-lhe o direito de criticar aos atos da administração municipal, e
deve ser exercida não apenas no recinto da Câmara. Todas as questões de
interesse da comunidade devem ser amplamente debatidas, em qualquer
lugar. É próprio do político, principalmente quando exerce a
representação popular, usar de todos os meios regulares de comunicação
para transmitir a sua mensagem ao eleitorado. Nisso reside à essência da
Democracia, a face dinâmica do estado de direito. Toda crítica é quase
sempre ofensiva, mas não necessariamente criminosa, mesmo quando
injusta. Para caracterização do delito, nos casos de calúnia, difamação e
injuria, a ação dolosa deve dirigir-se a pessoa determinada, com
precisa indicação de fatos ou circunstâncias perfeitamente definidos na
lei penal. O acusado nega autenticidade a entrevista que lhe é
atribuída, não havendo provas suficientes nesse sentido. Além disso,
nota-se muita divergência entre o conteúdo da matéria publicada no
jornal e a narração dos fatos na denúncia, que serviu de base a sentença
condenatória no caso sub judice, a improcedência da ação penal parece
ser a solução mais justa que conforme o direito”.
“Assim, opinamos pelo provimento do recurso do acusado”.
Importante lembrar que a
procuradoria exerce em nome da sociedade, função essencialmente
fiscalizadora quase sempre acusatória.
O iminente juiz Paulo Medina, em seu voto antológico, leciona, de sua parte:
“Há, sem dúvida, a suspeita do vereador, que, mesmo depois de explicações, pôde ainda parecer-lhe o fato estranho.
Sim, estranho
pôde afigurar-lhe, porquanto, ausente vinculação direta na execução das
obras, afirma dos ofendidos, apesar disso, estava a beneficiar-se com o
fornecimento de material.
Irrelevante na
espécie, a distinção que o ilustrado advogado dos assistentes, Dr. Hélio
Benício de Paiva, pretende fazer quanto à distinção entre a pessoa
jurídica Engeprel e a de seus sócios, principalmente porque não está o
réu a apontar prática de crimes contra esses e apenas indicando o
interesse da empresa junto ao município.
Eis ai a
prova. Resta-lhe a roupagem jurídica. E continua o eminente jurista, em
verdadeira aula de democracia e de coragem:
“abomino os que
estão a tecer, às escondidas, junto a outros, as fragilidades humanas.
Abomino a solércia do covarde, a intriga do poltrão, a mentira dos
subservientes. Mas, por outro lado, admiro quem, por destemor e
responsabilidade, de público acusa.
Admiro a quem, no
cumprimento de mandato responsável, denuncia. Ao pecado da omissão,
opõe-se o risco para a busca da verdade. E ao risco fora lançado o
vereador.
Havia suspeita
pela vinculação da empresa às obras e ao município. Os sócios e o
presidente e secretário foram confundidos na imagem distorcida do
vereador.
Apesar disto,
era razoável a suspeita do vereador. A sua palavra não pode estar
restrita às salas da Câmara Municipal, vazias, em regra, pela
desesperança e descrença do povo. A publicidade pela imprensa permitiu
dirimir a suspeita, restaurar a dignidade e esclarecer o fato. A
fiscalização e sua publicidade são formas para conter até mesmo a
hipertrofia do executivo. “Nas críticas do vereador-réu não vianimus
para difamar ou caluniar”. Prossegue, ainda, o douto julgador:
“É o caso, por
exemplo, da manifestação eventualmente ofensiva feita com o propósito de
informar ou narrar um acontecimento ou com o propósito de debater ou
criticar, particularmente amplo em matéria política”.
E, arremata,
magistralmente, o Dr. Medina: “A suspeita de irregularidades
administrativas, manifestadas por vereador, na sessão da Câmara
Municipal, e mesmo através de entrevista a jornais, conquanto,
posteriormente, vêem-se infundidas, não constitui crime contra honra,
exceto se a sua crítica não estiver inspirada no interesse público e
revele, exclusivamente, o propósito de injuriar, difamar ou caluniar”.
“Posto isto,
nego provimento às apelações do Ministério Público e dos Assistentes, e,
por outro lado, dou provimento à apelação do réu, para, de acordo com o
artigo 386, III, do Código de Processo Penal, absolvê-lo das imputações
que foram feitas”.
De seu turno, o ilustre Juiz Gudesteu Biber, referindo à matéria, afirma:
“A meu sentir, o
processo não é nada mais do que um espelho do que hoje acontece neste
país com a super-hipertrofia do Poder Executivo, de tal forma a se
anular os demais poderes. Um vereador tem o direito e, antes do direito,
tem o dever de fiscalizar toda e qualquer obra da municipalidade.
Se um vereador
pede informações ao Executivo sobre o andamento de uma obra qualquer e o
executivo, como sempre, na sua arrogância atual, não fornece os
esclarecimentos pedidos, não há, por parte do vereador que denuncia
irregularidades, seja na Câmara Municipal ,
seja através da imprensa, o propósito de caluniar, injuriar ou
difamar.
O vereador 3°
apelante cumpria, a meu sentir, mandato popular, e, como tal, ele tinha o
direito de exigir do Executivo prova de todos os contratos de
prefeitura de obras da municipalidade. E o Executivo tinha o dever de
prestar, detalhadamente, os esclarecimentos pedidos. Se isso fosse feito
ou se isso tivesse sido feito, no caso presente, não haveria a querela
que ora se decide.
Estou com o
ilustre relator de que não é possível haver dos crimes contra honra num
só ato. A calúnia, a injúria e a difamação são degraus de uma mesma
escada deletiva, de tal forma que a caracterização de um mais grave,
automaticamente absorve outro menos grave.
“Não vejo nas
palavras de um edil o “animus caluniandi” nem “animus difamandi” quando
ele dá a grita, pela imprensa, de que irregularidades deveriam estar
acontecendo na Prefeitura em razão de falta de informações que o
Executivo deixou de prestar ao legislativo”.
Esses
pronunciamentos, exarados no âmbito do processo, sob se constituírem em
lições de direito, são, sobretudo, luminosas e vibrantes aulas de
coragem e de Democracia.
A vitória não é
minha. O triunfo é da verdade. Transfiro-o, com todos os méritos aos
que acreditaram na honra.
Aos meus
familiares e as minhas filhas Andréa e Priscila, a minha ex-esposa,
Mirtes Helena Vinhal que sofreram comigo, instantes a instantes, a
pressão e a tortura psicológica que sofri. Aos que rezaram. Aos que
fizeram promessas e os choraram.
Ao povo de
Ituiutaba que jamais me negou sua confiança e aos meus amigos e àqueles
companheiros que se mantiveram solidários comigo. Estejam certos,
todavia, os meus detratores. O meu íntimo não tem lugar para
ressentimento nem ódio. A minha consciência, porém, jamais, transigirá
diante do erro.
Agradeço a
Deus, por ter me dado forças e coragem para chegar até o fim do
processo, com dignidade. Aos meus advogados: Dr. Paulo Roberto Santos,
Joaquim Godói e Ariovaldo Campo Pires, pelo zelo e dedicação com que me
defenderam. Aos companheiros: Dr. Rodolfo Leite de Oliveira, Aranisio
Joaquim Martins, Dalton Chaves Vilela, ao Partido dos Trabalhadores, aos
vereadores de todas as cidades do Triângulo Mineiros e aos
peemedebistas das cidades da região, aos presidentes de bairros e a
todos aqueles que de forma direta ou indireta, me deram seu apoio moral.
Ituiutaba, junho de 1986
Ver. Hairton Dias da Silva
Capítulo XXIX
Minha Vitória na Justiça me fez recobrar
a autoestima
Aqueles que
viravam o rosto quando me viam passar durante a vigência do processo, ao
tomarem conhecimento da minha vitória no Tribunal, ficaram com a pulga
na orelha, principalmente os meus adversários, pois, acredito, temiam
qualquer tipo de retaliação de minha parte.
Vejam bem,
mesmo com essa estupenda vitória que consegui, e agora com a opinião
pública do meu lado, o meu partido, que foi omisso o tempo todo
continuava a sê-lo, pois não se dispôs a tomar nenhuma posição, porque
com exceção apenas do companheiro Valdir Castanheira, Rodolfo Leite, do
vereador Aranísio Joaquim Martins, todos os demais vereadores do partido
eram comprometidos com o executivo. A meu ver, seria à hora de dar um
cheque-mate no prefeito Romel Anísio Jorge e acabar com o seu reinado
para sempre nesta cidade. Mas não foi preciso, o povo desta cidade fez
isso por mim, ao derrotá-lo em sua candidatura de deputado.
Mas nada disso
foi feito, o tempo passava sem às denúncias que eu havia feito fossem
esclarecidas pela administração e pela justiça que me condenou, na
primeira estância.
Capítulo XXX
Imprensa de Ituiutaba se nega a divulgar meu
acórdão, que me absolveu de qualquer culpa
O Jornal
Esteio, responsável pela minha entrevista, onde fiz as denúncias de
corrupção no Projeto Cura, havia deixado de circular. O seu
proprietário, o jovem médico Willian Melen Andraus, por questão
profissional se transferiu para São Paulo, onde estava fazendo curso de
pós-graduação em cardiologia e tinha consultório médico. Procurei todos
os órgãos de imprensa de Ituiutaba para divulgar o meu acórdão,
inclusive, o jornal que havia publicado com muito sensacionalismo, a
minha condenação; porém, todos se negaram ate mesmo a ver o que eu tinha
para publicar.
Claro que não
iam publicar o meu acórdão, porque ele era a punição dos meus algozes e
representava a vitória da verdade sobre a mentira, da justiça contra a
injustiça, da minha vitória, da minha determinação de defender o
dinheiro público, contra os malversadores do Poder, do tráfico de
influência, da corrupção e da impunidade.
Até mesmo na
Rádio Platina, emissora onde eu trabalhava seus proprietários, Alcides
Gomes Junqueira e Luiz Alberto Franco Junqueira, me proibiram de
divulgar o acórdão através de seus microfones. Esses dois empresários e
políticos eram meus “companheiros” de PMDB.
Diante dessa
situação, só me estava uma alternativa: montar extraordinariamente um
jornal para levar ao conhecimento da opinião pública que eu estava com a
verdade, que eu havia finalmente recebido da justiça, do Tribunal de
Justiça, de Belo Horizonte, na segunda estância, o provimento ao meu
recurso, ou seja, eu tinha sido finalmente absolvido das imputações que
me foram atribuídas.
Nesse ínterim,
começa a circular nesta cidade, o Jornal Folha de Ituiutaba, sob a
responsabilidade do escritor Rauer Ribeiro Rodrigues. Paguei esse jornal
para publicar o meu acórdão. Os vinte mil exemplares que foram
impressos, eu mandei distribuir, desde o centro a todos os bairros da
cidade,
Mas não parei
aí, como era ano eleitoral e estavam realizando comícios, usei o
palanque dos candidatos do PMDB para cobrar do prefeito e da justiça que
tinha me condenado aqui, na primeira instância, que explicasse ao povo
de Ituiutaba às denúncias que eu havia feito de corrupção na implantação
do Projeto Cura. Sabem o que aconteceu? O Juiz, Dr. Ataíde, diretor do
Fórum, procurou o presidente do PMDB, que ainda era o Acácio Cintra,
para eu ter cuidado com às minhas colocações sobre a Justiça, senão quem
ia me processar agora era à própria justiça. Da pra entender uma coisa
dessas.
Em momento
algum, onde tive a oportunidade de usar da palavra, não falei nada que
pudesse ferir a justiça como instituição, mas exigia, sim, que aqueles
que haviam me condenado, em nome da justiça, punissem os que usam o
tráfico de influência para se beneficiar com a máquina pública.
Em uma sessão
da Câmara de Ituiutaba, logo após esse incidente, um vereador – que não
me lembro mais ao certo quem era, mas penso ter sido o Vilson Morais
(PDS) – disse que a justiça ia mandar me prender, porque eu estaria a
desmoralizando. Simplesmente, respondi para esse vereador, até como um
desabafo, que eu não tinha medo de cadeia, e que cadeia foi feita para
prender homem e não cachorro, mas que a cadeia que iria me prender, por
aquele motivo, jamais seria construída em Ituiutaba.
Era só bravata
do vereador, mesmo porque, depois da posição parcial do Juiz Paulo Miro e
da promotora Sebastiana Cunha, não havia clima para qualquer posição da
justiça contra mim, principalmente porque a opinião pública agora
estava toda do meu lado e eu não havia feito nada que colocasse a
justiça contra mim.
Mesmo não tendo
os órgãos de imprensa como parceiros, porque, esses dependiam da
administração, para que eu pudesse levar ao conhecimento da opinião
pública os detalhes da minha vitória no processo absurdo que respondi
por ter defendido a melhor aplicação do dinheiro público, em todas as
oportunidades que usei da palavra para participar da campanha política
do PMDB, o meu partido que havia me abandonado durante a vigência do
processo, eu aproveitava para levar ao conhecimento do povo de Ituiutaba
o que havia acontecido comigo, quando eu, no uso de um mandato
popular, tinha sido processado por defender o interesse público daqueles
que usaram mal o Poder, para se completarem, estavam impunes.
Nessa altura
dos acontecimentos, quase toda população já tinha conhecimento do que
havia acontecido em Ituiutaba sobre o escândalo “Cura”. Mas mesmo assim,
muita gente ainda não acreditava que o todo- poderoso Romão havia
mudado o Projeto Cura para que apaniguados políticos seus se
beneficiassem, sem que nada lhe acontecesse, tal era a sua influência
junto a opinião pública. Mas enquanto pude falei, cobrei uma
posição em favor da povo ordeiro e trabalhador de Ituiutaba; porém,
infelizmente, em terra de Romão quem tem só um só olho – nem tampouco
dois – era rei.
O tempo foi
passando, cada dia se aproximava as eleições de novembro de 1986, e
os candidatos do PMDB, Governador: Newton Cardoso, deputado federal:
Fued Dib, senadora: Júnia Marize; os três tinham a expectativa de vencer
aquelas eleições. Porém, vou me ater somente a um candidato de
Ituiutaba, o deputado federal Fued Dib, que era candidato à re-eleição.
Não sei por
que, mas alguma coisa havia feito minha mente esquecer a omissão
praticada por ele quando precisei de sua ajuda, para que eu pudesse
provar as denúncias que havia feito. Ele foi omisso, correu da
raia, não quis me ajudar, mas eu, na esperança de que as coisas
mudassem em nível de comportamento político, de “companheiros” como
Fued, mais uma vez apoiei sua candidatura, podia também, ser o meu sexto
sentido de peemedebista, não sei explicar.
Por causa desse
apoio, quase perdi o meu emprego na Rádio platina, porque Luiz
Junqueira, que se dizia meu “companheiro”, mas que também não me ajudou
no processo, nem sequer me permitiu ler o acórdão de minha vitória na
rádio de sua propriedade, tinha me pedido para apoiar uma amigo
seu, Sérgio Naya, que ele estava apoiando em Ituiutaba. Como eu disse,
ele eu já tinha compromisso com o Fued Dib, a partir daquela data,
ele, além de não me ajudar quando precisei, virou a cara para mim, só
não fui mandado embora da sua rádio, porque eu era vereador e faturava
alto no agenciamento de publicidade para a rádio e para o meu
programa “Tarde Noite Cabocla”.
Veja como as
coisas mudam, veio a eleição e Fued Dib perdeu, não conseguiu se
re-eleger, ficando à mercê da sorte, porque até aquela data, ele
vivia mais em função da política.
O quadro
político em Minas tinha mudado, porque o candidato do PMDB, Newton
Cardoso, havia vencido as eleições e eu esperava, com aquela
vitória,poder contar com o apoio do governador do estado para me
ajudar a provar a culpa de meus algozes e puni-los, já que a justiça em
Ituiutaba não havia feito isso, pela má gestão do dinheiro público na
implantação do Projeto Cura.
Nem a vitória
do PMDB em Minas, através de Newton Cardoso, me ajudou a mudar o
resultado daquele projeto que continuava ser implantado na cidade de
forma estranha, sem que a justiça fosse feita para defender o
contribuinte dos maus administradores. Porém, a vitoria de Newton
Cardoso serviu para que a cidade, pela primeira vez, pudesse ter dois
cargos importantes em seu governo. O ex-deputado Federal Samir Tannus
foi convidado para ser, o Secretário de Estado do Trabalho, e o também
ex-deputado federal, Fued Dib, para ser um dos Conselheiros do Tribunal
de Contas de Minas Gerais. Porém o governador exigiu um posicionamento
do diretório do PMDB de Ituiutaba, para indicar Fued Dib.
Foi aí que
pensei: “vou pagar a omissão com uma boa ação, vou provar para esse
sujeito que a gente não abandona companheiro na beira do caminho”.
Redigi um ofício endereçado ao governador Newton Cardoso, foi assinado
por mim, como secretário Geral da Executiva do PMDB de Ituiutaba, por
Teofeu Patrocínio de Morais, como presidente do PMDB. Aliás, diga-se de
passagem, Teofeu não queria assinar aquela indicação, alegando ser o
Fued Dib um falso, um quinta coluna, fingido com quem viesse precisar
dele, ele só pensava no umbigo. Mas depois de uma semana eu andando
atrás dele para que assinasse aquele ofício, ele assinou, sendo o senhor
Fued Dib, depois, indicado para ser Conselheiro do Tribunal de Contas
de Minas Gerais, aonde chegou a ser presidente. Falo sobre isso depois.
Capítulo XXXI
Chuva de fim de ano leva boa parte da
canalizaçãodo Ribeirão Pirapitinga

Jornal de Uberlândia questiona desabamento do Pirapitinga- Foto Jornal Correio de Uberlândia
Neutralizar o juiz, a
promotora e a imprensa de Ituiutaba não foi difícil para quem se
julgava o dono do mundo, que tudo podia; porém, o então alcaide se
esqueceu de que não poderia neutralizar a Justiça Divina, e ela estava
se manifestando na cidade, na força da natureza, pois a cada chuva que
caia em Ituiutaba, um trecho da canalização rodava ribeirão abaixo.
Desta feita, as chuvas de fim de ano haviam feitos vários estragos na
canalização, mostrando a fragilidade desta, não havia ficado pedra sobre
pedra, quase tudo rodou, causando um prejuízo enorme à obra e a cidade.
Tudo isso
acontecia porque, além, de terem mudado a forma de canalização não
seguiram as normas e especificações do projeto, quando se realiza
canalização pelo sistema “Manto de Gabião”. Alias, mesmo sendo leigo,
acredito ser esse sistema de canalização impróprio para o tipo de
topografia por onde corre o Ribeirão Pirapitinga.
Querem saber
qual foi o resultado desse novo desastre, para os cofres públicos,
ou seja, para o bolso do contribuinte? Esse novo estrago foi recuperado
e as informações que tenho é que tudo foi pago novamente pela
administração, quando o Consórcio Seular-Araguia-Mias, que estava
fazendo a canalização, e a empresa Comsomap, responsável pela
fiscalização, tinham a obrigação de recuperar, sem ônus para o
município, porque já haviam recebido pelo mesmo serviço. Era um
verdadeiro trem da alegria.
Tudo que era
possível fazer para responsabilizar aquela gente pelos serviços mal
feitos eu procurei fazer, porém, nada disso adiantava. Eu acreditava que
o pior ainda estava por vir, porque com chuvas que chegavam a
pouco mais de quarenta, cinquenta milímetros causava transtorno na
canalização, mas e o dia que chovesse oitenta, noventa, cem milímetro, o
que iria acontecer? Ninguém podia precisar ao certo, só sei que a cada
chuva mais grossa um trecho da canalização rodava. Foi assim durante o
período de chuvas de 1986/1987.
Capítulo XXXII
Derrotei projeto de resolução que dava a cada
vereador dinheiro para comprar um carro
popular
O ano de 1988
iniciava, era um novo dia que estava nascendo. Como sempre, eu esperava
que fosse um ano cheio de paz, esperança e prosperidade para todos, que
as coisas boas acontecessem para alavancar o desenvolvimento de
Ituiutaba. Uma dessas vitórias estava ligada a forma como eu
desempenhava o meu mandato de vereador, pois além de ficar atento como o
executivo gastava o dinheiro do contribuinte eu também tive que me
posicionar contra um projeto de resolução, que fora proposto pela mesa
da Câmara, de reposição salarial, que, naquela época, dava direito a
cada um dos vereadores comprarem um carro popular. Podia até ser legal,
mas para mim, que me opus, aquele projeto era imoral, não assinei como
membro de uma das comissões da Câmara. Aquele projeto foi rejeitado.
Capítulo XXXII
Ajudei a derrubar projeto de aposentadoria
dos vereadores de Ituiutaba
Enquanto
vereador, alcansei inúmeras vitórias a favor do povo desta cidade, mas
uma das grandes conquistas da qual participei, em favor do trabalhador
foi a derrota do Projeto de Resolução da Mesa da Câmara Municipal
de Ituiutaba que estabelecia a Aposentadoria dos Vereadores a partir da
sua aprovação, ou seja, a partir de 1º de janeiro de 1989. Fora
apresentada uma proposta pela mesa da Câmara que concedia a todo o
vereador, a partir do primeiro mandato (com quatro anos de duração), o
direito de aposentar-se proporcionalmente, e assim por diante: dois
mandatos, três mandatos. Com quatro mandatos ou mais, aposentava-se com
todos os direitos e a aposentadoria seria integral, ou seja, com o
salário que ganhava na ativa, os demais proporcionalmente, de acordo com
o tempo de vereança.
O meu voto
ajudou a derrotar o projeto. Éramos no plenário, no dia da votação, dez
vereadores, cinco eram favoráveis e quatro eram contra; em caso de
empate, haveria o voto de minerva do presidente. Eram favoráveis de
inicio: José Arantes de Oliveira, Sebastião Luiz Mamede, Gabriel Palis,
Ricardo Abalém, e mais um que não me lembro o seu nome. Mais o
presidente já havia afirmado se houve empate ele desempataria favorável a
aprovação. Lembro-me dos que eram contra: Eu, Hairton Dias, Neuza
Domingues, Jeuid Abdulmassih e José Barreto Miranda. Antes da votação
convenci ao vereador Ricardo Abalém a votar contra, ai derrotamos o
projeto de aposentadoria dos vereadores de Ituiutaba, por cinco votos
contra e quatro favoráveis.
O que me
fez votar contra esse projeto e trabalhar para sua rejeição ter
consciência de que no Brasil, o trabalhador comum, para aposentar-se,
tem que recolher contribuição para a Previdência durante longos trinta e
cinco anos, e se o projeto passasse, os vereadores poderiam
aposentar-se, apenas com um mandato de quatro anos, com uma pequena
contribuição, porque, a maior parte do dinheiro para fazer o caixa
de aposentadoria viria dos cofres públicos, do contribuinte, e não
apenas de recolhimento dos vereadores.
Pasmem os
senhores leitores, quando grande parte da população tomou conhecimento
que nós havíamos derrotado o projeto de aposentadoria dos vereadores de
Ituiutaba. Muitos fizeram essa afirmação pra mim: “você é trouxa mesmo
Hairton, você votou contra sua família, contra suas filhas! Ninguém da
valor nisso, não. Fica ativo Hairton!
Quando eu
imaginava que ia receber aplauso pela minha posição, pelo meu gesto,
simplesmente fui chamado de trouxa, de bobo. Essa atitude de integrantes
da população me fazia pensar. Será que para ter valor na política, no
Brasil é preciso ser desonesto e corrupto?
Capítulo XXXIII
Saldo positivo como vereador credenciava o
meu nome para ser o candidato a prefeito do
PMDB nas eleições de 1988

Hairton considera seu trabalho, saldo positivo em favor do povo
Por tudo que
realizei, pelas minhas posições durante os meus três mandatos de
vereador, havia me qualificado para ser o candidato do PMDB a prefeito,
porém mais uma vez fui preterido e o nome de Acácio Cintra era indicado e
escolhido para ser o candidato a prefeito do partido. Ele, Acácio
Cintra, que a menos de dois anos havia, juntamente com o partido, me
abandonado durante o período em que fui processado, porque defendia o
interesse público, contra a corrupção e a impunidade, na implantação do
Projeto Cura de Ituiutaba.
Mas fazer o
quê? Abandonar o partido que eu ajudei a criar pela falta de apoio dos
“companheiros” quando precisei deles? Só me restava essa saída ou então
esquecer tudo e, pelo partido, entrar mais uma vez na luta, porque para
mim o importante era recuperar o mando político no município. Quanto à
falta de lealdade dos “companheiros”, eu imaginava que isso um dia iria
mudar. Não pensei duas vezes, entrei mais uma vez na luta, para tentar
restabelecer ao partido o mando político na prefeitura. Participar
daquela campanha política como candidato a re-eleição para vereador
seria para mim a grande oportunidade de continuar cobrando do executivo e
da justiça, explicações sobre a omissão de ambos com relação às
denúncias que fiz de corrupção na implantação do Projeto Cura na
administração que estava encerrando.
Bem, iniciada a
campanha, nós fomos para as ruas buscar o voto dos eleitores, corpo a
corpo. A falta de coerência do candidato a prefeito do PMDB, Acácio
Cintra, era sentida pela população, pois ele não tinha conseguido como
presidente do partido, se posicionar quando foi preciso. À população não
o estava perdoando pela omissão cometida quando ele não se posicionou
em defesa de um companheiro – que era eu – no processo que fui alvo
quando defendi o interesse público, na implantação do Projeto Cura e por
não ter exigido uma posição da bancada de vereadores em meu favor.
Esse tipo de
incerteza do eleitorado e por falta de um projeto
político-adminsitrativo, claro, levou o candidato do PMDB a uma
fragorosa derrota nas eleições daquele ano.
Eu, porém,
trabalhando de casa em casa, com sempre fiz, gastando somente sola de
sapato, consegui me eleger pela quarta vez. Foi uma das mais difíceis
eleições que disputei. O candidato do PMDB havia prejudicado todos os
candidatos a vereador, inclusive algumas raposas do partido perderam a
eleição, como José Arantes de Oliveira, Gabriel, Helis Ferreira e
Aranisio Joaquim Martins. Destes, a perdas que eu mais lamentei foi a
não re-eleição do companheiro Aranisio, que sempre foi solidário
comigo. Para prefeito, o eleitorado ituiutabano elegeu o médico
Gilberto Aparecido Severino, que ganhou de Acácio Cintra com mais de dez
mil votos de frente.
Capítulo XXXIV
Passada as eleições, encerrava-se mais um ciclo
da política ituiutabana
Com o resultado
das urnas, nas eleições de 1988, encerravam-se mais um ciclo da
política ituiutabana, mas alguns fatos ficaram sem solução. Um deles, o
mais grave: a cidade iria ficar sem resposta diante das denúncias de
corrupção sobre a aplicação do Projeto Cura na administração do prefeito
Romel Anísio Jorge, iniciada em 1º de janeiro de 1983 e encerrada em 31
de dezembro de 1988.
A nova Câmara iria
se interessar em esclarecer por que aquele projeto havia sido mudado por
motivos até hoje não explicados pelos seus executores? E qual seria o
comportamento do novo prefeito com relação à dívida que estava sendo
deixada? Ele iria aceitar calado, sem fazer uma auditoria nessas contas?
Eu só tinha uma
convicção, iria continuar trabalhando no sentido de esclarecer todos os
fatos que ocorreram na administração anterior e que ninguém se
interessou em me ajudar a apurar. Eu esperava ajuda dos novos vereadores
para apurar as irregularidades que haviam ficado sem solução,
principalmente porque, a cada dia que passava, as obras do Projeto Cura
sofriam avarias.
Capítulo XXXV
1989 – ano de eleição para Presidente da
República PMDB, dividido, lança a candidatura
de Ulysses Guimarães

Ver. Hairton Dias cumprimenta Ulysses Guimarães
A eleição pra
presidente e da república esta marcada para 15 de novembro de 1989. Em
abril, o Dr. Ulysses Guimarães foi escolhido candidato do PMDB, mas, na
prática, uma parcela significativa do partido, a nível nacional e também
nos municípios, não apoiou a sua candidatura, indo dividido para aquela
eleição, que para mim representava uma nova era para o País, porque,
era a primeira eleição para presidente depois do golpe militar de 1964, e
a partir daquela eleição poderia se estabelecer um governo popular, de
acordo com o projeto defendido pelo partido, melhorando a condição de
vida do trabalhador brasileiro. Infelizmente, os fisiologistas e
aproveitadores da sigla, abandonaram a candidatura do “Senhor Coragem”
logo após ele ter sido escolhido candidato.
Nesta época, eu era,
além de vereador, secretário geral da executiva do partido e propus uma
Moção de apoio à candidatura de Dr. Ulysses Guimarães. Na moção,
propomos também a expulsão dos traidores do partido, peemedebistas que
apoiavam a candidatura Collor de Melo, em todos os níveis. A moção foi
aprovada pelo diretório e pela executiva e foi entregue por mim
pessoalmente ao nosso candidato, que estava acompanhado pela Executiva
Nacional do PMDB, em comício realizado na cidade de Uberlândia.

Hairton entrega moção de apoio a candidatura de Ulysses Guimarães
Ao discursar em
apoio à candidatura de Dr. Ulysses, aproveitei para pedir à executiva
nacional do partido que expulsasse todos os traidores da
agremiação, a nível nacional, estadual e municipal. Fui carregado pelos
peemedebistas autênticos, presentes naquela concentração cívica, mas o
que me emocionou foi o que ouvi da boca do nosso candidato:
“Muito
obrigado, companheiro, queria ter sua juventude e eloquência ,
Uberlândia, hoje, está a seus pés.
Nada disso
adiantou, mesmo dispondo de vinte e dois minutos diários de programa
eleitoral no rádio e na TV, Ulysses obteve apenas 4,43% dos votos. No
segundo turno, realizado em dezembro, Fernando Collor de Melo derrotou
Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT, e elegeu-se presidente.
Em outubro de
1990, Ulysses foi re-eleito deputado federal, recebendo contudo
menos de um décimo dos votos alcançados em 1986. Em março de 1991,
Orestes Quércia o substituiu na presidência do PMDB.
A recuperação
política do Dr. Ulysses ocorreu em meados de 1992, durante o processo de
afastamento do presidente Collor. No dia 9 de maio, a Revista Veja
publicou sérias denúncias do empresário Pedro Collor contra o
irmão-presidente. Mesmo após a instalação da CPI, Dr. Ulysses não
via com bons olhos a proposta de impeachment; porém, com a evidência dos
fatos e a adesão popular, mudou de posição e seu gabinete
transformou-se no quartel-general da CPI. Ciente de que a vitória do
impeachment no Congresso seria fácil se a votação não fosse secreta,
trabalhou para a adoção do voto aberto, afinal aprovado. Em 29 de
setembro, por grande maioria, Collor de Melo foi declarado impedido de
continuar na presidência, sendo substituído pelo vice Itamar Franco.
O Dr. Ulysses
Guimarães, faleceu em 12 de outubro de 1992, em um acidente de
helicóptero no litoral do Rio de Janeiro. Seu corpo não foi encontrado,
mas a morte foi oficialmente reconhecida.
Capítulo XXXVI
Minha vida política construída com honestidade,
sacrifício, amor e trabalho, em defesa
das causas populares

Dia 1º de
janeiro de 1989, uma nova jornada de trabalho surgiu à minha frente, com
desafio a ser vencido. Eu e mais dezesseis vereadores, eleitos em 1988,
éramos empossados no legislativo, pela justiça eleitoral. Os vereadores
eram os seguintes, por ordem alfabética: Anagê Novais Silva Moura,
Carício Batista Morais, Carlos Melo, Guilherme Franco Junqueira, Hairton
Dias da Silva, Jeuid Abdulmassih, José Barreto Miranda, José Lourenço
Freira, Luziano Justino Dias, Neuza dos Reis Domingues,, Ricardo
Abalém,, Sebastião Luiz Mamede, Valmir José Fonseca França, Vânia
Aparecida Alves Morais Jacob, Vilson Silva de Morais, Walter
Arantes Guimarães.
Em seguida a
essa solenidade demos posse a novo prefeito, Dr. Gilberto Aparecido
Severino, médico de quem esperávamos muito: um governo diferente daquele
que acabará de deixar o Poder, um governo popular e não populista,
sério, sem anomalia, que realmente promovesse o desenvolvimento de
Ituiutaba, porque os ituiutabanos queriam ter o direito de serem
felizes, nascerem aqui e criarem seus filhos nesta terra abençoada de
São José do Tijuco, sem que precisassem ir em busca de condições de vida
fora de Ituiutaba, como ave que caiu do ninho, isto porque, o ser
humano só é humano se for livre e só será livre se tiver oportunidade de
viver, de ter acesso à educação, à saúde e a oportunidade de trabalho,
condição que garanta a sua sobrevivência e a sua dignidade.
Tão logo
iniciaram-se os trabalhos da Câmara, depois da posse, eu procurei
iniciar o meu quarto mandato, como sempre, com muita seriedade; porém,
muita determinação, com a certeza de realizar grandes conquista em favor
da população. Como primeiro trabalho, propus ao Ministério da Saúde,
para que em parceria com o município de Ituiutaba, implantasse em nossa
cidade um núcleo de Hemocentro (Banco de Sangue), para ser instrumento
eficaz em defesa da vida. Tal proposição encontrou ressonância no
Ministério da Saúde, que tinha na área de finanças um funcionário de
carreira que havia prestado serviço na Superintendência de Água e
Esgotos de Ituiutaba – SAE –, como diretor da autarquia, Dr. Sebastião
Alves Carlos Grilo, que eu tinha homenageado com um título de
cidadania honorária de Ituiutaba, devido os relevantes serviços
prestados em nossa cidade, como representante da FUNASA – Fundação
Nacional de Saúde. Contando com a ajuda preciosa do Dr. Carlos Grilo,
nós conseguimos recursos do Ministério para a implantação em nossa
cidade do Banco de Sangue (Hemocentro), diga-se de passagem, a quarta
unidade instalada em uma cidade de Minas Gerais. Para mim foi uma das
maiores vitórias, conquista em favor da vida. Até denominei o Banco de
Sangue de o “Banco da Vida”.
Para o vereador Hairton Dias:
Banco de Sangue o "Banco da vida!"

O tempo ia passando e
a administração Gilberto Severino transcorria sem maiores novidades em
termos de grandes obras, a não ser a implantação do Banco de Sangue e,
por nossa interveniência, conseguimos também junto ao Dr. Carlos Grilo,
no MS, a implantação também do Centro de Controle de Zoonoses, instalado
entre o Bairro Alvorada e a BR-365, de controle de toda doença animal.
Outro projeto
que conseguimos aprovar na Câmara na área de saúde foi o que cria
em Ituiutaba o Banco de Olhos, que até hoje, infelizmente, não foi
regulamentado pelo executivo, mesmo a cidade já tendo elegido três
médicos para prefeito. Esse projeto que propõe Ituiutaba como centro de
doação e transplante de córnea.
Conseguimos aprovar também projeto que
obriga proprietário de loteamentos, que vendem terrenos à população e as
empreiteiras que constroem unidades habitacionais, a colocarem
redes de água, esgoto, energia elétrica e pavimentação asfáltica
nesses logradouros, regra que não era respeitada em Ituiutaba, como
exemplo eu cito o Bairro Santa Edwiges, onde foram vendidos todos os
lotes sem nenhuma infraestrutura.
Nesse ínterim,
uma chuva grossa que caiu sobre a cidade, no início de 1989, tinha
causado enormes transtornos no resto da frágil canalização do Ribeirão
Pirapitinga, quase todo resto dessa famigerada canalização havia rodado
ribeirão abaixo. Parecia que a bruxa estava solta, porque passado alguns
meses parte da canalização do Córrego São José (a chamada obra do
século) havia também caído, a cidade estava entregue a
irresponsabilidade dos que fizeram obras no passado, a mercê da queda de
dois córregos.
Capítulo XXXVII
Comissão parlamentar de inquérito (CPI) para
investigar desabamento da Canalização
do Ribeirão Pirapitinga

Vereador Hairton Dias e Walter Arantes autores do requerimento para criar CPI do Projeto Cura
Como eu previ
no passado, a canalização do Pirapitinga, feita pelo sistema “Manto de
Gabião”, estava, a cada chuva, sendo destruída devido ter sido mal feita
e por falta de critério na implantação do projeto e por falta de
fiscalização. Para mim, havia chegado a hora de uma prestação de contas
dos responsáveis por aquela canalização que tanto prejuízos já haviam
causado aos cofres públicos e ao povo de Ituiutaba. Nesse sentido
Nesse sentido entrei com requerimento,
que foi assinado também pelo vereador Walter Arantes Guimarães,
com o seguinte teor:
Os vereadores
que este subscrevem, na foram regimental, requerem a V. Excia. Seja
formada uma Comissão Especial, integrada por vereadores pertencentes às
bancadas representadas nesse legislativo, com o objetivo de fazer
levantamentos e averiguações na canalização do Ribeirão Pirapitinga,
face ao desmoronamento de parte desta canalização, ocorrida no trecho
compreendido entre a ponte da Av. 7 e a Avenida Professor José Vieira de
Mendonça, num total de mais de quinhentos metros.
Sala das sessões, em 24 de maio de 1990.
O requerimento
foi aprovado por unanimidade. A Comissão foi constituída pelos seguintes
vereadores: eu, Hairton Dias, Caricio Batista de Morais, Carlos Melo,
Vânia Aparecida Alves Morais Jacob, Walter Arantes e Guilherme Franco
Junqueira.
Formada a
comissão, a primeira providência foi fazer uma visita de levantamento em
toda extensão da canalização, da Av. 31 até a Rua Nona, no Bairro da
Pedreira (Setor Norte): três mil cento e cinquenta metros lineares
(3.150). A comissão constatou que havia rompimento do Gabião em toda
extensão da referida canalização. Diante desta constatação, a comissão
solicitou que fosse contratada uma empresa para fazer um laudo técnico
da canalização, para apurar responsabilidades e chegar às causas dos
.desabamentos
Naquela altura
dos acontecimentos, nem mesmo os vereadores pertencentes ao grupo
político do ex-prefeito Romel, não se posicionaram contra a formação
daquela Comissão parlamentar de Investigação e nem ficaram contra a
proposta de contratar uma empresa, para fazer auditoria na obra e
fornecer um laudo técnico, tantos eram os estragos existentes. Não
tinha jeito de tapar o sol com a peneira. Assim, foi contratada a
empresa do engenheiro Gilmar de Oliveira de Diniz, um dos mais
conceituados engenheiros civil desta região, para fazer o referido
levantamento pericial e produzir o referido laudo técnico da canalização
do Ribeira Pirapitinga, perícia está solicitada por mim quando ainda
estava sendo processado e que não foi atendida, só agora depois de mais
de dois anos e que iríamos conhecer realmente o que aconteceu com aquela
canalização, feita com recursos de financiamento junto ao Governo
Federal – Projeto Cura, canalizado pelo Consórcio Seular-Araguia-Minas.
Enquanto era
providenciada a documentação de contratação do engenheiro civil, Gilmar
de Oliveira Diniz, a comissão, formada por minha sugestão, procurava
ganhar tempo e cercar-se de todas as informações que pudessem esclarecer
as denúncias de irregularidades que eu havia feito quando concedi
entrevista ao Jornal Esteio, em 14 de outubro de 1985,
quando afirmei que haviam mudado o Projeto Cura para beneficiar
elementos do grupo político da administração de então, que tinha Romel
Anísio Jorge como prefeito. Documentário de fotos, informações de
profissionais que haviam trabalhado na obra e a convocação do
responsável pela direção do projeto, engenheiro Antenor Tomaz Domingues
Filho para prestar informações sobre a implantação do projeto Cura
em Ituiutaba.
Depois de
muitos meses de espera iríamos ouvir um dos envolvidos num dos maiores
escândalos já registrados na história administrativa de um município
dentro do estado de Minas Gerais. No dia marcado para ouvi-lo, já no mês
de outubro de 1990, no plenário da Câmara compareceram os seis
integrantes da comissão: Vânia Morais Jacob, Carício Morais, Carlos
Melo, Walter Arantes, Guilherme Franco e eu, Hairton Dias, e mais o
ex-diretor do Projeto Cura, Antenor Domingues Filho.
A reunião foi
aberta e, como eu era o proponente, usei primeiro a palavra para
justificar aquela convocação, fazendo o seguinte comentário:
“Como é irônica
a vida, há aproximadamente quatros anos e quatro meses, eu estava
assentado no banco dos réus sendo julgado por um crime que não cometi,
porém o tempo passou e quis o destino que hoje um dos responsáveis por
aquela difícil situação que vivi, esteja assentado, nesta sessão, no
banco dos réus, como eu”.
Os vereadores
integrantes da comissão e companheiro político do engenheiro quiseram
intervir, dizendo que eu estava maltratando quem estava ali para prestar
informações e não para ser insultado.
Retomei a
palavra e disse, que nenhum dos que estavam ali tinha sido processado
injustamente como eu fui, não mudei o tom de minhas palavras e perguntei
ao engenheiro:
Quem é que iria
pagar agora as minhas noites mal dormidas, as ameaças de morte que
sofri, o processo, a tortura psicológica que minha família foi alvo,
mas, também, o prejuízo que este inadequado e criminoso projeto já
causou aos cofres públicos e ao povo de Ituiutaba?
Foi à primeira
pergunta que fiz ao ex-diretor do Projeto Cura. Ele não respondeu a esse
questionamento, mas afirmou:
“Infelizmente quem está assentado no banco do réus hoje sou eu”.
Eu continuei:
Por que não foram seguidas as especificações do projeto, na canalização pelo sistema “Manto de Gabião”?
Ele enrolou, e não respondeu, porque não tinha como justificar essas falhas na aplicação do projeto.
Como não
consegui arrancar informações que pudessem colaborar com a nossa
investigação, pedi à presidente da comissão, vereadora Vânia Morais
Jacob, que dispensasse o ex-diretor de responder a qualquer outra
pergunta, porque mesmo que ele soubesse, não iria abrir o jogo. E disse
aos membros da comissão que teríamos de aguardar o Laudo Técnico,
porque, aí, sim, não tinha como esconder o que aconteceu.
Capítulo XXXVIII
Empresa contratada para fazer perícia na
canalização inicia levantamento técnico
Quem não fazia
parte da comissão de investigação dos estragos na canalização do
Ribeirão Pirapitinga, não tinha idéia das dificuldades que existiam para
se chegar a uma conclusão do que havia acontecido para causar tantos
danos e prejuízo a uma obra que fora contratada para resolver
questão urbanística e ambiental, porque o Ribeirão Pirapitinga
corta a cidade de fora a fora, separando o centro da cidade, da Vila
Platina, do Bairro Novo Mundo, Central, Marta Helena, Pirapitinga e
Mirim.
Enquanto
esperávamos, continuávamos desempenhando o nosso trabalho na Câmara.
Como eu afirmei anteriormente, existia um meia divisão entre os
integrantes do grupo político que estava no poder, isso porque, corria à
boca pequena dois anos de governo do prefeito Gilberto Severino
equivaliam aos seis anos do ex-prefeito Romão. Isso deixava o Romel e
seus seguidores mais chegados loucos da vida. Como a briga era no
quintal do vizinho, nós apenas observávamos, esperando que aquele
desentendimento de posição, de pessoas do mesmo grupo político não
prejudicasse o desenvolvimento do município. Quem estava fora do metiê
político não sabia que isso estava acontecendo, mas nós sabíamos porque
os próprios vereadores situacionistas contavam o que estava acontecendo.
Um ano após a
constituição da comissão de investigação dos desabamentos da canalização
do Ribeirão Pirapitinga, o prefeito Gilberto Severino que estava em
desgaste político e administrativo devido o impasse de posição com o
ex-prefeito Romel, agravou ainda mais esse desgaste, isso porque, enviou
projeto de Lei 1.991/06 à Câmara, solicitando autorização para contrair
empréstimo junto a Caixa Econômica Federal, no valor de 800 milhões de
cruzeiros (dinheiro da época), para recuperar parte da canalização do
córrego São José, a chamada obra do século, que havia caído novamente
quase 300 metros entre as ruas 36 e 38-A. o projeto foi enviado em
regime de urgência, só que para votá-lo nos vereadores de oposição
iniciamos uma série de reuniões para saber como seria aplicados aqueles
recursos, e se realmente era preciso àquela dinheirama toda para essa
recuperação.
Em uma dessas
reuniões que realizamos, com a secretária de Planejamento, Maria Eugênia
descobrimos que para liberar esses recursos para recuperar trecho da
canalização do córrego São José, à administração teria que pagar propina
de 20% (vinte por cento), essa informação foi confirmada pelo próprio
prefeito, Gilberto Severino, em reunião que ele participou da Câmara
Municipal. Simplesmente nós não autorizamos esse empréstimo, mas essa
noticia se espalhou como uma bomba por todo país, os principais órgão de
imprensa do Brasil noticiou esse fato, que quase termina com a cassação
do mandato do prefeito Gilberto Severino e quase derrubou a ministra
Margarida Procópio. Nesse episódio ficou patente a importância da
oposição, e de vários outros vereadores de situação que impediu que o
nome de Ituiutaba fosse mais uma vez enlameado e desta feita com a
possível participação de altas autoridades federais.
Capítulo XXXIX
Laudo encomendado pela Câmara ficou pronto
O laudo encomendado
pela Câmara Municipal em atendimento a solicitação da Comissão de
Investigação dos desabamentos da obra de canalização do Ribeirão
Pirapitinga ficou pronto, o resultado foi preconizado por mim quando fiz
as denúncias em 14 de outubro de 1985, ele condenou a obra por ter sido
mal feita, por falta de fiscalização, por não ter seguido as
especificações do projeto, pelo uso de material inadequado, por má fé,
por irresponsabilidade e por falta de respeito ao dinheiro público.
Muitos, ao ler
esse livro, irão questionar as narrativas aqui feitas por mim, mas se
tivessem vivido o que vivi, me pediriam perdão, tenho certeza, pelo
julgamento, por tudo que passei, pelas noites mal dormidas, pelas
ameaças de morte, pela tortura psicológica que eu e minha família
sofremos, a perda de meu pai, que morreu um tanto o quanto de desgosto
pela minha condenação injusta, pela posição unilateral assumida
pela justiça da primeira estância nesta cidade. Justiça que tinha a
obrigação de ajudar a defender o dinheiro do contribuinte, ao contrário
se posicionou ao lado de meus algozes, pelo prejuízo moral que tive,
pela autoestima que perdi, mas, sobretudo, pela lei do mais forte, dos
que se julgam serem os donos do mundo, achando que o dinheiro compra
tudo e encobre tudo.
Capítulo XL
Laudo Técnico condena a obra de canalização
do Ribeirão Pirapitinga e a considera,
desastrada e criminosa

Cópia do Laudo técnico feito pela empresa do engenheiro Julmar Oliveira Diniz
Transcrevo agora o laudo feito e
assinado, pela empresa do conceituado engenheiro civil, Julmar de
Oliveira Diniz, CREA-MG 3068/D, atendendo a um pedido da Câmara
Municipal de Ituiutaba, através da vereadora, Vânia Aparecida Alves de
Morais Jacob, presidente de Comissão Especial de Averiguação (CPI) das
responsabilidades pelos danos existentes na obra de canalização a céu
aberto e urbanização do Ribeirão Pirapitinga, desta cidade, pedido este
feito em 20/08/91, vem, mui respeitosamente, apresentar a V..Excia. as
respostas aos quesitos por ela formulados, bem com planilhas de
orçamento, laudos técnicos, fotografias e outros documentos necessários a
uma boa compreensão da gravidade do problema e de sua extensão.
1º Quesitos/Respostas
Q – 1. No projeto de canalização do
Ribeirão Pirapitinga foi eleito o processo “Manto de Gabião” para o
revestimento do canal que substitui o leito natural do mesmo. Esta
escolha, do ponto de vista estritamente técnico, foi adequado? Em
qualquer caso, com a resposta positiva ou negativa, justifique.
R – 1. A escolha do processo “Manto de
Gabião” para o revestimento do canal que substitui o leito natural do
Ribeirão Pirapitinga foi do ponto de vista estritamente técnico,
totalmente inadequado. O revestimento “Manto de Gabião”, a espessura de
0.30 m. como foi dimensionado pelo projeto, tendo em vista a velocidade
máxima de escoamento de 3.58 m/s e as condições locais do terreno, foi
uma temeridade. Esta velocidade, calculada em função da declividade
critica do Ribeirão, e muito alta para a espessura de 0.30 m. adotada
para o manto. Talvez o projetista, temendo o encarecimento excessivo da
obra, optasse por esta espessura, a meu ver totalmente inadequado. O
“Manto de Gabião” , além domais, é indicado apenas para canais com
vazões controladas e protegidas de águas pluviais. Uma chuva mais
intensa que a normal, pode duplicar a velocidade do escoamento com o
agravante do aumento da pressão manométrica sobre o fundo e os taludes.
Além destes fatores negativos, acresce-se o fato de inexistir, até hoje,
um sistema descente de águas pluviais na cidade. Ora o projeto da
Consomap, além de não projetar proteção ao canal contra escoamento
transversal das águas pluviais não tomaram nenhuma providência
suficiente para sanar este problema durante a construção, sendo esta sua
obrigação como fiscalizadora incumbida. Para corroborar a inadequação
do “Manto de Gabião, está o fato do mesmo não resistir à primeira chuva
intensa ocorrida no dia 09/10/84, como está registrado à folha número
134 do Diário de Ocorrências, como se pode ver em “Xerox” no anexo. O
próprio engenheiro hoje, gerente da CTBC de Ituiutaba) do Consórcio
Seular-Araguaia, Luciano Jabur constatou neste Diário que, “as chuvas
que caíram no dia de ontem (09/10/84) danificaram bastante nossos
trabalhos”. O mesmo constatou a folha número 150: “causando bastante
estrago no serviço executado” (referiu às chuvas de 16/10/84). Ora, a
obra foi iniciada em 21/05/84, e já apresentava ineficiência durante a
construção apenas 5 meses após. Mas isto não foi nada, perto do que
ocorreu em 26/02/85, quando “fortes Chuvas que caíram na nascente do
Ribeirão Pirapitinga, no dia de hoje, fizeram com que a água
extrapolasse a canalização em Gabião, causando danos apreciáveis
(no Gabião) nas saídas das galerias das Avenidas 31 e 23. “Para tanto,
solicitamos à fiscalização orientação a respeito das proteções e reparos
não previstos em projeto, a serem executados nos pontos acima
descritos”, folha número 282. Na época o engenheiro Jabur fotografou
esta “enchente”, e gentilmente, me cedeu uma cópia, juntamente com outra
fotografia do mesmo local, antes da referida enchente. Estes documentos
pertencem a outro processo, por isso foram “xerocadas”. No espaço
“observações” destinado à fiscalização (Consomap) observamos um quase
descaso ou pela ausência, ou por orientações vagas e insuficientes. Para
confirmar a inexistência de previsão de ação das águas pluviais por
parte do projeto. leia a declaração do engenheiro Jabur à folha 190 do
Diário de ocorrências. – A folha 299-A constatamos que foi recomposto o
Gabião à saída da galeria da Av. 31, conforme orientação da
fiscalização. Acontece que, numa perícia realizada poucos meses após a
entrega da obra, em 28/05/86, após as chuvas de 86/87, foi verificado
que a recomposição havia sido inútil, tendo a Prefeitura tomado
providências para sanar o problema que havia se generalizado à toda
obra, comprovando que, mais do que a construção foi o projeto
responsável pelo total insucesso da obra, pois hoje constatamos que
apenas uns 15% do revestimento do “Manto do Gabião” se conservam em
condições satisfatórias. O relatório do laudo técnico
prossegue:
2º Quesito
Q – 2. Foram feitos estudos hidrológicos e geotécnicos na fase inicial do projeto? Critique esses estudos em caso afirmativo.
R – 2. O erro básico do projeto da
Consomap reside nos estudos hidrológicos, que pecam por buscar subsídios
em bibliografias consideradas obsoletas pelos meteorologistas do CTA,
maior centro tecnológico a respeito deste assunto. O projetista da
Consomap parece-me desconhecer as mudanças climatológicas porque passa o
planeta pela ação predadora do homem sobre seu ambiente. Enchentes
catastróficas aumentaram sua freqüência devido ao fenômeno “El Niño”,
que é nada mais, nada menos, que um aquecimento excessivo das águas do
Oceano Pacífico.
No projeto do Ribeirão Pirapitinga foi
adotado, como tempo de recorrência, T = 10 anos para a parte revestida
com Manto de Gabião e T = 25 anos para a seção do canal, completando o
revestimento com grama.
Contra fatos não há argumentos, o T = 10
anos passou a ser T = 5 meses, que foi o tempo necessário a se provar
que o Manto de 0,30 m de espessura foi mais que insuficiente para
resistir à ação, não de uma enchente, mas sim de uma chuva de
intensidade aproximada de 26,0 mm, como registra o boletim da CEPET da
vizinha cidade de Capinópolis (em anexo), do mês de outubro de 1984.
O T = 25 anos para a seção do canal
virou T = 9 meses, que foi o tempo necessário a se provar que as
dimensões do canal foram insuficientes para comportar a vazão da
“enchente” de 26 de fevereiro de 1985, como comprovam “a folha 282 do
Diário de Ocorrências e a cópia Xerox das fotografias tiradas no dia da
“enchente”, provavelmente, não no instante de sua intensidade máxima,
mas suficiente comprovadora da incapacidade da seção transversal. Os
estudos geológicos, contudo, estão razoavelmente embasados em dados
consistentes e desenvolvidos com técnicas universalmente aceitas por
qualquer instituto científico idôneo.
Tanto é que os ensaios de compactação feitos por minha firma confirmaram esta afirmação.
Q – 3. O traçado do canal contribuiu para a ruína da obra? Por quê?
R – 3. O traçado do leito natural não
merece ser criticado, pois foi projetado levando-se em consideração o
equilíbrio entre um funcionamento ideal do canal e a economia de
execução: Não há excessivo número de curvas e nem uma extensão exagerada
de tangentes. Portanto, o traçado do canal não contribuiu para a ruína
da obra.
Q – 4. O dimensionamento da seção transversal do canal contribuiu para a ruína da obra? Por quê?
R – 4. Sim, como já vimos na resposta
R-5, a insuficiência das dimensões da seção transversal do canal
contribuiu para a ruína na obra.
Os cálculos das dimensões da seção
transversal do canal são decorrentes do tempo de recorrência das chuvas
intensas da região. Vimos que a determinação das intensidades das mesmas
foi prejudicada por bibliografia obsoleta. Daí decorre que os cálculos,
apesar de serem matematicamente corretos, não foram de utilização
prática, pois foram baseados por dados irreais.
Q – 5. Qual outra falha do projeto que
contribui para os danos ocorridos na canalização, durante e logo após a
sua construção? Explique.
R – 5. Como já vimos na R-1, outra falha
grave do projeto diz respeito a não consideração da existência da ação
danosa das águas pluviais das ruas vizinhas que despejam as mesmas em
sentido transversal ao eixo do canal.
Como não existia (e até hoje também) uma
rede eficiente de águas pluviais, a Consomap deveria projetar obras de
proteção que desviassem as águas pluviais para o leito do Ribeirão sem
prejuízo das infraestrutura ou do revestimento do canal.
Pequenos reforços, tais como revestir as
bordas da seção transversal, por uma faixa de 1,50m além do previsto no
projeto, foram executados por iniciativa de um dos engenheiros do
Consórcio Seu Lar Araguaia, o engenheiro Jarbas T. Gomes, e deram bons
resultados. O pouco da obra que restou estão nestes trechos onde o Dr.
Jarbas efetuou estas proteções.
Q – 6. A execução da obra mediante o exame das ruínas denotam a falta de cumprimento das especificações do projeto?
R – 6 – É muito difícil, mediante o
exame das ruínas, saber se houve má execução por parte da empreiteira.
Contudo, do que se examinou, concluímos que, no que toca as dimensões
tanto da seção transversal, como da espessura do Manto de Gabião ou da
granulometria das pedras, houve cumprimento das especificações do
projeto
Não houve nenhuma censura, também, por
parte da fiscalização, no Diário de Ocorrência, quanto às qualidades da
execução dos materiais e empregados. Houve, contudo, desmoronamentos de
dois aterros de taludes, o que pode ser explicado na R-7 seguinte.
Q – 7. Quais as especificações de
projeto para a compactação dos aterros dos taludes e regularização do
fundo e como foram cumpridas pelo Consórcio Seu Lar - Araguaia?
R – 7 – De acordo com o projeto a
compactação dos aterros dos tabules deveria ser executada atendendo-se o
teor da umidade ótima dos materiais em relação ao ensaio Proctor
normal, tolerando-se um desvio de mais ou menos 2% daquele valor. O
valor mínimo a ser obtido no grau de compactação seria de 95%, valor
este referido ao ensaio Proctor normal.
– Fizemos 10 furos ao longo de toda obra
em ambas as margens e os resultados, como podem ser comprovada no
anexo, foram as seguintes: - Os furos 03, 05, 06, 07, 08, e 10 obedecem
ao desvio de mais ou menos 2%, o que não ocorreu com os demais.
- Quanto ao mínimo de 95%, não
obedeceram os furos 01, 02 e 04. Estes resultados, apesar de
indicarem uma compactação um pouco abaixo da desejada, não podemos
garantir que a causa das rupturas tenha sido a falta de compactação dos
aterros:
1º - Por que onde os danos foram maiores não estão onde os índices de compactação foram mais baixos;
2º - Um aterro para se desfazer teria
que ter um grau de compactação da ordem de 85% a menos, sendo que o
menor grau medido foi de 90%. Ora apenas 2 pequenos aterros se
desfizeram.
Quanto ao fundo, diz o projeto:
“Executada a escavação deve ser procedida uma regularização e
compactação do terreno no fundo e taludes do canal, de forma tal que o
revestimento seja executado em condições adequadas. Apenas isto, quer
dizer nada!
Em relação à regularização, temos o
dever de relatar uma observação feita por nós e por um técnico em
construção de gabiões dois anos na (Hidroelétrica de Itaipu), que foi
laboratorista da Prefeitura durante a obra em questão: quando um talude
tinha o seu Manto de Gabião desligado para um canto do fundo, deixava a
nu os graus da compactação, o que denunciava a falta de regularização do
mesmo. Ora, sendo plana a superfície interior do Manto do Gabião, entre
a mesma e os degraus da compactação, teria de haver matéria solta, não
compactada, que teria que ser eliminada na regularização. Um trator com
lâmina de inclinação do talude poderia muito bem ter executado esta
regularização, importante para a fixação do Manto de Gabião no solo do
aterro. A matéria solta existente entre este manto e os degraus da
compactação facilitou o trabalho de infiltração das águas pluviais, que
resultou no desprendimento dos mantos precariamente afixados nos
taludes. Estes fatos são vistos em inúmeras fotografias (algumas neste
anexo).
Q – 8. As firmas do referido Consórcio tem algum “Know how” “sobre processo Gabião”?
R – 8. A firma Seu Lar não possuía, na
época, “Know how” sobre o processo Gabião. Quanto a Araguaia, é de meu
conhecimento que a mesma executou uma obra de gabiões para a firma CICA
em Jundiaí-SP.
Q – 9. Algum(s) engenheiro(s) do
Consórcio ou da Prefeitura emitiu (ram) alguma opinião sobre a causa ou
as causas das rupturas ocorridas na fase de construção? Você concorda ou
não? EM caso afirmativo, explique por que.
R – 9. A voz corrente de todos os
engenheiros que trabalharam na construção ou na fiscalização é a de
que as chuvas fortes é que foram as causas do desastre. Muito bem,
concordo, foram as chuvas mesmo. Mas, agora eu pergunto: É sensato
considerar normal uma obra sofrer avarias na primeira chuva, sofrer
danos consideráveis na primeira estação chuvosa e entrar em processo de
total decomposição nas estações seguintes? Uma obra que, pela previsão
do projeto deveria durar pelo menos dez anos e no prazo de dois anos
entra em ruína, está certo? Claro que não! As chuvas são causas
imediatas, mas as causas verdadeiras serão enumeradas na resposta da
última pergunta.
Q – 10. Os fatos ocorridos, tanto
durante quanto logo após a construção da obra, indicam que os estudos
hidrológicos e geotécnicos estão equivocados ou que estes fatos (que
causaram a total ruína da obra) foram causados pela má-execução da obra?
R – 10. Em respostas anteriores já
esclarecemos que estão equivocados os estudos hidrológicos, mas não os
geotécnicos e que houve algumas falhas na execução da obra, tais como
uma compactação um pouco aquém da exigida e a falta de regularização do
aterro dos taludes.
Apesar destas falhas de execução, o
dimensionamento do projeto, baseados nestes “estudos” hidrológicos, é
que foram as principais causas das rupturas dos Mantos de Gabião.
Q – 11. A alegação das construtoras de
que o projeto e a fiscalização, sendo da mesma firma (Consomap Ltda.),
as isentam de responsabilidade, procede?
R – 11. Não, porque uma execução não
obediente a todas as especificações constantes no projeto fica,
implicitamente, responsável pelo insucesso da obra.
Q – 12. Algum esgoto sanitário que por
ventura exista e despeja seus eflúvios sobre a obra foi à causa
principal da ruína da mesma?
R – 12. Nem causa principal, nem causa secundária porque:
1º - Não havia, na época da construção,
emissários em quantidade tal que comprometesse a integridade da tela
contenedora dos Mantos;
2º - A construção dos dois interceptores
paralelamente ao canal impediu, logo após a obra, qualquer emissão de
esgotos sobre o canal, ora; as principais rupturas ocorreram logo após a
entrega da obra, quando os interceptores já estavam concluídos;
3º - Apesar de toda fiscalização da SAE,
constatei a existência de um pequeno eflúvio de natureza sanitária, a
margem esquerda, debaixo da ponte da Av. 7, mas que não despejava seus
dejetos sobre qualquer Gabião.
Planilha de orçamento, a título de curiosidade, caso a prefeitura resolvesse recuperar a obra mantendo o mesmo projeto.
Q – 13. Há possibilidade de recuperação da obra? Em caso afirmativo, economicamente falando, valeria à pena?
economicamente falando, valeria a pena?
R – 13. Fizemos uma planilha de
orçamento, a título de curiosidade, caso a prefeitura resolvesse
recuperar a obra mantendo o mesmo projeto.
Com
os preços deste mês de dezembro do ano de 1991, a recuperação ficaria
em Cr$ 791.285.600,00.
Possibilidade
de recuperação há, e fica neste preço. Tanto é que há, que foi feita
poucos meses após a entrega da obra.
Valeria à pena?
Claro que
não, pois, uma estação chuvosa, logo após a recuperação, danificou
irremediavelmente a canalização, demonstrando, irrefutavelmente o
absurdo que é este criminoso e desastrado projeto.
Q – 14. Faça uma síntese completa,
diagnosticando as causas da ruína e sugerindo a melhor atitude por parte
da prefeitura a fim de não mais se sacrificar o Erário Público
Municipal.
R – 14. Classificamos em duas categorias as causa da ruína da canalização do Ribeirão Pirapitinga:
Causas Principais
1 – Falta de adequação do revestimento
“Manto de Gabião” para um canal destinado a escoar águas pluviais numa
região que caminha aceleradamente pra um regime torrencial, onde as
secas passam a ser cada vez mais prolongadas, e onde as chuvas, num
período cada vez mais curto, passam a terem suas intensidades
aumentadas, chegando, algumas vezes, a serem catastróficas!
2 – Insuficiência das dimensões da seção transversal do canal;
3 – Insuficiência de espessura do “Manto do Gabião”.
Causas Secundárias
1 – Falta de proteção contra as águas
pluviais das ruas vizinhas tanto de margem, quanto da outra, pois a
cidade não possui um sistema decente de galerias de águas pluviais;
2 – Falta de regularização das superfícies dos taludes e do fundo do canal;
3 – Falta de compactação em alguns pontos dos aterros, tanto da margem direita, quanto da margem esquerda.
A fim de não mais sacrificar o Erário Publico Municipal, humildemente, tomo a liberdade de sugerir a Prefeitura o seguinte:
1 – A não realizar qualquer obra de
recuperação do canal, baseada em qualquer projeto, enquanto não se
executar uma galeria de águas pluviais em todas as ruas contribuintes a
esse trecho do canal;
2 – A proceder às vésperas de toda
estação chuvosa, há uma desobstrução preventiva do canal, a fim de
atenuar as consequências danosas de possíveis enchentes;
3 – A procurar os engenheiros residentes
em Ituiutaba quando for necessário qualquer projeto ou execução de
obra. Temos três faculdades tecnológicas: Engenharia Elétrica, Agronomia
e Processamento de Dados, que estão à altura de qualquer projeto
técnico. Nossos engenheiros são requisitados por firmas importantes,
tais como Eletro Norte, CELG, Furnas, CEMIG, CTBC e Eletropaulo. Todas
as firma de fora, trazidas por políticos inescrupulosos, deram problemas
a Ituiutaba.
Este laudo deve ser estritamente técnico, não devo me alongar mais, para não me tornar inconveniente.
Ituiutaba-MG, 06 de dezembro de 1991.
Assinado pelo engenheiro do CREA-MG 3068/D - Julmar Oliveira Diniz

Canalização Pirapitinga toda destruída - Foto tirada da Av. 17 em direção Av. 15, ao fundo vista parcial da cidade
Falar mais o
quê, depois de tudo que este laudo esclarece. Veja bem, “desastrado e
criminoso”, é a conclusão técnica sobre esse famigerado Projeto Cura que
tanto prejuízo causou ao povo de Ituiutaba e que quase conseguiu
destruir a minha vida e que tanta humilhação causou aos meus familiares.
Veja o parecer
individual que apresentei na Câmara Municipal sugerindo que fosse esse
laudo encaminhado à Promotoria Pública para responsabilização jurídica
dos envolvidos e responsáveis pela obra de canalização do Ribeirão
Pirapitinga.
“A perícia
sobre as diversas rupturas e os vários desmoronamentos do sistema de
canalização construído no Ribeirão Pirapitinga, efetuada pelo engenheiro
Julmar de Oliveira Diniz, nós da conta de que:
- Os projetos
geotécnicos e hidrológicos relativos à obra foram a principal causa do
seu insucesso, principalmente são absolutamente inadequados às
peculiaridades, seja quanto às condições hidrográficas daquele curso de
água, seja no que se refere às características de recepção pluvial da
região onde se encontra.
- Em razão
disso, o sistema de revestimento de “manto de Gabião” é inteiramente
contra indicado para a canalização que ali deveria realizar-se.
- Tanto assim é que o sistema, como um todo, ruiu fragorosamente com a chegada das primeiras chuvas.
Mesmo assim, a
administração pública municipal, de forma temerária e irregular,
contratou a própria empreiteira executadora das obras para construí-la
de acordo com os mesmo inadequados projetos originais:
Resultado:
novas rupturas, novos fracassos e, sobretudo, mais um imenso e
irreparável prejuízo ao Erário do Município.
Por todos esses
motivos, entendemos que a administração do município deve determinar,
imediatamente, a responsabilização jurídica daqueles que respondem
técnica e legalmente pela obra, tudo em consonância com o laudo pericial
examinado.
Ituiutaba, 26 de junho de 1992
Hairton Dias da Silva
Vereador
Capítulo XLI
Vereadores não tomam nenhuma posição diante
do Laudo Técnico que condenou a
obra de canalização

Populares fizeram essa inscrição em substituição a placa de inauguração que foi retirada, que considerava essa obra eterna
O Laudo Técnico
produzido pela empresa do engenheiro civil Julmar de Oliveira Diniz
condenou a obra de canalização do Ribeirão Pirapitinga, a considerando
de desastrada e criminosa, em outras palavras, indicando que seus
construtores deveriam ser responsabilizados civil e criminalmente devido
às inúmeras falhas apontadas na execução da obra, vindo de encontro às
denúncias que fiz, que haviam mudado o Projeto Cura.
A mesa da
Câmara somente recebeu o referido Laudo, sem que tomasse uma posição
diante do exposto. Como transcrevi anteriormente, dei um parecer
individual para que fosse notificado o principal resposável pelo
projeto, prefeito Romel Anísio Jorge, que até aquela data não havia
tomado nenhuma atitude para esclarecer as denúncias que fiz, que agora,
diante de um Laudo Técnico agisse no sentido de responsabilizar-se e
punir os culpados por uma obra considerada desastrada e criminosa (Era
querer demais, pois o responsável direto pelas ações executivas é o
prefeito e ele jamais iria assumir essa responsabilidade). Simplesmente,
a maioria dos vereadores que compõem as bancadas no legislativo nesse
período fez vistas grossas ao Laudo e ao meu parecer individual, sobre o
pedido que fiz a Câmara, para que o Laudo fosse encaminhado a
Promotoria Pública, para que os responsáveis fossem punidos, já que o
prefeito, mais uma vez através do silêncio, deixava claro mais uma vez,
que não ia agir com relação ao que foi denunciado desde a concepção
desse famigerado projeto, que tantos prejuízos havia causado ao Erário
Público e ao povo de Ituiutaba,sem falar que em função do processo que
sofri, eu e minha família fomos execrados durante a vigência do
processo, que durou quase três anos, por várias pessoas da população e
por essas pessoas chamados pró-homens da política de Ituiutaba, que
usaram e abusaram do Poder, como se pudessem fazer e desfazer desse
poder, estarem acima do bem e o mal. Se esquecendo, porém, lembrando que
a responsabilidade maior pela obra, era dele prefeito de Ituiutaba! Por
isso sugeria a Câmara que o laudo com a prerícia fosse encaminhado a
Justiça de Ituiutaba.
Até hoje o
Laudo está arquivado nas gavetas empedernidas da Câmara Municipal de
Ituiutaba, face à falta de atitude de homens que nasceram para obedecer,
não sei, se guiados ou teleguiados, homens que se omitiram para agradar
aos seus chefes, que tanto prejuízos causaram, e estão causando até
hoje, ao povo bom de Ituiutaba.
A famigerada
obra, do Projeto Cura Piloto de Ituiutaba está toda destruída, são três
mil, cento e cinquenta (3.150) metros de canalização feita pelo sistema
“Manto de Gabião”, se for feita novamente aos preços praticados pela
Construtora Ferreira Lima, que canalizou a partir de 2009, quinhentos e
oitenta e quatro (584) metros lineares do Córrego São José, que custou
naquela hora aos cofres públicos R$ 7.756.232,50, canalização feita pelo
sistema caixote, toda concretada – custaria com a inflação que esta
versando no país, quase de R$ 50.000.000,00, ao povo de Ituiutaba. Esse é
o tamanho do prejuízo que os pró-homens, que até hoje vivem passando
por bonzinhos deram a esta cidade e ao seu povo.
Capítulo XLII
Grupo dos onze poderia ter elegido
o prefeito deItuiutaba, em 1992

Hairton Dias e Guilherme Franco Junqueira participando de Congresso em Brasília
Antes da eleição de
1992, que elegeria o próximo prefeito desta cidade, a política de
Ituiutaba mostrava a forte influência dos caciques que dominavam a
política local e que não perdiam a oportunidade de impor seu domínio
sobre aqueles que por ventura tentasse por em risco esse domínio, isto
porque no final de 1991, quando a Câmara Municipal elegeria seu próximo
presidente, naquela oportunidade por iniciativa de alguns vereadores, da
qual eu fiz parte, foi criado o grupo dos onze, integrado pelos
seguintes vereadores: Eu, Hairton Dias, Guilherme Franco Junqueira, José
dos Santos Vilela Junior (Jucão), Vânia Morais Jacob, Walter Arantes
Guimarães, Carlos Melo, Valmir José Fonseca França, Anagê da Silva
Moura, Neuza dos Reis Domingues, Ricardo Abalém e José Barreto Miranda.
Os manda chuva da política desta cidade,
liderados pelo ex-prefeito Samir Tannus, prefeito Romel Anísio Jorge,
Gilberto Severino, Geraldo Luiz e Zé Cury, estavam com a orelha em pé,
alguns estavam até perdendo o sono de preocupação com o que poderia
acontecer no futuro se esse grupo continuasse existindo e desvinculado
politicamente desses caciques.
Esse grupo de vereadores liderados por
mim, pelo vereador Guilherme Junqueira e Vânia Jacob reuniu-se por
diversas vezes, quando era tratado assunto de interesse da comunidade,
como também, o futuro político desse grupo, já que no ano seguinte, ou
seja, em 1992, haveria eleição para prefeito e vereador.
Chegou ao conhecimento dos chefões da
política, que o nosso grupo poderia, inclusive, criar um novo partido,
para disputar às próximas eleições, o que poria em risco o domínio
desses políticos nesta cidade e região. Então, iniciou-se a partir
desses comentários uma observação e um acompanhamento mais de perto
desses políticos, junto aos integrantes do grupo dos onze.
Isso foi materializado quando da escolha
no novo presidente da Câmara. Por unanimidade nos escolhemos o vereador
Guilherme Franco Junqueira, para encabeçar uma chapa que disputaria a
presidência do legislativo, eu fui indicado para ser o vice-presidente, o
vereador Carlos Melo, primeiro secretário e Walter Arantes, segundo
secretário. Ao tomar conhecimento da formação dessa chapa eu fui
procurado, pelo ex-deputado Federal Samir Tannus, naquela oportunidade
estava acompanhado pelos ex-vereadores, Gabriel Palis, José Arantes e
pelo vereador Sebastião Luiz Mamede.
Foram me propor formar outra
chapa, que seria constituída pelos seguintes vereadores: presidente
Vânia Morais Jacob, vice-presidente eu, Hairton Dias, Secretário Carlos
Melo, segundo secretário Ricardo Abalém. Vejam bem, não tiveram a
habilidade, nem de me oferecer à presidência, que poderia se eu fosse
ambicioso e sem posição política, até quem sabe, mudar de opinião com
relação à chapa da qual eu fazia parte, que saiu do grupo dos onze, mas
não, o negócio era eleger quem eles queriam e podia manipular.
Aquela proposta era no meu entendimento
uma forma de desestabilizar de vez o grupo dos onze e acabar de vez com
qualquer pretensão futura de qualquer um de seus integrantes de se
tornar independente da política praticada por eles. Não aceitei a
proposta que já havia sido feita ao vereador Carlos Melo, que disse a
eles, que aquele tipo de proposta deveria ser feita primeiro a mim, pois
eu era um dos líderes do grupo dos onze e o que eu decidisse ele
assinaria em baixo. A minha recusa de não participar daquele complô para
derrubar o vereador Guilherme Franco Junqueira da presidência da Câmara
deixou irritado o ex-deputado Samir Tannus, que afirmou: “assim não tem
jeito de fazer política não”. Despediu-se de mim com os demais e foi
embora.
Depois desse episódio nos reunimos para
reafirmar a posição do grupo e consolidar sua existência, com a eleição
da futura mesa da edilidade tijucana. Isso realmente aconteceu, no dia
1º de janeiro de 1992, nos elegíamos para presidir os destinos da Câmara
Municipal de Ituiutaba a seguinte mesa diretora: Presidente Guilherme
Franco Junqueira, vice-presidente Hairton Dias da Silva, 1º secretário
Carlos Melo, 2º secretário Walter Arantes Guimarães. Assim, com a
eleição dessa mesa diretora, integrantes do Grupo dos Onze, nós mandamos
um recado aos caciques da política local, que não aceitávamos
interferência deles nos assuntos da Câmara Municipal e nem no Grupo que
havia se consolidado com a eleição do vereador Guilherme Franco
Junqueira para presidente. Mas isso acarretaria enorme prejuízo político
para mim em minhas pretensões políticas futuras, ou seja, de me
candidatar a prefeito de Ituiutaba, como vocês verão.
Passado a eleição da mesa diretora da
Câmara, o legislativo seguia seu curso normal de reuniões, porém nos
bastidores políticos iniciava-se os entendimentos para lançamento de
candidatos a prefeito, vice e chapa de vereadores. Era a grande
oportunidade do Grupo dos Onze manter unido e eleger o próximo prefeito e
uma forte bancada de vereadores, mas para isso acontecer realmente era
necessário que os vereadores fossem de verdade independentes dos
chamados caciques da política desta cidade, coisa impossível de
acontecer, pois o que estava em jogo naquela hora, era a reeleição de
cada um dos vereadores que integravam esse nosso movimento político
formado só de vereadores. Tinha chegado a hora dos chamados caciques
políticos cobrar daqueles vereadores sua desobediência, por formação do
grupo dos onze e pela eleição de um candidato escolhido por seus
integrantes. Ninguém topou a briga, todos se encolheram diante do
mandario destes pseudos chefes.
Não me intimidei com o fim do grupo dos
onze e continuei lutando por meu ideal, mesmo porque aquele movimento
era supra-partidário e não tinha nada a ver com a minha pretensão, de
quem sabe, naquela eleição que se avizinhava sair candidato a prefeito
de Ituiutaba.
Capítulo XLIII
1992 - Ano Eleitoral
Bem, diante de tudo
que vivi não adiantava ficar chorando o leite derramado, porque a vida
continua. Era preciso continuar lutando, tocando em frente à vida e o
nosso ideal político. A história se incumbiria de julgar e punir as
omissões ocorridas durante esse período difícil que eu vivi nesta
cidade, e que os culpados não foram penalizados por seus erros.
O ano de 1992
iniciava para mim com muita expectativa, porque era um ano eleitoral,
uma grande oportunidade para mudar as coisas erradas que haviam
acontecido num passado recente e pôr em prática o projeto que me levou a
entrar um dia na política e disputar um cargo público. Havia chegado a
hora; agora, mais do que nunca, era o momento certo para disputar a
minha indicação como candidato a prefeito.
As referências
não eram boas, porque todas as vezes que precisei dos meus
“companheiros” de partido fui abandonado. Porém, como sou persistente,
não desisto nunca, iria tentar, quem sabe pela última vez, merecer o
apoio daqueles que durante uma vida receberam tudo de mim, a minha
lealdade, o meu companheirismo, respeito aos estatutos e princípios do
partido e ao seu código de ética.
Procurei a
direção do PMDB, agora sob a presidência de Gilson Lucas Lima, e
demonstrei a minha intenção de ser o candidato do partido nas eleições
daquele ano. A princípio, recebi aprovação para que fizesse trabalho
visando concretizar esse ideal. Entendia ser a grande oportunidade de
minha vida política, porque desde que entrei para a vida pública sonhei
um dia disputar o cargo de prefeito de Ituiutaba e, se eleito fosse,
retribuir a esta cidade tudo o que ela tinha me dado ao longo dos trinta
e quatro anos que nela vivia.
Fiquei
entusiasmado, e, mais do que nunca, levei a sério o meu quarto mandato
de vereador. Para evitar qualquer tipo de surpresa quando da escolha dos
candidatos a prefeito, vice e vereadores, na convenção que seria
realizada na segunda quinzena de junho, sugeri à executiva do partido
que fizesse uma prévia eleitoral para todo aquele que tivesse pretensão
de ser candidato a prefeito, do partido, pudesse ter seu nome avaliado
pelos companheiros e pelos eleitores.
A executiva do
partido topou fazer à prévia. Cinco nomes foram indicados pela executiva
pra integrar a lista de possíveis candidatos a prefeito: Anagê da Silva
Moura, Hairton Dias da Silva, Luziano Justino Dias, José Cury e Manoel
Carolino de Paiva. A prévia foi realizada no início do Mês de maio.
Foram ouvidos, entre companheiros e eleitores de um modo geral, 2.200
eleitores, eu consegui 89% de aprovação, que me indicavam para ser o
candidato do PMDB naquelas eleições, a serem realizadas no mês de
novembro de 1992. Eu tinha um passado de luta, uma história partidária,
fui um dos fundadores do MDB/PMDB, tinha várias realizações como
vereador e, acima de tudo, posição política, que me credenciavam,
realmente, a ser o candidato do partido.
A convenção foi
marcada, seria realizada no último domingo do mês de junho. Estávamos
apenas a um mês da realização da referida convenção e tudo indicava que
eu seria o candidato a prefeito do PMDB. Vejam bem como é a política e
como são aqueles que a praticam. Por falta de pulso ou por má fé do
presidente do PMDB, iniciou-se um movimento fora das hostes do partido,
para lançar a candidatura do “companheiro” José Cury para ser o
candidato do PMDB. Desse movimento participaram: o próprio Zé Cury,
Samir Tannus, Romel Anísio Jorge, Gilberto Severino, Geraldo Luiz, com a
aquiescência da presidência do partido.
Uma das
estratégias usadas para desmobilizar a minha candidatura era que eu não
tinha dinheiro para gastar na campanha. Foi isso realmente que usaram
para convencer os sessenta (60) candidatos a vereadores da coligação que
apoiaria a minha candidatura, afirmando que se eu fosse indicado
candidato, além de não ter dinheiro para fazer minha campanha; eles,
candidatos a vereadores, teriam que gastar dinheiro do bolso para
patrocinar a minha candidatura a prefeito, além das suas próprias
candidaturas.
Aí começou uma
pressão violenta para que eu desistisse de ser candidato, muitos
alegavam que eu seria abandonado no meio da campanha e que seria
ridicularizado pelos meus próprios “companheiros”. Todos que se
posicionavam contra a minha candidatura, temiam que, se eu fosse eleito,
muitas cabeças iriam rolar e muita gente desmascarada, e por isso se
juntaram para me combater.
Na verdade eu não
dispunha mesmo de recursos financeiros para bancar essa candidatura, nem
a candidatura dos vereadores, mas era responsabilidade do partido
bancá-las. Eu não tinha dinheiro, mas tinha ideal, projeto, vontade de
servir esta cidade e ao seu povo. Sem poder contar, mais uma vez, com a
ajuda de meus “companheiros” do PMDB, que em momento algum tiveram a
coragem de dizer que me apoiariam de qualquer forma, com dinheiro ou sem
ele; de livre é espontânea pressão de todos os lados fui obrigado a
tirar meu nome da disputa, de uma possível candidatura a prefeito.
Observe bem, o
tempo passou, mas o comportamento dos homens que integravam o PMDB de
Ituiutaba era o mesmo: omissos, interesseiros, subservientes, mandados
por coronéis que infelizmente manipulavam a política de Ituiutaba
naquela hora. Homens que não aceitavam novas lideranças, e que, por
terem dinheiro, imaginavam que podia mandar no ontem, no hoje e no
amanhã das pessoas.
Como estava
previsto por eles, o Zé Cury foi indicado na convenção do PMDB, como
candidato a prefeito, segundo eles “por ser empresário e por ter
dinheiro para gastar na campanha”.
Infelizmente,
tive que adiar meu sonho de ser candidato a prefeito, mas entendia, não
podia sair da vida pública, pois tinha um sonho, um ideal, ser prefeito
de Ituiutaba e por em prática um projeto que iria mudar a fisionomia
social e econômica desse município, que até então foi governado por
homens que mais pensaram em si do que no povo desta cidade; um governo
que resgatasse a autoestima dessa gente – que apenas queria ter o
direito de ser feliz –, e que colocasse em prática um projeto que
contemplasse o desenvolvimento integrado e sustentável do município, na
saúde, educação, segurança, esporte, lazer, meio ambiente e
desenvolvimento social. Preparar a cidade, com a expectativa de
investimento de empresários, que iríamos convidar para vir conhecer as
nossas potencialidades. Planejar para desenvolver. Por todos esses
motivos, sai candidato mais uma vez a vereador, com o pensamento de que
se me reelegesse teria ainda mais uma chance de no futuro ser candidato e
por em prática esse projeto.
Capítulo XLIV
Quem parecia ser não era e mais uma vez fui
preterido pelos meus próprios
“companheiros” do PMDB
Como já é do
conhecimento de todos, não tive como disputar a convenção do PMDB como
candidato a prefeito devido à forte pressão da qual fui alvo antes da
convenção do partido, em que o nome do Zé Cury foi homologado como
candidato, ele que na prévia realizada teve a maior rejeição e foi o
nome menos citado pelos peemedebistas e eleitores de Ituiutaba. Só os
meus companheiros não viram isso ao lançá-lo candidato a prefeito, com a
desculpa de que ele tinha dinheiro.
Fui obrigado a
tirar meu nome da disputa, segundo dirigentes partidários por não ter
como bancar a campanha, mais isso era tudo mentira, pois na verdade fui
alvo de uma trama bem arquitetada pelos meus adversários, com a
aquiescência dos meus “companheiros”, que deu certo. Sabe por quê? A
primeira coisa que o senhor Zé Cury disse depois de ser indicado
candidato, foi que não tinha dinheiro para ajudar ninguém, inclusive,
disse isso para mim pessoalmente. Foi tudo uma grande farsa para me
impedir de ser prefeito de Ituiutaba, pois acredito, com toda força de
minha alma e de meu ideal, que eu seria eleito, devido as minhas
posições tomadas em defesa do povo e pelos trabalhos por mim realizados
nos meus mandatos de vereador.
Mas o
pior ainda viria, em uma campanha em que o Poder econômico falou mais
alto, com a compra de votos, eu que estava cotado para ser prefeito
perdia inexplicavelmente a eleição para vereador. A pesquisa que havia
sido feita em que me indicava como um dos favoritos a ser eleito
prefeito serviu de informação para meus adversários, oferecerem
vantagens aos meus eleitores residentes em vários bairros, que eram meu
reduto eleitoral.
Perdi a
eleição, mas não perdi a dignidade e nem a minha autoestima. Saí de
cabeça erguida do ginásio Poliesportivo Municipal, onde havia sido feita
a apuração daquela eleição, sob olhar sarcástico de meus adversários.
Eles estavam felizes porque finalmente conseguiram me derrotar. Mas
aqueles que haviam me sabotado, quando indicaram o nome de Zé Cury para
ser o candidato do partido, estavam irremediavelmente no fundo do poço,
porque o candidato deles havia perdido a eleição, porque não tinha
projeto, nunca tinha sido candidato a nada, simplesmente ficou em último
lugar, tendo a candidata do PT, Ednair Muniz, ficado em segundo lugar,
diga-se de passagem, se ela tivesse uma semana a mais de campanha, teria
vencido a eleição. Que foi vencida pelo médico, ex-secretário de Saúde,
Dr. João Batista Arantes da Silva, pertencente ao PDS, ao grupo
dominante desde 1983.
A partir de
minha derrota, daquele instante para frente eu tinha a convicção de que
as coisas ficariam muito difíceis para mim, o sonho de ser candidato a
prefeito, agora, tinha ficado mais longe, sem mando político na mão não
seria fácil conseguir reestruturar o partido que continuava sob a
presidência de Gilson Lucas de Lima, que havia praticamente entregado de
bandeja a possibilidade de fazer o prefeito naquela eleição, não sei a
que preço.
Só me restava uma
coisa a fazer, a partir daquela derrota eleitoral, esperar para ver o
que iria acontecer e aguardar outra oportunidade, quem sabe, encontrar
outras cabeças dentro do partido que me ajudasse a realizar o meu sonho,
ser candidato do partido e pôr em prática tudo o que idealizei para
essa querida terra que um dia me adotou como seu filho, algo que muito
me honrou.
“Descobri
durante os meus anos de militância política, quem é honesto em política
tem vida curta nessa área, porque parece que ninguém gosta e nem apóia
político honesto. Será por que hein”?
Capítulo XLV
Segue abaixo os principais trabalhos e projetos
de autoria do vereador Hairton Dias,
que marcaram sua difícil, mais honrada
e gloriosa carreira política em defesa
do povo, como seu representante na
Câmara Municipal de Ituiutaba:

- Atuou como segundo secretário,
Secretário, vice-presidente e presidente interino da Câmara. Integrou
todas as comissões da Câmara, como presidente, relator ou membro de
comissão.
- Participou da fundação do MDB/1969 e PMDB/1979;
- Ajudou a comandar todas as campanhas do PMDB de 1970 até 2008;
- Participou de vários congressos representando a Câmara e seu partido MDB/PMDB;
- Levou o PMDB a todos os bairros da cidade em trabalho pessoal e através do Rádio;

Rui Drummond 1º presidente do MDB e o ex-vereador Hairton Dias
- Conseguiu junto ao Ministério da
Saúde, contando com a participação do Dr. Sebastião Alves Carlos Grilo,
ex-secretário de finanças do MS, recursos que resultou na instalação do
Banco de Sangue de Ituiutaba (Hemocentro), que era uma necessidade
premente dos hospitais e da população que dependia desse sangue de
qualidade para sobreviver, conseguiu também o Centro de Controle de
Zoonoses, importante para o controle das doenças animais, (aprovado);

Ver. Hairton Dias discursando no dia da inauguração do Hemocentro (Banco de Sangue) conseguido por ele para Ituiutaba
- Fez trabalho de base e indicação
a todas as administrações, no período em que foi vereador e conseguiu
extensão de redes de água, esgoto, energia elétrica, asfalto, posto de
saúde e quadras poliesportivas e postos policiais para nossos
bairros (aprovado);
- proposição que defende o
crescimento físico da Ituiutaba, através da modernização de seus códigos
de Postura, Obras e Edificações, Plano Diretor e do Parcelamento, Uso e
Ocupação do Solo, planejando a cidade para a entrada do terceiro
Milênio. Tendo apresentado vários projetos de proteção ambiental, como
preservação dos recursos hídricos, das nascentes dos córregos com a
proteção da mata ciliar para preservar as nascentes de água;
- Projeto que concedeu título de
cidadania a dupla sertaneja Tião Carreiro e Pardinho, em agradecimento a
divulgação nacional da nossa cultura popular e pela música em homenagem
a nossa cidade, denominada: “Saudade de Ituiutaba”, sucesso em todo
País (aprovado);
- Criou e realizou com o apoio da
Fundação Cultural, Encontro Regional de Catira em 2008 e 2009,
reunindo catireiros de vários estados brasileiros;
- Criou e realizou com o
apoio da administração do prefeito Públio Chaves, o Canto de
Ituiutaba, de 1998 a 2004, provendo cultura através da realização de
Festival de Musica Sertaneja e MPB. Em 2008 participaram desse evento 15
estados brasileiros (aprovado);
- Proposição ao executivo para aquisição
de patrulha mecanizada para prestar assistência às estradas rurais do
município facilitando o escoamento da produção(aprovada);
- Proposição para aquisição de Centro de Informática para instalação nas escolas da rede municipal (aprovado).
- Proposição para aquisição
de uma usina de asfalto pela Prefeitura para facilitar a pavimentação de
bairros onde os moradores não dispõem desses recursos para pagar esse
importante benefício; ficou em estudo.
- Proposição ao executivo em
quase todos os anos de seu mandato para criação e implantação da
Terminal de Transporte Coletivo Urbano;
- proposição para
implantação de hortas comunitárias para produção de hortaliças e como
estímulo ao micro e pequeno produtor rural na produção de
hortifrutigranjeiros no município, como instrumento de geração de divisa
e melhoria de qualidade de vida da população (aprovado);
- Proposição aos governos
municipal e estadual para implantação de consultório oftalmológico para
atender a população carente e crianças na idade escolar (aprovado);
- Projeto autorizando o Executivo a
construir as praças, dos Bairros Bela Vista - Antônio Cardillo e
Hilarião Rodrigues Chaves - Bairro Ipiranga, ambas com quadra
poliesportiva ( aprovado e construídas);
- Projeto para construção de cinco Postos Policiais, em pontos estratégicos para inibir a ação de marginais (atendido);
- Projeto que proíbe a mudança de nomes
de ruas, a não ser que sejam consultados os seus moradores; -
Aprovou projeto que obriga quem for fazer loteamento instalar rede de
água, esgoto, energia, prática pouco comum até a aprovação desse projeto
(aprovado);
- Em 1978, se posicionou
corajosamente em favor das famílias que perderam seus entes queridos no
acidente com caminhão de Bóia Fria, que caiu em uma represa na Fazenda
das Palmeiras, sem que ninguém quisesse se responsabilizar pelo fatídico
e macabro desastre em que vitimou 38 trabalhadores rurais, exigindo a
ação da FETAEMG – Federação dos Trabalhadores da Agricultura de Minas
Gerais, em defesa dessas famílias;
- Através de projeto denominou os
bairros Ipiranga, Universitário e Jerônimo Mendonça, este último em
homenagem ao grande líder espiritual, Jerônimo Mendonça, que durante sua
vida dedicou trabalho em favor das pessoas menor favorecidas,
especialmente as crianças (aprovado);
- Apresentou projeto concedendo
título de Cidadania Honorária de Ituiutaba, ao cantor Roberto Carlos,
pelos relevantes serviços prestados na área social. Roberto Carlos
destinou recurso para construção da Creche Pouso do Amanhecer no Bairro
Natal, a pedido de Jerônimo Mendonça (aprovado);
- Teve participação importante na
elaboração da Lei Orgânica do Município de Ituiutaba, promulgada em 21
de abril de 1990, tendo apresentado 56 emendas, das quais 26 foram
aprovadas. Esteve presente em todas as audiências públicas realizadas no
recinto da Câmara e fora dela;
- Votou contra a aposentadoria de
vereadores em 1989, com seu voto derrubou o projeto, portanto votou
contra sua própria aposentadoria. Vale à pena salientar, segundo sua
própria explicação, por uma questão de consciência, porque o trabalhador
comum se aposenta após 35 anos de contribuição com a Previdência e o
projeto de aposentadoria da mesa da Câmara vereadores se fosse aprovado,
os edis de Ituiutaba aposentariam a partir de um mandato, ou seja, 04
anos, com aposentadoria proporcional. Sobre esse assunto, sabe o que
aconteceu depois dessa sua posição ajudando derrotar o projeto de
aposentadoria dos vereadores de Ituiutaba. Várias pessoas lhe disseram
ao saber de seu voto e de sua posição contra a aprovação desse projeto.
“Você é trouxa mesmo hein, você votou contra sua própria família”!
- Nunca empregou parente na prefeitura durante o período em que foi vereador;
- Esteve presente a todas as
reuniões da Câmara, sendo frequentador permanente de sua Tribuna, onde
intransigentemente se transformou no grande defensor das causas
populares, se posicionando sobre tudo e contra a corrupção e a
impunidade, que versou na administração pública nesta cidade;
- Autor do projeto que criou o Banco de Olhos de Ituiutaba, ainda em fase de regulamentação;
- Sugeriu por indicação ao então
governador de Minas, Francelino Pereira a criação estadual e
financiamento de uma horta em cada quintal, projeto acolhido pelo
governo e posto em prática em todas as cidades do estado;
- Fez trabalho junto a CTBC e instalou Telefones Públicos em todos os bairros de Ituiutaba;

Projeto de minha autoria - Construção da Escola Municipal Francisco Antônio de Lorena, na Vila Miisa
- Apresentou projeto que foi acolhido
pelo então prefeito, Acácio Cintra que resultou na construção e
instalação das escolas municipais, Aída Andrade Chaves do Bairro
Satélite Andradina e Professor, Francisco Antônio Lorena, na Vila Miisa;
Pedro Fenelon (extinta) no Bairro alvorada, Conjunto Avanhandava no
prédio funciona hoje CRAS Juraci Furtado, antigo SOS, órgão que o
vereador trouxe de Poços de Caldas, para cuidar às famílias carentes.

Escola Municipal Aída Andrade Chaves - Construída no Bairro Satélite Andradina graças a projeto de minha autoria
- Apresentou mais de 10
indicações e fez vários pronunciamentos na Tribuna da Câmara para
construção de Ginásio Poliesportivo Municipal de Ituiutaba, que só foi
construído graças à criação dos Jogos Estudantis nesta cidade, por ele
vereador Hairton Dias;
- Fez 16 indicações para construção e implantação do Pronto Socorro Municipal (aprovadas e atendidas);
- Conseguiu através de
Indicação junto a Secretaria de Estado da Educação a instalação do 2°
Grau para a Escola Estadual Coronel Tonico Franco ( participação do
deputado estadual Luiz Junqueira);
- Sensibilizou o governador,
Tancredo Neves, através de indicação e abaixo assinado que contou com
assinatura de dois mil (2000) pais, alunos e professores, para
construção de prédio e instalação da Escola Estadual Pe. João Avi, hoje
Escola Municipal Manoel Alves Vilela, do Bairro Pirapitinga;
- Conseguiu através de Indicação
junto ao Ministério da Agricultura, contando com a ajuda do Dr. Marcio
Dias Moreira, a instalação em Ituiutaba de uma Vaca Mecânica – Fábrica
de Leite de Soja, para distribuição na merenda escolar e nas creches,
(infelizmente desativada).
- Conseguiu através de Indicação e
gestões junto a Secretaria do Interior e Justiça do Estado de Minas
Gerais, a instalação em Ituiutaba, da Defensoria Pública, em 1975, tendo
como primeiro defensor público, José dos Santos Vilela Junior (Jucão);
- Criou o SOS – Serviço de Obras Sociais, hoje CRAS, funcionando pioneiramente no Bairro Alvorada (Conjunto Avanhandava);
- Aprovou Lei que igualou a
aposentadoria dos servidores municipais (homens 70 anos de idade e
mulher aos 65 anos de idade) aos contribuintes do INSS (homens 65 anos
de idade e mulher aos 60 anos de idade) e 30 e 35 anos de contribuição
(projeto aprovado);
- Criou a Lei do Passe Escolar –
Lei nº 1919, de 1º janeiro de 1980, que concede 40% de desconto
aos estudantes no uso do transporte coletivo urbano para ir para escola e
vice versa (projeto aprovado);
- Criou e realizou os Jogos Estudantis
de Ituiutaba por vários anos, integrando a juventude estudantil através
da prática sadia do esporte; um dos maiores instrumento de inclusão
social de Ituiutaba, por contribuir para o retorno a sala de aula de
meninos e meninas que pararam de estudar (aprovado);
- Fundou 33 sociedades de bairros,
organizando os moradores dos bairros para melhor reivindicar seus
direitos, trabalho esse realizado durante muitos anos junto aos bairros
da cidade (aprovado);
- Por todos esses trabalhos
prestados ao povo de Ituiutaba, foi considerado pela imprensa local e
pela opinião pública, como sendo o mais atuante vereador da Câmara
enquanto exerceu o mandato de vereador. Pelos seus trabalhos em favor do
desenvolvimento do Município recebeu da Câmara Municipal o Título de
Cidadão Honorário e da administração Gilberto Severino, a Comenda de São
José do Tijuco.
XLVI
Principais denúncias que fiz exercendo o
direito constitucional de fiscalizar os
atos do executivo e a melhor
aplicação do dinheiro público
01 – Denúncia de mudança na implantação do Projeto Cura, movido por interesses escusos;
02 – Tráfico de influência na administração realizada de 1983 a 1988;
03 – Empreguismo, inchaço da máquina administrativa com fins eleitoreiros;
04 – Aprovação de loteamento sem
qualquer tipo de infra-estrutura, Santa Edwiges, para beneficiar
apaniguados políticos, deixando a responsabilidade do pagamento da
extensão das infra-estruturas, redes de água, esgoto, energia e
pavimentação para o povo e para as futuras administrações, isso
aconteceu de 89 a 92 (votou contra);
05 – Criação da indústria da
miséria pelo grupo no Poder nos últimos 10 anos, de 83 a 92, através de
um clientelismo e assistencialismo, à custa do contribuinte, sem criar
perspectivas de desenvolvimento;
06 – Uso de dois pesos e duas
medidas na cobrança do IPTU para uma elite privilegiada que não pagava
imposto, enquanto os pobres e trabalhadores passavam dificuldades para
pagar em dia e nada era feito para cobrar dos ricos, de 83 a 92;
07 – Uso de máquinas da Prefeitura para beneficiar empresas e elementos pertencentes ao Grupo no Poder. De 83 a 88.
08 – Gasto de milhões de cruzeiros
em propaganda sem ter nada que mostrar, usando o dinheiro público para
se promover politicamente à custa do contribuinte;
09 – Venda de uma área reservada
para a Praça da Cultura no Bairro Universitário, sem que fosse explicada
qual a finalidade da venda, em 87 (votou contra);
10 – Desaparecimento do Teodolito
(instrumento para fazer levantamento topográfico), da Secretaria de
Planejamento da administração, 89 a 92, sem que fosse tomada nenhuma
providência para esclarecer o fato e punir os responsáveis. Aparelho de
um custo Milionário;
11 – Aquisição de veículos pela
Prefeitura no Estado de Goiás, para beneficiar empresa ligada à
administração, mais caro que em nossa cidade, em prejuízo das empresas
locais, isso de 89 a 92;
12 – Aquisição de ônibus velho e
estragado, por preço superfaturada, acima do valor de mercado, para
transportar estudantes na zona rural, isso também de 89 a 92;
13 – Não pagar em dia os servidores
municipais, nem repor as perdas salariais (inflação), submetendo esses
servidores a inúmeras dificuldades, de 89 a 96;
14 – Não ter critério junto às empresas
locais para compra de bens e serviços para a prefeitura, beneficiando
somente a quem interessava ao grupo no Poder;
15 – Por falta de competência da
assessoria da administração no Poder, de 88 a 92, o não envio ao
Legislativo das leis complementares, códigos de Postura, Edificações,
Uso e Ocupação do Solo, Plano Diretor, Estatuto dos Servidores e
Magistério para ser reformulado, isto porque, a iniciativa era do
executivo;
16 – Venda de equipamentos e máquinas
(sucatas) sem leilão, por funcionários da Secretaria de Obras, sem que
os autores tenham sido punidos, ao contrário foram acobertados pela
administração, de 88 a 92;
17 – Levar o Município a um estado de
verdadeira estagnação, o que levou centenas de famílias a mudarem de
Ituiutaba para outras cidades da região em busca de emprego e
sobrevivência, isso de 1983 a 1996;
18 – Nepotismo na prefeitura no período de 83 a 96, com altos salários;
19 – Denúncia contra a administração
Municipal de supostamente iria pagar propina, a empresa lobista, na
liberação de recursos da Caixa Econômica Federal para obras de
saneamento e infra-estrutura na cidade;
20 – Cobrou através da Tribuna da Câmara
e do Rádio onde trabalhava, (Programa Tarde Noite Cabocla) explicação
sobre o desabamento por três vezes da canalização do Ribeirão São José,
canalizado numa extensão de quase 1050 metros lineares, com recursos do
FDU – Fundo de Desenvolvimento Urbano, do Governo Federal, no valor de
12 bilhões de cruzeiros (dinheiro da época), pela administração do
prefeito Fued Dib, de 1973 a 1976. Referidas recuperações foram feitas
na administração dos prefeitos: Gilberto Severino, João Batista Arantes e
Públio Chaves, numa extensão de quase 600 metros lineares. Esses
desabamentos causaram aos cofres públicos um dos maiores prejuízos que o
município de Ituiutaba já sofreu em toda sua história administrativa,
só sendo superado pela Canalização do Ribeirão Pirapitinga (Projeto
Cura) de 1984 a 1986.
Capítulo XLVII
Meu retorno ao rádio

Hairton apresentando o seu programa Tarde Noite Cabocla, no estúdio da Rádio Difusora
Talvez um dos
motivos que me levou a perder a eleição de 1992, tenha sido a minha
ausência do rádio, ficar sem me comunicar com os meus eleitores, com o
povo dessa cidade, por um período de quatro anos, de novembro de 1989 a
janeiro de 1992, isto porque a emissora que eu trabalhava a Rádio
Platina, foi vendida para o Grupo Cancella, por 64.000,00 (dinheiro da
época), mais ou menos. Como os cancellas já haviam me dado bilhete
vermelho na Rádio Cancella, por motivos políticos, porque eu era do
PMDB, e critiquei nos microfones da emissora deles, o deputado federal
que eles apoiavam, Homero Santos – que sempre teve milhares de votos em
Ituiutaba, mas só fazia coisas para sua cidade natal, Uberlândia –, não
perderam tempo, me dispensaram, depois de mais de dez anos de serviço
prestado naquela emissora.
A minha saída da Rádio Cancella foi
motivada porque, num dia de campo, no município de Centralina retruquei o
deputado federal Homero Santos, ao ser entrevistado por mim e pelo
rádio-jornalista Luiz Carlos de Souza, meu companheiro de trabalho na
época. Homero Santos afirmou que Ituiutaba era a menina dos olhos dele.
Solicitei do parlamentar, “se verdadeira aquela afirmação, que ele
enumerasse uma obra que ele deputado tenha conseguido para Ituiutaba”.
Ele pensou, engasgou e não deu conta de me responder. Esse deputado
nunca fez nada por nossa cidade; daqui ele só levou os votos durante o
período que foi deputado, por uns cinco mandatos.
Essa foi uma
das causas da minha dispensa. A outra: existia naquele tempo um programa
chamado “Ituiutaba das 11 as 12”, apresentado por Luiz Carlos de Souza,
e por mim, nas reportagens. Durante quase um mês nós fizemos um
pinga-fogo com quase todos os políticos de Ituiutaba, ficou faltando
somente eu, que era vereador. Isso em novembro de 1982. Para completar a
rodada de entrevistas, no chamado pinga-fogo, foi marcado um programa
onde eu seria o entrevistado. Participaria como interlocutores os
jornalistas: Luiz Carlos, Rui Barbosa Castanheira, Agnaldo Zócolli,
Olgmar Eudes Matos e Manoel Tiburcio Nogueira. No dia do meu pinga-fogo,
por determinação dos diretores e donos da emissora, foi cancelado o
programa comigo.
Como eu estava
no estúdio, o repórter Luiz Carlos, depois de anunciar que não ia
acontecer mais o programa comigo, me perguntou se eu tinha ideia do
porquê daquela atitude dos diretores e donos da emissora. Simplesmente
respondi: Porquê os meus inimigos ocultos têm medo da verdade, sabem que
meu nome está crescendo em Ituiutaba e que se não usarem este tipo de
artifício vou acabar mudando de cargo na política. Aquela seria uma
grande oportunidade da população conhecer o meu projeto para essa
cidade. E acrescentei: “só lamento que os donos da emissora tenham
tomado essa atitude de impedir que esse programa fosse feito comigo,
acredito que essa é a última vez que falo nesse microfone como político,
mas também como funcionário que sou dessa emissora”. E reafirmei: “Tem
muita gente que tem medo da verdade”! Despedi-me e fui embora. E fui
realmente para sempre. Na mesma hora, o repórter Agnaldo Zócolli fez uma
entrevista de quase duas horas com o outro político do grupo deles,
Samir Tannus.
Está
dando para você, que está lendo esse livro, entender, que para vencer na
vida, principalmente em política, quando não se tem dinheiro, não se
pode pensar, não se pode ter opinião própria, não se pode ter posição,
defender ideias ou se colocar no caminho dos chamados poderosos? Por
causa dessa demissão acabei tendo um desentendimento grave, com um dos
diretores daquela emissora, mais felizmente sem maiores consequências.
Mas vamos em frente, porque, apesar de todas essas adversidades, tento não desistir da luta.
Assim, no dia
1º de janeiro de 1992, eu retornava ao rádio, iniciando uma nova fase
nas lides radiofônicas de Ituiutaba e de meu programa tradicional “Tarde
Noite Cabocla”, que eu iria apresentar das 17 às 19 horas, na Rádio
Difusora AM. É bom salientar que os proprietários dessa emissora de
rádio, senhor Fausi Abdulmassih e seu sobrinho, Ricardo Abdulmassih,
ambos de Tupaciguara, pertenciam a um grupo político antagônico ao meu,
apesar de não residirem em Ituiutaba.
Quem me
convidou a integrar o seu quadro de funcionários foi o diretor da
emissora, Dr. Jeuid Abdulmassih, irmão do Dr. Fausi e tio do
Ricardo. Ele foi vereador no mesmo período que fui, por dois
mandatos, de 1983 a 1992. No meu primeiro dia de trabalho, Jeuid me
chamou no escritório da emissora e me fez esse pedido. “Hairton Dias, ao
entrar a porta dessa emissora para trabalhar, espero que você deixe a
política lá fora, para que possamos nos entender”.
Respondi
tranquilamente para ele que não se preocupasse, porque eu sabia que
estava ali para trabalhar e não para falar em política. Por outro lado
ponderei para ele, que se algum dia eu cometesse algum ato que ele não
gostasse e que ferisse os princípios partidários da emissora, que me
chamasse ao escritório e demonstrasse a insatisfação da direção da
emissora, quanto ao meu posicionamento.
Tudo acertado
fui para o ar, pontualmente às 17 horas, qual não foi minha surpresa,
durante as duas horas de programa, dezenas de pessoas ligaram para me
cumprimentar pelo meu retorno ao rádio, afirmando que estavam com
saudade de me ouvir e que o rádio de Ituiutaba novamente se enriquecia
devido à minha volta. Afirmação muito confortante, porque fazia
exatamente quatro anos que eu havia deixado o rádio. Eu tinha certeza de
uma coisa, com o rádio na mão, seria mais fácil o meu retorno a Câmara e
quem sabe até pleitear uma candidatura a prefeito.
Capítulo XLVIII
1994 - Uma nova esperança surgia
para Ituiutaba
O tempo ia
passando e nenhuma novidade surgia no cenário político local. A
administração que havia se instalado no município no dia 1º de janeiro
de 1993, sob o comando do Dr. João Batista Arantes da Silva (PDS), ia
muito mal, isso segundo seus próprios companheiros de partido, que
afirmavam que ele não ouvia ninguém, fazia e desfazia das coisas sem dar
satisfação de seus atos. Para mim, o prefeito até não ia tão mal assim,
como seus companheiros afirmavam, porque estava implantando na cidade o
CAIC e iniciando a implantação de uma estação de tratamento de esgoto.
Acredito que esses seus companheiros que o criticavam, o faziam porque
ele, João Batista, não aceitava a interferência deles na sua
administração.
Havia chegado
um novo ano, que poderia representar novas conquistas para esta cidade,
porque era um ano eleitoral e quem sabe poderíamos conseguir a tão
sonhada ligação Ituiutaba/Bastos/Campina, a estadualização das nossas
faculdades, a construção de casas populares, porque eram reivindicações
antigas da nossa população, as quais eu comungava e pelas quais sempre
lutei enquanto vereador.
Nos bastidores
políticos existia comentário forte de que o ex-prefeito de Cachoeira
Dourada de Minas, Publio Chaves, que havia transferido o seu domicílio
eleitoral para Ituiutaba, poderia se candidatar a deputado estadual, e o
melhor, na sigla do partido que um dia ajudei a criar nesta cidade, o
PMDB.
Para mim,
renovam-se as esperanças, porque o nome de Publio Chaves tinha
referências, era filho de um ex-prefeito de Ituiutaba, Camilo Chaves
Júnior e neto do famoso senador, Camilo Chaves, e vinha de uma excelente
administração na cidade de Cachoeira Dourada. Era tudo que Ituiutaba
precisava e eu estava esperando acontecer no PMDB, ter uma pessoa do
nível moral, intelectual e político como Publio, já despontando como uma
das grandes lideranças desta região do Pontal do Triângulo Mineiro.
Veio a eleição.
Como um dos coordenadores de campanha não consegui ajudar a eleger o
nosso candidato, Publio Chaves – apesar dele ter mais de mais de
dezesseis mil votos (naquela hora elegia-se deputado com menos voto),
perdeu a eleição –, isto porque a cidade lançou muitos candidatos. O
País elegia, para presidente, Fernando Henrique Cardoso. Minas Gerais
elegia, para governador Eduardo Azeredo, que não veio acrescentar nada
para Ituiutaba, apenas ganhamos desse governo, a construção do prédio do
Conservatório Estadual de Música José Zócolli de Andrade e mais nada.
Somente levaram os nossos votos e nada mais.
Capítulo XLVIX
Sonho de ser candidato a prefeito ficou mais
distante
O ano de 1996
chegou cheio de esperança para Ituiutaba, porque era novamente um ano
eleitoral, em que os rumos do município podiam mudar, principalmente
porque, a administração que estava encerrando o mandato, muito
desgastada, não conseguiu dar ao município, os rumos desejados por
todos. Enquanto isso, a oposição, comandada pelo PMDB, se organizava
para tomar o Poder, que estava nas mãos do grupo político liderado pelo
ex-prefeito e deputado federal Romel Anísio Jorge, desde 1º de janeiro
de 1983.
O PMDB, além de uma
grande história de luta e realizações nesta cidade, contava agora com o
reforço do ex-prefeito de Cachoeira Dourada de Minas, Publio Chaves, sem
falar que o partido iria ter novamente, na sua presidência, Benedito
Perez Drummond (Rui Drummond), o que representava um reforço, pois ele
era respeitado pelos adversários.
Eu, que só
imaginava a possibilidade de vir a disputar um cargo que não fosse o de
prefeito, sentia que a minha vez tinha ficado para trás e que à hora e a
vez agora seria dele, Publio Chaves. Demonstrando a minha fidelidade ao
partido e meu companheirismo, procurei o Dr. Publio e hipotequei o meu
apoio e minha ajuda à sua candidatura, diferente do que foi feito comigo
no passado.
Para demonstrar
o meu apoio ao homem que poderia retomar o mando político para o PMDB
no município, atendendo pedido do nosso candidato, aceitei ser candidato
a vereador, mesmo sabendo ser muito difícil a minha eleição, porque se
eleger vereador tinha virado comércio, só ganhava quem comprava votos.
Infelizmente essa prática foi introduzida no município por aqueles que
queriam o Poder pelo Poder e não como um instrumento de aperfeiçoamento
da sociedade em que vivemos, ajudando a melhorar a qualidade de vida das
pessoas. Mesmo sabendo os riscos, me candidatei, por certo se me
elegesse o meu sonho de ser prefeito estaria de pé, mas se perdesse
talvez eu não tivesse outra chance.
Naquela eleição
de 1996 teve mais de duzentos candidatos a vereador, foram vários
partidos e coligações. O PMDB escolheu o slogan de campanha “A Cidade
Vai Sorrir de Novo”, e Publio Chaves venceu os seus opositores, Samir
Tannus (PDC) e Ricardo Duarte (PT), com 33.793 votos, 79% dos votos
válidos.
Como eu previa
anteriormente, eu não consegui me eleger vereador, porque faltou
dinheiro para campanha, dinheiro para eu poder ir e vir, principalmente
naquela eleição, que dinheiro correu solto. Só ganhou quem comprou
votos. Mesmo assim, ainda tive 469 votos o que me garantiu uma terceira
suplência. Só se elegeu vereador naquela eleição quem teve mais de mil
votos.
Nem tudo ficou
perdido. Ao montar seu secretariado, o prefeito Publio Chaves me
convidou para ser o Diretor de Imprensa da Prefeitura, cargo
importantíssimo. Mesmo perdendo para vereador, senti-me vencedor,
valorizado, porque o meu cargo, acima de tudo, era político, uma
responsabilidade muito grande, por minhas mãos passaria a divulgação de
todos os atos, obras e realizações da administração Publio Chaves.
Assim, no dia
1º de janeiro de 1997, com o prefeito Publio assumindo os destinos do
município, eu assumia a Assessoria de Imprensa da Prefeitura, um novo
desafio que eu ia enfrentar. Era o meu ramo, mas na imprensa falada.
Seria a primeira vez que, em vez de falar, eu teria a responsabilidade
de escrever, contar para a população o que estava sendo feito naquela
administração, que foi eleita com a responsabilidade de fazer a cidade
sorrir novamente, porque já há algum tempo Ituiutaba estava triste, mais
parada do que água de lagoa.
No meu primeiro dia
de trabalho, cheguei cedo à prefeitura, a primeira matéria a ser escrita
seria a da posse. Confesso, não tinha a menor ideia como começar a
escrever; pensei, pensei, sentei-me à mesinha onde tinha uma máquina de
escrever Olivetti e comecei aquela redação. Fiquei de cedo até o meio
dia para escrever uma lauda (uma página), porque não sabia como começar.
Só consegui porque peguei a Folha de São Paulo e observei como os
jornalistas iniciavam as matérias. Rasguei a folha onde havia escrito a
primeira matéria sobre a posse, que tinha ficado mais confusa do que
informativa. Daquele data para frente não tive mais dificuldade porque
sugeri ao prefeito que trouxesse para trabalhar comigo o jornalista Rui
Barbosa Castanheira, redator do Jornal Diário Regional, ele
que tinha sido meu companheiro de trabalho na Rádio Cancella. Com ele
aprendi muito, aliás, ainda estou aprendendo, mas já não tenho mais
dificuldade para escrever sobre qualquer tema.
Como me disse
um dia o professor Paulo dos Santos, “a gente só aprende escrever,
escrevendo, só aprende falar claro, falando”. Eu tinha aprendido
escrever um pouco.
O prefeito Publio Chaves iniciava uma
nova era para Ituiutaba, construir uma cidade em que todos nela pudessem
viver. Ele superou todas as dificuldades, porque assumiu a prefeitura
com uma dívida de R$ 12.756.234,23. Foi uma matéria impactante que
tivemos que levar ao conhecimento da população. A mesma virou um outdoor
que o prefeito Publio fixou na fachada da prefeitura.
O prefeito
Publio Chaves tinha na Secretaria de Saúde, o médico ortopedista, Dr.
Luiz Pedro Correa do Carmo, que realizava um excelente trabalho à frente
daquela pasta, tendo implantado a Unidade Mista de Saúde 1, que mais
tarde recebeu o nome de “Carlos Modesto dos Santos”, no setor Sul, na
Rua 18, com a Avenida Minas Gerais, e a Unidade de Saúde 2 (Pelina
Novais), no Bairro Progresso, na Avenida 11, com Rua 38, destinada ao
atendimento de crianças e gestantes.
Tive a
oportunidade de escrever e mandar para toda imprensa desta cidade e
regional, que por determinação do prefeito Publio Chaves, o secretário
Luiz Pedro tirava do porão do Hospital São José e levava para a Avenida
7, entre as ruas 24 e 26, o Pronto Socorro, que a partir daquela data
passaria a chamar-se Pronto-Socorro e Hospital Municipal Dr. Darci
Rodrigues Furtado, oferecendo uma nova qualidade no atendimento de
emergência da população. A população ao tomar conhecimento dessas
realizações através da imprensa, não escondia a satisfação de ter um
prefeito humano e solidário como Publio Chaves. E eu continuava fazendo o
meu trabalho, informando a população às realizações daquela
administração que marcava época no comando da Prefeitura.
O tempo passou,
e havia chegado o ano 2000, início do terceiro milênio, de um novo
século que era considerado o século do amor, da luz, em que o homem
superaria suas próprias limitações e caminharia para a sua plena
realização, o primado do espírito, a sua marcha evolutiva em busca de
Deus.
Era também ano
eleitoral em que o povo ia julgar aquela administração que havia
iniciado um trabalho de recuperação das finanças do Município, dos
valores humanos, uma administração capaz de oferecer mais dignidade
àqueles que aqui nasceram, com mais educação, mais cultura, mais saúde e
mais desenvolvimento social.
Capítulo L
Como assessor de imprensa da prefeitura tive
o prazer de sugerir obras da administração
Por ser de
absoluta confiança do prefeito Publio Chaves, ele sempre trocava ideias
comigo, às vezes se aconselhando sobre o que iria realizar em favor da
população, querendo um sinal positivo se estava no caminho certo. Isto
porque, ele sabia que durante os meus mandatos de vereador, eu
sempre discutia com o povo as sua prioridades, por isso ele sempre
gostava de minhas sugestões, principalmente as de valorização do ser
humano.
O prefeito
Publio Chaves encerrando seu primeiro mandato, querendo prestar
uma homenagem aos funcionários públicos municipais, me perguntou o que
poderia ser feito para que os funcionários sentissem a sua gratidão no
encerrar daquele profícuo mandato como prefeito de Ituiutaba!.. Eu disse
a ele que fizesse uma festa no ginásio municipal, que reunisse todos os
funcionários e seus familiares e pensasse em um presente que
beneficiasse toda família.
Diante dessa
sugestão, ele me disse que iria além do pagamento do mês de dezembro e
do 13º salário, que seria pago no dia 23 de dezembro de 2000, ele
premiaria a todos os funcionários com uma cesta de alimentos e que seria
entregue também no dia 23, em uma grande confraternização no ginásio
poliesportivo municipal. Além da cesta, era feito sorteio entre os
funcionários de televisão, micro-ondas, bicicletas, aparelho de som,
toca fitas e vários outros brindes, que eram oferecidos pelo seu
secretariado. Assim, ele encerrou o seu primeiro mandato de bem com toda
população e com todos os funcionários públicos.
De uma forma
direta eu havia colaborado para aquela confraternização que a partir
daquela data se tornaria permanente no seu segundo mandato como prefeito
desta cidade, já que havia vencido as eleições de 2000 com uma
extraordinária vitória e que mais uma vez eu havia participado de forma
direta.
Registro neste
livro as principais realizações do prefeito Dr. Públio Chaves, por ele
ser um homem bom, honesto, dinâmico, empreendedor, que se fez líder por
suas qualidades morais, intelectuais e humanas. Realizações que ajudei a
implantar como seu assessor de imprensa.

Prefeito Publio Chaves - 1º Mandato de Prefeito
Mas vamos
em frente. Por seus méritos, Publio Chaves foi eleito presidente da
AMVAP – Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Paranaíba
–, pelos prefeitos que a integram, em 29 de janeiro de 1999, sendo
re-eleito para o cargo, em 8 de janeiro de 2000. Com uma administração
pautada na competência administrativa por ele desenvolvida, foi indicado
para a presidência da FEMAM – Federação Mineira das Associações
Microrregionais –, sendo eleito presidente em 31 de janeiro de 2000.
Após o seu primeiro mandato, foi re-eleito presidente em 10 de abril de
2001.
Em julho de
2002, recebeu no Palácio do Itamaraty, das mãos do presidente da
República, Fernando Henrique Cardoso, “Menção Honrosa”, pelo cumprimento
da Lei de Responsabilidade Fiscal. Todos esses atos eu cobri como
assessor de imprensa.
No seu primeiro
mandato como prefeito, Públio Chaves, no comando da Prefeitura de
Ituiutaba, assumiu a SAE – Superintendência de Água e Esgotos de
Ituiutaba –, que era uma autarquia administrada pela FUNASA – Fundação
Nacional de Saúde.
Com
investimentos de 1997 a 2000, da ordem de R$ 6.202.119,56, montante
gasto com obras de ligação de água, redes de água, ramais de água,
ligações de esgoto, redes de esgoto, ramais de esgoto e com uma das mais
importantes obras de seu governo, a ERPAI – Estação de Recuperação,
Proteção Ambiental de Ituiutaba –, hoje responsável pelo tratamento de
92% do esgoto coletado. Essa obra teve início no governo do prefeito
João Batista Arantes da Silva. Nesse mesmo período à SAE obteve o
certificado ISO 9000 e, consequentemente, conquistou o certificado ISO
9001, o que comprova sua excelência no tratamento de água.
Sua gestão reformou e tombou o prédio da
Casa da Cultura e tombou o Teatro Vianinha, foram asfaltadas cerca de
95% das vias públicas da cidade, dotadas de toda infra-estrutura como
redes água, esgotos e energia. Foi também feito, excelente trabalho pela
Secretaria de Obras, através da Comissão Municipal de Trânsito, quanto à
sinalização e colocação de semáforos, construção de rotatórias em todo o
perímetro urbano da cidade. O Departamento de Parques e Jardins realiza
a manutenção de praças e outros logradouros públicos, tudo isso visando
ao bem-estar da população tijucana.
Sob o aspecto econômico, a Secretária da
Fazenda, Administração e Recursos Humanos, desempenhou um trabalho
importante. Durante sua gestão, a SFARH realizou um novo cadastramento
imobiliário na cidade, possibilitando uma avaliação da real situação
econômica de Ituiutaba. Além de gerar novos impostos mostrou quais as
tendências comerciais da cidade, como a produção industrial e o setor da
prestação de serviços. Todo esse trabalho gerou um aumento da
arrecadação municipal.
Foi também feita, no primeiro mandato, a
regularização do pagamento do funcionalismo público que se encontrava
com nove meses de atraso. Já no segundo mandato, apesar da crise, o
funcionalismo foi pago dentro do mês vigente trabalhado, num valor de R$
1.000.000,00, gerando um fomento considerado, no comércio local.
O Departamento de Processamento de
Dados, implantado na sua administração, cuida do processo de
informatização e interligação de todas as secretarias e setores
relacionados à administração pública, agilizando os trabalhos e ligações
entre os vários setores de sua administração.
Ainda no aspecto econômico, o município
de Ituiutaba oferece incentivo na área da fruticultura, tendo como carro
chefe, laranja. O governo Públio Chaves oferece também meios para o
agricultor encontrar a melhor cultura a que ele se adapta, fornecendo,
ainda, preparo do solo e apoio técnico ao produtor.
O prefeito Públio Chaves ajudou todas as
entidades ligadas ao comércio local de forma geral, dando apoio às
campanhas promocionais feitas em datas especiais como Dia das Mães,
Natal e outras.
No campo industrial, beneficiou empresas
que buscavam se instalarem em um dos parques industriais da cidade
(Manoel Afonso Cancella e Antônio Baduy). Criou medidas de isenção de
impostos e deu ajuda com mão-de-obra e benfeitorias, como terraplanagem e
maquinários cedidos pelo Poder Público, para que estas empresas se
instalassem, dando oportunidade, assim, à geração de empregos.
Durante todo governo Públio Chaves, foi
desempenhado um trabalho na busca de criar novos mecanismos de fomento,
como por exemplo, a criação do Banco do Povo, o Banco da Terra. Em
parceria com o INCRA, foram desenvolvidos programas de assentamento,
doando terras que foram adquiridas pelo INCRA, beneficiando várias
famílias de agricultores que não possuíam terras para trabalhar. Com a
ajuda da EMMAG foi possível desenvolver um trabalho efetivo na zona
rural como conservação de estradas para escoamento de safras. Criou-se
também, no período de seu governo, a “Incubadora de Empresas” que
agilizou mecanismos para melhor desenvolver as atividades de pequenas
empresas, proporcionando o crescimento de Ituiutaba e de suas empresas.
Com o desmembramento da Secretaria de
Indústria e Comércio, deu origem a duas novas secretarias: a Secretaria
de Indústria, Comércio, Turismo e Serviços e a criação da Secretaria de
Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
No campo industrial mesmo a
administração procurando incentivar esse setor, existem alguns entraves
de ordem financeira e econômica, que às vezes impede a implantação de
novas indústrias. Mas mesmo assim encontrando dificuldades, as
indústrias se instalaram na cidade, por exemplo: o Frigorífico Bertin,
Novartis Seeds (atual Syngenta) Laticínio Canto de Minas. Na área
comercial foram doadas áreas de terreno no Distrito Industrial Manoel
Afonso Cancella e Antônio Baduy, para:
- Tricel – Triângulo Construções Elétrica – 8.000 metros quadrados;
- Mult Óleos Vegetais – 19.000 metros quadrados;
- Cerrado Indústria e Comércio Ltda. – 41 mil metros quadrados;
- Frigorífico de Peixes Oliveira e Carvalho – 15 mil metros quadrados;
- Nutrimel Comercial Ltda. – 1.520 metros quadrados.
No período de 1.997 a 2.000, a
administração desenvolveu o PROMAP, para beneficiar os pequenos e médios
produtores agrícolas, com o prepara do solo, doação de adubo,
conservação do solo, proteção de mananciais, dando total apoio ao
plantio de cana para silagem, nas propriedades rurais. Além de tudo
isso, promove a conservação das estradas rurais por intermédio da EMMAG,
para escoamento da produção rural.
Na atual administração o agronegócio
contribui com 73% do PIB municipal, sendo que só a agropecuária é
responsável por 10% do PIB total do município.
No período de 1997/2.000 foram atendidos
pelo PROMAP 124 produtores; de 1998/1999, 133 produtores; de
1999/2.000, 195 produtores e de 2.000/2001, 175 produtores, num total de
733 hectares assistidos.
Oito comunidades foram beneficiadas como o Programa:
Comunidade da Canoa; Córrego do Açude;
Campo Alegre; Córrego da Chácara; São Vicente; São Lourenço; Santa Rita.
Os benefícios concedidos anualmente são: preparo de solo 300 ha. e
adubo 90 toneladas, com um gasto médio de R$ 74.100,00.
A administração tem desenvolvido em
parceria com o Ministério da Agricultura e Abastecimento o programa
municipal de energia elétrica, beneficiando 20 moradores no São
Lourenço, com a extensão de 13 km de rede, 21 moradores no Córrego de
Açude, Canoa, Campo Alegre e São Vicente, num total de 07 km de rede e
mais 32 moradores na Santa Rita, Córrego da Chácara, Pântano e Campo
Alegre, 13 km de rede, totalizando nas três etapas 73 moradores
beneficiados e num total de 33 km de rede.
O Programa de Microbacia Hidrográfica desenvolvido no São Lourenço beneficiou:
1ª etapa de 1997/1998 – 585 há;
2ª etapa de 1998/1999 – 450 há.
A Secretaria de Agricultura cadastrou 65
produtores de hortaliças, e adquiriu uma pequena frota de mine tratores
destinadas ao cultivo de hortaliças, todos esses fatos que deram origem
a formação da COOPERVAT – Cooperativa dos Produtores de
Hortifrutigranjeiros do Vale do Tijuco.
Através do Banco da Terra Implantado no
município graças ao interesse do prefeito Públio, já foram assentadas
três associações: Associação de dos Agricultores Souza Santos,
beneficiando 18famílias;
Associação dos Produtores Rurais do Córrego dos Pilões, beneficiando 10 famílias;
Associação Unidos do Santo Antônio, beneficiando 11 famílias.
Mais três associações estão em processo de assentamento, com os projetos já aprovados:
Associação dos Agricultores Familiares do Vale da Esperança beneficiará seis famílias;
Associação dos Agricultores Familiares do Pontal beneficiará 28 famílias;
Associação dos Agricultores Familiares do Pontal 2, beneficiará oito famílias.
Durante os dois mandatos do prefeito
Públio Chaves, as estradas rurais do município mereceram atenção
especial, com a aquisição de patrulha mecanizada foi possível patrolar,
encascalhar, fazer curva de nível e bolsões para tirar enxurrada das
principais estradas, reformar e construir pontes e mata-burros das
regiões do São Lourenço, Santa Rita, pontinhas, Divisa, Rio da Prata,
Salto, Divisa, Córrego da Chácara, Campina Verde, Córrego do Açude,
Canoa, Baixadão, Baú Velho, Três Vendas, Serra da Aroeira, Bauzinho,
Bastos, Ritirinho, dentre outras.
O prefeito preocupado com os moradores
dos bairros implantou nos seus dois mandatos no comando da
municipalidade, um programa especial de pavimentação de bairros,
asfaltando 43 bairros e recapeando grande parte do centro.
De janeiro de 1997 até 31 de dezembro de 2004, foram pavimentados 1.128. 204,75 metros quadrados de asfalto.
Foram recapeados mais de 398.234,78
metros quadrados de pavimento, no centro e em algumas ruas dos bairros
Progresso, Junqueira, Platina, Natal, Independência.
Meio Fio e Sarjeta – 250.105,20 ml
Rede Pluvial / Drenagem – 16.186,00 ml
Capítulo LI
SEGUNDO MANDATO DO PREFEITO
PÚBLIO CHAVES 2001 A 2004.

Entrevista coletiva - Dr. Publio fala de seu segundo mandato de prefeito
O prefeito tocador
de obras incrementando ainda mais o seu governo, numa pareceria da
Prefeitura e o Grupo João Lira, da Triálcool, ampliou e reformou a pista
do aeroporto Tito Teixeira, de 1.200 metros, passou para 1.800 metros
de comprimento, por 30 de largura.
Construiu nas escolas municipais 10
quadras poliesportivas cobertas, propiciando aos alunos a prática de
esportes especializados, como voleibol, handebol, basquete e futsal.
Construiu e reformou várias escolas na cidade e na zona rural, destacando-se:
- Escola Municipal Bernardo José Fraco, São Lourenço;
- Escola Municipal Quirino de Morais – Campo Alegre;
- Reforma e construção de salas de aula na EMMA;
- Construção de refeitório da EMMA;
- Reforma e ampliação da Escola Manoel Alves Vilela;
- Reforma e Ampliação da Escola Professor Francisco de Lorena – Vila Miisa;
- Reforma e ampliação da Escola M. Tancredo de Paula – B. Gardênia;
- Reforma e ampliação da Escola M. Hugo de oliveira Carvalho
- Reforma e ampliação da Escola M. Aida Andrade Chaves – B. Satélite Andradina;
- Reforma e ampliação da Escola Municipal Agrícola – Córrego do Açude;
- Reforma e ampliação da Escola M. José Arcênio de Paula – Córrego da Chácara.
- Construção de creche, anexa a escola Ainda Chaves – B. Satélite Andradina;
- Reforma e ampliação da Escola Sarah Feres.
- Criação do CEMAP – Centro Municipal de Assistência Pedagógica e Aperfeiçoamento Permanente de Professores;
- Municipalização das escolas Professor
Ildefonso Mascarenhas da Silva (1ª a 4ª) e Escola Estadual Padre João
Avi (Hoje Escola municipal Manoel Alves Vilela);
- Construiu a Escola Municipal Nadime Derze, no Bairro Jerônimo Mendonça;
- Transporte de 9.800 alunos/dia para as
escolas estaduais e municipais, do ensino médio, fundamental e
infantil, nos três turnos;
- Conservatório Estadual de Música Dr. José Zóccoli de Andrade, conseguido durante seu primeiro mandato;
- Implantação do curso Pré-Vestibular em
16/03/98, na Escola Municipal Machado de Assis, em parceria com
ISEPI/16ª SER, Fundação Municipal Zumbi dos Palmares.
Saúde
A administração Públio Chaves se
destacou na área de saúde, com a construção de duas Unidades de Saúde,
uma situada no Bairro Independência – Unidade de Saúde 1 “Carlos Modesto
dos Santos”, responsável por tratamento especializado de doenças e
Unidade de Saúde 2 “Pelina Novaes”, destina-se ao tratamento de crianças
e gestantes, situado no Bairro Progresso.
Implantou cinco unidades do Programa de Saúde da Família (PSF):
Jardim do Rosário, Novo Tempo 2,
Alvorada, Caic e Novo horizonte, cobrindo mais de 20% da população com
atendimento à campo, com visitas domiciliares, educação em saúde,
reuniões e caminhadas, com o médico da família, enfermeiros e agentes de
saúde, com atendimento semanal de 40 horas.
Reformou e ampliou o Posto de Saúde do
Bairro Jardim do Rosário, hoje sede do PSF; posto de Saúde Natal,
Platina, Tupã, Pirapitinga, Sol Nascente 2, Maria Vilela e Caic.
Alugou o prédio onde funcionava o
Hospital São Judas Tadeu e implantou o Hospital e Pronto Socorro
Municipal “Darci Furtado”, tirando o PS do porão do Hospital São José.
Implantou diversos programas de saúde e
tem atendimento nas seguintes áreas - Clínica médica; Cardiologia,
Neurologia; Psiquiatria, Urologia; Ortopedia; Ginecologia, Obstetrícia,
Dermatologia; Otorrinolaringologia e Psicologia, dentre outros
atendimentos.
O prefeito Públio Chaves preocupado em
realizar obras que engrandecem aqueles delas usufrui, projetou e
iniciou, a construção do lago Camilo Chaves Neto, próximo aos bairros,
Natal, Jerônimo Mendonça e Novo Tempo 2. Além de ser uma conquista na
área de lazer e turismo, será sem dúvida um grande reservatório de água
para a cidade.
O governo Públio Chaves mantém, desde o
início de seu primeiro mandato, em plena atividade, o Departamento de
Desenvolvimento Social, comandado pela primeira dama, Marilene Alves
Chaves. O DDS desenvolve amplos projetos na área social, beneficiando
crianças e adolescentes, com vários programas implantados, os quais
visam minimizar o sofrimento de famílias carentes. Dentre estes projetos
desenvolvidos estão: Zona Azul, Eu Faço Arte, arte e Cidadania, Páscoa
para Todos, Natal das Creches, Sou Idoso, Sou Feliz, Mostra de
Artesanato, Arte Solidária, Jardineiro Mirim.
No comemorar do centenário de Ituiutaba,
o prefeito Públio Chaves, inaugurou o marco do centenário na Av. Minas
Gerais com Rua 18 e deixou gravado na placa de inauguração esse texto:
Ituiutaba comemora o seu centenário e
desperta para o novo século consciente de sua força, do futuro radiante e
do destino histórico.
Acredito que todos os ituiutabanos,
através do trabalho e da solidariedade, possam fazer do terceiro milênio
uma época de progresso, amor, compreensão, luz e paz para toda a
humanidade.
Torna-se importante deixar aos pósteros o
exemplo de um município atento às necessidades comunitárias, alicerçado
na consciência da lei e da liberdade e na comunhão dos mais nobres
ideais.
Obras que marcaram a administração Públio Chaves:

Estação de captação de água do São
Lourenço e da transposição de água do Rio Tijuco
- Construídos 01 milhão e 128 mil m2 de asfalto
- Foram recapeados 398.234,78 m2 de asfalto
-Transposição das águas do Rio Tijuco para o São Lourenço
- 43 bairros receberam pavimentação asfáltica
- Extensão de 250.105,20 ml de meios-fios e sarjetas
- 100% de energia elétrica no perímetro urbano
- 9.800 alunos são transportados todos os dias
- 100% da população recebem água tratada em suas casas
- 98% de esgoto sanitário coletado e 70% de esgoto tratado
- Construídos 49.895,00 ml de esgoto sanitário
- Estendidos 53.763,00 ml de redes de água
- 540 mil pessoas atendidas nas unidades de saúde em 2004
- Treze pontes construídas no perímetro urbano
- 2.045 famílias atendidas pelo Programa Bolsa Escola
- R$ 2.630.000,00 investidos na aquisição de veículos máquinas
- Construídas 10 quadras poliesportivas cobertas e mais 2 projetadas
- Milhares de crianças, adolescentes e idosos atendidos pelos
programas do Departamento de Desenvolvimento Social
- Pagamento de salários e fornecedores em dia
- Apoio aos produtores rurais para crescimento da produção agrícola
- Apoio e incentivo às empresas e crescimento da oferta de empregos
- 98.256,17 mil m2 de áreas cedidas para instalação de empresas
- Bolsas de estudo para estudantes carentes (PREVESTI)
- CEMAP ministrou 100 cursos de
reciclagem de professores e diretores de escolas municipais, estaduais e
particulares de Ituiutaba e região
- Menção Honrosa pelo cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, solenidade em Brasília – Palácio Itamaraty
- Construídas duas Unidades de Saúde, no setor Sul e no Bairro Progresso
- Aterro Sanitário (Estação de Tratamento de resíduos Sólidos)
- Foram implantados cinco PSF (Programa de Saúde da Família)
- Instituiu a Carta do Sol

Estação de captação de água do Rio Tijuco construída na represa da usina Salto de Morais
Capítulo LII
TERCEIRO MANDATO
Com o Slogan:
“o Povo na prefeitura”, Públio Chaves disputou e saiu vitorioso nas
eleições de 5 de outubro de 2008, conquistando mais uma vez o comando da
Prefeitura de Ituiutaba. Governou de 2 de janeiro de 2009 a 8 de março
de 2010.
Sua principal meta nesse 3° mandato era a
valorização do ser humano. Até instituiu um novo Slogan para sua
terceira administração: "Crescer e Valorizar, às Pessoas".
Para que o slogan de
sua administração realmente fosse o retrato de seu governo, o
prefeito não perdeu tempo, elaborou e mandou para Câmara Municipal um
projeto criando a Secretaria de Desenvolvimento Social
(SEDES), instrumento de promoção da pessoa humana estabelecendo
mecanismo para implantar projetos que realmente promovam a
inclusão social.
Além disso, o prefeito Públio
Chaves iniciou uma peregrinação em Belo Horizonte e Brasília,
mantendo contato permanente com deputados estaduais e federais,
senadores, governador, Aécio Neves, vice-presidente da república,
José Alencar e com o próprio presidente, Luiz Inácio Lula da
Silva, em busca de benefícios que promovessem o desenvolvimento
desta terra de São José do Tijuco, sua cidade natal.
Mantendo um bom relacionamento, nas
duas esferas, estadual e federal, o prefeito iniciava processo para
construir em Ituiutaba, casas populares para atender famílias que
ganham de 1 a 3 salários mínimos. Logrou êxito, pois nos
meados de 2009, ano que iniciou o seu terceiro mandato no comando do
Município, conseguiu junto ao governo Federal, a construção de
centenas da casas populares, do Programa "Minha Casa Minha Vida,
totalizando 1.328 unidades habitacionais, financiadas pela Caixa
Econômica Federal, conjuntos Buritis e Canaã 1 e 2, além de ter
conseguido também a construção de unidades para pessoas carentes,
desprovidas de maiores recursos financeiros, do Ministério de
Desenvolvimento Social, 84 casas populares do Residencial Tupã.
Junto ao Governo Estadual, Programa
Lares Gerais, conseguiu junto a COHAB/MG, a construção de 232 unidades,
no Residencial Carlos Dias Leite, casas estas programadas para
serem entregues em 2010. Outra grande iniciativa do prefeito Públio
Chaves e de seu vice-prefeito, Luiz Pedro, foi conseguir junto ao
governo federal, a fundo perdido recursos da ordem de quase R$
6.000.000,00 para canalização do Córrego São José, numa
extensão de 584 metros lineares, canalização esta da
Rua 38 até a Av. Minas Gerais, obra prevista para ser entregue
em 10 meses, iniciada nos meados de abril de 2010.
Reabertura do 2º grau na Escola
Municipal Machado de Assis (EMMA), com a construção de 8 salas de
aula para abrigá-lo. Recapeamento asfáltico de 150 mil metros quadrados
de asfalto em ruas que já não comportava mais a operação tapa buraco.
Implantação do projeto excelência em etanol em parceria Governo
Federal, Governo Estadual, Prefeitura, UFU e CNAA.
Públio Chaves continuou sua
administração até que no dia 8 de março de 2010, na inauguração de
outra grande conquista de seu governo, a inauguração do IFTM -
Instituto Federal do Triângulo Mineiro sofreu infarto agudo do
miocárdio, provocado por stress emocional, devido duras críticas que
vinha sofrendo de um dos seus mais terríveis inimigos político, Sr. Fued
Dib, tendo que se licenciar para tratamento de saúde, assumindo o
comando do município, o vice-prefeito, Dr. Luiz Pedro Corrêa do Carmo.
Por todos esses feitos conquistados pelo
povo, através da capacidade impar de governar de Públio Chaves, seu
nome sempre haverá de estar entre os grandes homens que fizeram desta
terra de São José do tijuco, um marco de desenvolvimento, vocacionados
pelo trabalho empreendedor, registraram nos anais da história, a sua
passagem realizadora, de obras e feitos que mudaram os rumos da pequena
Vila Platina, transformada na grande e desenvolvida metrópole do Pontal
do Triângulo Mineiro “Ituiutaba”. Muito obrigado Públio Chaves, por tudo
que você construiu para engrandecer esta terra generosa e abençoada,
banhadas pelas águas turvas do Rio Tijuco.
Registro que todas essas obras aqui
transcritas foram motivo de várias matérias que produzi como Assessor de
Imprensa da Prefeitura, mas em meu livro, o faço como a minha homenagem
ao grande e eterno prefeito, Dr. Publio Chaves “Senhor Educação”.
Capítulo LIII
Senador José Alencar: Amigo de Ituiutaba e
meu amigo particular

Hairton e o vice-presidente da república José Alencar
O
senador José Alencar participou ativamente da eleição de 2000, quando
elegemos Publio Chaves para o segundo mandato de prefeito. Sempre que
vinha a esta cidade participava de encontro promovido pelo PMDB. O
senador, com toda simplicidade que caracterizou sua existência, contava
para nós tópicos de sua vida, desde quando havia saído, com quinze anos
de idade, da zona rural para a cidade de Muriaé/MG, onde nasceu. Das
vezes que aqui esteve e que se reunia conosco, mesmo antes de se eleger
senador e depois participar da campanha vitoriosa que elegeu o Dr.
Publio Chaves prefeito desta cidade, eu tive a oportunidade de
entrevistá-lo.
Ele sempre
dizia com toda sua simplicidade: “Hairton, você deve gostar demais de
mim ou então me acha muito importante, porque sempre que aqui venho você
me entrevista”.
Eu sempre
respondia para ele: “amigo Dr. José Alencar, eu é que me sinto muito
honrado em ter a oportunidade de estar perto de uma pessoa
extraordinária como é o amigo, de entrevistá-lo, de poder assimilar um
pouco a sua experiência de vida, um homem tão importante e bom como você
é para nós, mas especialmente para o povo mineiro e para o povo
brasileiro”.
Dr. José
Alencar implantou e construiu em Ituiutaba a sede do SESI – Serviço
Social da Indústria –, quando foi presidente desta entidade.
O Dr. Zé
Alencar quando foi candidato e se elegeu Senador da República, em 1998,
deixou entregue ao presidente do PMDB desta cidade, Rui Drummond, a
incumbência de indicar na sua chapa, o candidato a suplente ao senado da
república. Rui Drummond, por questões políticas, indicou o Aelton
Freitas, de Iturama, que seria candidato a deputado federal, e que
poderia naquela hora, atrapalhar a eleição de Romel Anísio Jorge, para
deputado federal, já que o mesmo dependia dos votos daquela região para
se eleger. Viu como são as coisas!..
Quero
deixar registrado aqui, nesta menção ao grande mineiro e brasileiro, Dr.
José Alencar, as minhas homenagens pelo exemplo de fé e perseverança
que deixou. Pelo amor a vida. Nas horas mais difíceis, quando a morte
bateu à sua porta, reagiu e disse: “Não temo a morte, porque não a
conheço, temo sim a desonra”. Que Deus ilumine seu espírito e acalente
sua família e o povo brasileiro que perdeu esse exemplo de ser humano.
Capítulo LIV
Meu sobrinho Heine Alemangne criador do
Spray do futebol só conseguiu aprová-lo
na FIFA porque acreditou!

Heine Alemangne Vilarinho Dias
Acreditar esta é
a palavra chave! Foi assim que o meu sobrinho Heine Alemangne Vilarinho
Dias, depois de doze anos de luta conseguiu ter o reconhecimento da
FIFA, para essa importante ferramenta, demarcadora dos 9,15m da barreira
do futebol. A caminhada foi longa, o caminho árduo e espinhoso.
Por sua paixão
pelo futebol, em 2000 assistindo pela TV – Brasil X Argentina, viu o
apresentador Galvão Bueno, narrador de futebol fazer está afirmação:
“quero ver o dia que um juiz irá conseguir fazer a barreira se
posicionar corretamente para cobrança de falta”. Segundo Heine haveria
de ter um jeito, um produto simples e barato, biodegradável que marcasse
e desaparecesse depois de algum tempo, que fizesse uma linha reta, que
fosse branco ou colorido para gramados verdes e cobertos de neve. Saiu
da frente da televisão e foi para o banheiro, pegou o tubo de espuma de
barbear e marcou a linha em seu braço. Deu certo! Tinha descoberto à
solução para o posicionamento da barreira do futebol. Seria uma idéia
global, formatou tudo e levou a Federação Mineira de Futebol. A imprensa
na época disse que a idéia era genial de tão simples.

Spray
Depois de mostrar a
sua descoberta para a Federação Mineira, levou seu invento para CBF –
Confederação Brasileira de Futebol que não teve dúvidas, oficializou e
tornou uso obrigatório em todos s campeonatos realizados no país, o
Spray demarcador dos 9,15m da barreira do Futebol. Nesta empreitada
Heine contou inicialmente com o apoio de seus familiares, especialmente o
meu, Hairton Dias, seu tio, que consegui junto ao prefeito Públio
Chaves, com aprovação da Câmara Municipal, aporte financeiro para ele
continuar buscando o reconhecimento da FIFA, pois a partir da aprovação
pela CBF, a próxima etapa a ser vencida seria convencer os dirigentes do
futebol mundial e da própria Federação Internacional do Futebol
Associado (FIFA), a testar aquela ideia revolucionária, que havia
resolvido o problema da barreira que agora se posicionava correto, na
cobrança de falta próxima a grande área. A luta foi titânica, cansativa,
mas compensadora. Segundo o próprio Heine, a aprovação de seu invento
pela FIFA só aconteceu porque ele acreditou, correu atrás, não desistiu,
quando ouvia um não, era estímulo para continuar mostrando aos líderes
maiores do futebol aquela ideia que havia resolvido de vez a posição da
barreira durante uma partida de futebol.
O Spray que foi
aprovado pela FIFA, em 2012, mas só seria usado oficialmente pela
entidade maior do futebol mundial, na Copa do Mundo realizada no Brasil,
em 2014.
Eu quero manifestar,
ao meu sobrinho, criador do Spray demarcador da barreira do futebol,
Heine Alemangne Vilarinho Dias, a minha mais expressiva homenagem por
ele ter contribuído de forma revolucionária com a solução de um dos
problemas difíceis que enfrentava o futebol, o posicionamento correto da
barreira durante a realização de uma partida de futebol, e porque, está
divulgando o nome de nossa querida Ituiutaba, além fronteiras, em todos
os países do mundo que praticam o futebol.
Capítulo LV
PMDB de Ituiutaba, dividido, lança candidato
sem expressão e perde a eleição para
prefeito em 2004
Estava chegando
o final segundo mandato do prefeito Publio Chaves, com um saldo
positivo, ter preparado a cidade para o desenvolvimento, durante os oito
anos que governou, obras importantes haviam sido feitas na área da
educação, saúde e desenvolvimento social, como já enumerei
anteriormente.
A grande
interrogação: Públio Chaves conseguiria eleger seu sucessor? Como todos
sabem o Poder é desgastante, por mais que o administrador faça, fica
muita coisa sem fazer, gerando desconfiança e a vontade da população por
mudança.
Ao processo
eleitoral foi iniciado nos dois primeiros meses de 2004. O prefeito
Públio encomendou uma pesquisa de avaliação de seu governo e da
tendência do eleitorado desta cidade para as eleições daquele ano. A
pesquisa apontou a administração que estava encerrando como boa; porém, o
clamor popular girava em torno de emprego, saúde e moradia, situação
que atinge todos os municípios brasileiros e aqui não era diferente.
Quanto à tendência do eleitorado com relação à eleição de 2004, qual o
perfil do próximo prefeito? Os eleitores de Ituiutaba indicaram que o
próximo prefeito precisava ser acima de tudo, empreendedor.
Quanto aos
possíveis nomes que atendiam a essa tendência, para minha surpresa e
satisfação, o meu nome foi lembrado por 2,37% da população que me
indicava para ser candidato a prefeito naquelas eleições. Fiquei
entusiasmado por ser lembrado pela população, pois fazia doze anos que
eu havia deixado de ser vereador.
Outros nomes
também foram lembrados, como de Luiz Pedro, Ricardo Duarte, professor
Teco, Samir Tannus, Fued Dib, deputado Romel Anísio Jorge, Toninho
Gouveia, dentre outros.
Diante daquele quadro, o que fiz,
procurei o diretório do PMDB, que naquela oportunidade estava novamente
sendo dirigido por Rui Drummond. Não senti muita firmeza no presidente
do partido ao me dizer que eu devia trabalhar meu nome para ser indicado
candidato do partido nas eleições de 2004. Em seguida procurei o
prefeito, Públio Chaves, de quem eu era assessor de imprensa há oito
anos. O que ouvi não podia ser diferente, hipotecou total apoio e
solidariedade a uma possível candidatura minha a prefeito, para
sucedê-lo no comando da prefeitura. Fiquei novamente entusiasmado e
comecei a fazer trabalho junto aos membros do diretório do partido e
junto às minhas bases.
Fora essa
disputa, que poderia ser tranquila dentro do PMDB, havia outra
preocupação, por falta, acredito de habilidade da direção do partido,
cinco vereadores da legenda na Câmara foram expulsos do partido, por não
seguirem as orientações do presidente, por manterem uma conduta de
independência, coisa que não era aceita por ele. Se não bastasse, por
injunção dentro do partido, o secretário de saúde da administração
Públio Chaves, Dr. Luiz Pedro deixou o PMDB e filiou-se PPS, juntamente
com vários vereadores que haviam sido expulsos do partido, por Rui
Drummond.
Outro que havia
deixado a legenda, por incompatibilidade com a presidência do partido,
foi o ex-prefeito Fued Dib. Então, vejam o quadro que se apresentava
para as eleições daquele ano. Nomes que poderiam facilmente vencer a
eleição para o partido, uns foram expulsos e outros tiveram que deixar o
partido se quizessem ser candidato a qualquer cargo. Deu para entender
que a vida inteira eu tinha razão, quando me posicionei contra esse
estado de coisas, de fazer parte de um partido, onde um só mandava.
O prefeito
Publio Chaves a tudo isso assistiu sem se posicionar a favor de ninguém,
segundo ele “temendo agravar inda mais a situação quanto à sua
sucessão”.
Bem, acreditei
que havia chegado a minha vez, por toda a minha história de luta dentro
do partido, desde a sua fundação, em 1969, pela minha fidelidade, por
meu ideal de servir a cidade que havia me recebido como filho na década
de cinquenta. De todos os nomes que poderia vir disputar a prefeitura o
meu nome do PMDB, era o mais popular e havia aparecido na pesquisa que o
prefeito Publio Chaves havia encomendado.
Eu só tinha uma
deficiência: não era rico. Vinha das camadas populares, era
trabalhador, como milhões de existem nesse país. Isso me parecia não ser
muito bem aceito pelo presidente do PMDB, meu amigo Rui Drummond, caso
eu viesse ser escolhido candidato ele teria que bancar minha
candidatura. De uma hora para outra, ele tirou da cartola, como num
passe de mágica, outro nome para disputar a convenção do partido que
seria realizada no último domingo do mês de junho de 2004. Toninho
Gouveia, homem muito rico, pertencente a uma das famílias tradicionais
de Ituiutaba, gente boa, meu amigo, porém, sem nenhuma experiência
política que pudesse ter como trunfo junto ao eleitorado. Era só rico e
empresário, no ramo de cooperativa, e nada mais.
Ao contrário,
eu tinha um currículo na vida pública que me credenciava a ser o
candidato do partido. Sempre fui democrata, nunca usei do poder que tive
durante os anos de mandato como vereador para cercear o direito de
ninguém em situação nenhuma, o que sempre reclamei foi à forma como o
comando político do PMDB agia em relação aos companheiros, quando algum
pleiteava qualquer exercício democrático de representação partidária, o
tratamento era desigual para aqueles que pensavam e agiam diferentemente
da presidência.
Assim aconteceu
comigo, amais uma vez. Ao se aproximar o dia da convenção,
intensifiquei o trabalho junto às bases e aos filiados membros do
diretório, solicitando desses que me indicassem como candidato a
prefeito para suceder Publio Chaves. Sabem o que descobri? O presidente
do PMDB, mais uma vez, se colocava contra minha intenção de ser
candidato do partido, pois quando descobri que eu iria ser indicado
pelos convencionais, ele visitou a todos pedindo-lhes que votassem em
Toninho Gouveia, inclusive advertiu alguns que eram funcionários da
prefeitura em cargos de confiança. Esse relato foi feito à minha pessoa
por um desses nomes, o meu amigo e companheiro Jairo de Oliveira
(Jairinho), que disse que ia votar em mim, ouvindo essa afirmação em tom
ameaçador, do meu amigo Rui Drummond: “Você é que sabe, se você votar
no Hairton Dias”...
Pois é, fui
mais uma vez rejeitado pela direção do partido, que nem teve a visão que
eu podia ser um candidato a prefeito vitorioso, e na pior das
hipóteses, vice. Mas nada disso aconteceu. Sentindo-me mais uma vez
discriminado, não fui para a convenção, pois estava tudo arrumado para o
Toninho Gouveia ser candidato do Rui. Só que depois de sua escolha,
ninguém queria ser seu vice e o partido não tinha também nome popular
que pudesse agradar a população e que se transformasse em uma boa
dobradinha para vencer aquela eleição.
Capítulo LVI
Três candidatos oriundos do PMDB disputaram
a eleição, mas cada um em partidos diferentes
Com três
candidatos na rua – Toninho Gouveia/Carlos Cesar (PMDB); Luiz Pedro
Correa do Carmo/Marco Antônio Moura Franco (PPS); Fued Dib/Abatênio
Marquez (PR/PP) –, todos oriundos do PMDB, aquela eleição iria ser
definida pelo candidato que apresentasse a melhor proposta, porque não
seria fácil suceder o prefeito que estava saindo e que fez um bom
governo. No meio daquele fogo cruzado, eu, que havia sido preterido pelo
PMDB, tinha que tomar uma posição e escolher em quem votaria entre
Toninho Gouveia, Luiz Pedro ou Fued Dib. Eu e parte de minha família
votaria em Fued Dib, e a outra votaria em Luiz Pedro, porque nessa
altura dos acontecimentos, eu não votaria em Toninho Gouveia, devido o
que o presidente do PMDB tinha feito comigo, quando da escolha dos
candidatos a prefeito, seria uma forma de dizer ao PMDB, que seus
dirigentes precisavam rever seus conceitos, seus métodos de fazer
política, porque um homem tem que valer pelas suas qualidades e não pelo
dinheiro que tem, Estava chegando o final segundo mandato do
prefeito Publio Chaves, com um saldo positivo, ter preparado a cidade
para o desenvolvimento, durante os oito anos que governou, obras
importantes haviam sido feitas na área da educação, saúde e
desenvolvimento social, como já enumerei anteriormente.
A grande
interrogação: Públio Chaves conseguiria eleger seu sucessor? Como todos
sabem o Poder é desgastante, por mais que o administrador faça, fica
muita coisa sem fazer, gerando desconfiança e a vontade da população por
mudança.
Ao processo
eleitoral foi iniciado nos dois primeiros meses de 2004. O prefeito
Públio encomendou uma pesquisa de avaliação de seu governo e da
tendência do eleitorado desta cidade para as eleições daquele ano. A
pesquisa apontou a administração que estava encerrando como boa; porém, o
clamor popular girava em torno de emprego, saúde e moradia, situação
que atinge todos os municípios brasileiros e aqui não era diferente.
Quanto à tendência do eleitorado com relação à eleição de 2004, qual o
perfil do próximo prefeito? Os eleitores de Ituiutaba indicaram que o
próximo prefeito precisava ser acima de tudo, empreendedor.
Quanto aos
possíveis nomes que atendiam a essa tendência, para minha surpresa e
satisfação, o meu nome foi lembrado por 2,37% da população que me
indicava para ser candidato a prefeito naquelas eleições. Fiquei
entusiasmado por ser lembrado pela população, pois fazia doze anos que
eu havia deixado de ser vereador.
Outros nomes
também foram lembrados, como de Luiz Pedro, Ricardo Duarte, professor
Teco, Samir Tannus, Fued Dib, deputado Romel Anísio Jorge, Toninho
Gouveia, dentre outros.
Diante daquele quadro, o que fiz,
procurei o diretório do PMDB, que naquela oportunidade estava novamente
sendo dirigido por Rui Drummond. Não senti muita firmeza no presidente
do partido ao me dizer que eu devia trabalhar meu nome para ser indicado
candidato do partido nas eleições de 2004. Em seguida procurei o
prefeito, Públio Chaves, de quem eu era assessor de imprensa há oito
anos. O que ouvi não podia ser diferente, hipotecou total apoio e
solidariedade a uma possível candidatura minha a prefeito, para
sucedê-lo no comando da prefeitura. Fiquei novamente entusiasmado e
comecei a fazer trabalho junto aos membros do diretório do partido e
junto às minhas bases.
Fora essa
disputa, que poderia ser tranquila dentro do PMDB, havia outra
preocupação, por falta, acredito de habilidade da direção do partido,
cinco vereadores da legenda na Câmara foram expulsos do partido, por não
seguirem as orientações do presidente, por manterem uma conduta de
independência, coisa que não era aceita por ele. Se não bastasse, por
injunção dentro do partido, o secretário de saúde da administração
Públio Chaves, Dr. Luiz Pedro deixou o PMDB e filiou-se PPS, juntamente
com vários vereadores que haviam sido expulsos do partido, por Rui
Drummond.
Outro que havia
deixado a legenda, por incompatibilidade com a presidência do partido,
foi o ex-prefeito Fued Dib. Então, vejam o quadro que se apresentava
para as eleições daquele ano. Nomes que poderiam facilmente vencer a
eleição para o partido, uns foram expulsos e outros tiveram que deixar o
partido se quizessem ser candidato a qualquer cargo. Deu para entender
que a vida inteira eu tinha razão, quando me posicionei contra esse
estado de coisas, de fazer parte de um partido, onde um só mandava.
O prefeito
Publio Chaves a tudo isso assistiu sem se posicionar a favor de ninguém,
segundo ele “temendo agravar inda mais a situação quanto à sua
sucessão”.
Bem, acreditei
que havia chegado a minha vez, por toda a minha história de luta dentro
do partido, desde a sua fundação, em 1969, pela minha fidelidade, por
meu ideal de servir a cidade que havia me recebido como filho na década
de cinquenta. De todos os nomes que poderia vir disputar a prefeitura o
meu nome do PMDB, era o mais popular e havia aparecido na pesquisa que o
prefeito Publio Chaves havia encomendado.
Eu só tinha um
problema: não era rico. Vinha das camadas populares, era trabalhador,
como milhões que existem nesse país. Isso me parecia não ser muito bem
aceito pelo presidente do PMDB, meu amigo Rui Drummond, caso eu viesse
ser escolhido candidato ele teria que bancar minha candidatura. De uma
hora para outra, ele tirou da cartola, como num passe de mágica, outro
nome para disputar a convenção do partido que seria realizada no último
domingo do mês de junho de 2004. Toninho Gouveia, homem muito rico,
pertencente a uma das famílias tradicionais de Ituiutaba, gente boa, meu
amigo, porém, sem nenhuma experiência política que pudesse ter como
trunfo junto ao eleitorado. Era só rico e empresário, no ramo de
cooperativa, e nada mais.
Ao contrário,
eu tinha um currículo na vida pública que me credenciava a ser o
candidato do partido. Sempre fui democrata, nunca usei do poder que tive
durante os anos de mandato como vereador para cercear o direito de
ninguém em situação nenhuma, o que sempre reclamei foi à forma como o
comando político do PMDB agia em relação aos companheiros, quando algum
pleiteava qualquer exercício democrático de representação partidária, o
tratamento era desigual para aqueles que pensavam e agiam diferentemente
da presidência.
Assim aconteceu
comigo, amais uma vez. Ao se aproximar o dia da convenção,
intensifiquei o trabalho junto às bases e aos filiados membros do
diretório, solicitando desses que me indicassem como candidato a
prefeito para suceder Publio Chaves. Sabem o que descobri? O presidente
do PMDB, mais uma vez, se colocava contra minha intenção de ser
candidato do partido, pois quando descobri que eu iria ser indicado
pelos convencionais, ele visitou a todos pedindo-lhes que votassem em
Toninho Gouveia, inclusive advertiu alguns que eram funcionários da
prefeitura em cargos de confiança. Esse relato foi feito à minha pessoa
por um desses nomes, o meu amigo e companheiro Jairo de Oliveira
(Jairinho), que disse que ia votar em mim, ouvindo essa afirmação em tom
ameaçador, do meu amigo Rui Drummond: “Você é que sabe, se você votar
no Hairton Dias”...
Pois é, fui
mais uma vez rejeitado pela direção do partido, que nem teve a visão que
eu podia ser um candidato a prefeito vitorioso, e na pior das
hipóteses, vice. Mas nada disso aconteceu. Sentindo-me mais uma vez
discriminado, não fui para a convenção, pois estava tudo arrumado para o
Toninho Gouveia ser candidato do Rui. Só que depois de sua escolha,
ninguém queria ser seu vice e o partido não tinha também nome popular
que pudesse agradar a população e que se transformasse em uma boa
dobradinha para vencer aquela eleição.
LVII
Prefeito toma posse e eu esperava continuar
dirigindo a assessoria de imprensa
A eleição de
Fued Dib significava para mim, apesar dos pesares, uma grande vitória,
porque o meu partido o PMDB, havia me rejeitado quando da escolha de
candidatos a prefeito e teve membro da direção que afirmou caso o
Toninho Gouveia vencesse aquela eleição, eu não permaneceria no cargo de
Assessor de Imprensa da Prefeitura, por ter-me posicionado naquela
eleição a favor de Fued Dib e Luiz Pedro.
Fued Dib tomou
posse no dia 1º de janeiro de 2005, no período da manhã, em solenidade
bastante concorrida. O seu primeiro ato foi exonerar todos os
funcionários da administração que havia encerrado no dia anterior,
funcionários esses que deveriam ser exonerados por Publio Chaves, mas
ele não fez isso deixando o ônus para o Fued Dib, porque a maior parte
daqueles funcionários pertencia às hostes do PMDB. Eu estava lá como
assessor de imprensa até aquele ato, pois daquele momento em diante, eu e
outros companheiros ficaríamos na dependência de ser convidado ou não
por Fued Dib, já que ele sabia que eu e parte de minha família, tinha
apoiado e votado nele.
Para que o
leitor tenha uma idéia de como agiu o Fued Dib, com relação ao meu apoio
e minha ajuda faço aqui uma narrativa de minha participação na história
e na vida política dele. Como já citei anteriormente, juntamente com
Rodolfo Leite, Sebastião Mamede, Fued Dib, e outros fundamos o MDB, que
naquela época muita gente tinha até medo de dizer o nome da sigla,
devido à repressão por parte da Revolução de 1964. O Golpe Militar.
Faço uma
retrospectiva das vezes que apoiei e votei no Fued, sem nunca ter pedido
nada em troca: 1970, 1972 e 2004, a prefeito; 1978, 1982 e 1986, a
deputado federal. Foram seis eleições consecutivas que além de votar
nele e apoiá-lo, gastei dinheiro do meu bolso para elegê-lo. Em 1986,
ele perdeu a eleição para deputado, porque não realizou um bom trabalho
no Congresso Nacional em favor de Ituiutaba e da região. Aí ele, que
sempre viveu em função da política, sem mandato político na mão, sem ter
prefeito de seu partido no Poder em Ituiutaba, entrou em depressão,
estava vivendo com muita dificuldade, sem ter a quem recorrer.
Nesse mesmo
ano, o PMDB conseguiu eleger Newton Cardoso para governador de Minas
Gerais. Para nós do PMDB parecia uma vantagem essa eleição, porque
poderíamos comandar as ações do governo no município. Inicialmente não
foi isso o que aconteceu, pois o governador Newton Cardoso convidou o
ex-prefeito Samir Tannus para ser seu Secretário de Estado do Trabalho e
Ação Social, dando um golpe no PMDB de Ituiutaba. Infelizmente isso é
próprio dos dirigentes do PMDB em todos os níveis.
Nessa época eu era vereador e Secretário
Geral do partido em Ituiutaba. Na presidência eu tinha ajudado a eleger
o companheiro Teofeu Patrocino de Morais.
Como o Fued Dib
estava passando muita dificuldade, sem ter a quem recorrer, entramos em
contato com o governador Newton Cardoso e pleiteamos, junto a ele, um
cargo no seu governo para o Fued Dib. O governador tinha uma dívida
conosco, ao indicar para a Secretaria de Estado do Trabalho, um
adversário político, Samir Tannus. Ele precisava limpar a barra conosco
do PMDB de Ituiutaba, então ele usou a seguinte estratégia: solicitou
que o pedido fosse feito por escrito e assinado pela executiva do
partido. Não sei se o governador agiu assim para nos desestimular,
porque já havíamos feito o pedido verbal, exigindo correspondência,
poderíamos queimar e não nos submetermos a esse tipo de exigência, ou se
o governador sabia que existia alguém dentro da executiva que não iria
assinar aquela correspondência reivindicatória de emprego para o Fued
Dib.
Desconsiderei
essas hipóteses, como secretário do partido, tratei logo de preparar o
documento e saí à caça das assinaturas dos companheiros: eu assinei como
secretário, o Valdir Castanheira, como tesoureiro, Acácio Cintra, como
vice-presidente, o vereador Luziano Justino Dias como líder da bancada
na Câmara, só faltava a assinatura do presidente do partido, Teofeu
Patrocínio de Morais.
Eu o procurei
para que ele, como presidente do partido, assinasse a indicação do Fued
Dib para ocupar um cargo no governo do Senhor Newton Cardoso, exigência
dele como governador. O presidente Teofeu simplesmente disse que não que
não ia assinar, porque segundo ele, o Fued, no período que foi deputado
federal, não deu a mínima para o partido e nem para os companheiros. Eu
disse a ele que o Fued estava precisando, passando até dificuldade
financeira; e apelei para que ele assinasse.
Depois de quase
uma semana de tanto eu insistir ele disse que ia assinar aquela
indicação, mas que eu ia arrepender-me, porque segundo o presidente, o
Dib não era companheiro de ninguém, que ele só pensava nele e em seus
familiares bem próximos. Conseguidas as assinaturas nós fomos a Belo
Horizonte: Teofeu, Anagê, Luziano, Valdir Castanheira e eu.
O governador
nos recebeu no Palácio dos Despachos, onde entregamos a ele o pedido de
indicação do Fued Dib para ocupar um cargo durante o seu governo.
Naquela oportunidade, pedimos também ao governador que nomeasse o Rui
Costa, era outro companheiro que precisava de ajuda, pois estava
desempregado. O governador despachou na mesma hora aqueles pedidos. Dias
depois o Fued foi indicado pelo governador Newton Cardoso para ser
Conselheiro do Tribunal de Contas e o Rui Costa para ser seu secretário.
Só que ocorreu
um fato inesperado, para o Fued assumir o Tribunal de Contas, ele, que
havia sido prefeito de 1973 a 1976, tinha que ter suas contas aprovadas
pela Câmara de vereadores, caso contrário ficaria impedido de assumir
aquele cargo tão importante. Infelizmente, como já registrei
anteriormente, o córrego São José que ele tinha canalizado havia caído
quase duzentos (200) metros lineares de canalização. Os vereadores do
PDS queriam derrotar aquela prestação de contas, segundo esses
vereadores, por irregularidades graves naquela canalização e na
prestação de contas. No dia da discução e votação daquelas contas,
entramos na reunião da Câmara às 19horas e saímos no outro dia, às sete
horas da manhã. Mas conseguimos aprovar aquelas contas e ele pode tomar
posse no Tribunal de Contas de Minas.
Antes da
eleição daquele ano que ele perdeu para deputado federal, aconteceu
outro fato que preciso relatar para que todos tomem conhecimento de
minha atuação como companheiro do Senhor Fued Dib. O ex-deputado
estadual, Luiz Alberto Franco Junqueira, com quatro mandatos da
assembléia Legislativa de Minas, proprietário na época da Rádio Platina,
tinha Fued Dib como seu desafeto, trouxe de fora um candidato por nome
Sérgio Naya para apoiar aqui em Ituiutaba. Luiz Junqueira queria se
vingar de Fued Dib, devido a falta de compromisso dele com projetos
sugeridos por ele, de interesse de Ituiutaba, queria por queria. Então
promoveu uma reunião em sua residência convidando para ela: o vereador
Ricardo Abalém, Mauro Melo, José Duran, Manoel Alves Valadão e eu –
todos os funcionários da Rádio Platina – e o candidato Sergio Naya.
Todos os companheiros radialistas ali presentes disseram que apoiariam a
candidatura Sergio Naya.
Luiz Junqueira,
então, dirigiu a pergunta ao vereador Ricardo Abalém, se ele apoiaria o
seu candidato? Abalém, para fazer média disse que aquele pedido era uma
ordem, que podia contar com ele.
Foi então que
Luiz Junqueira dirigiu a pergunta direta a mim: “vereador Hairton Dias,
posso contar com seu apoio também”? Respondi sem gaguejar:
“infelizmente, já fiz compromisso com o Fued Dib, por isso não posso
apoiar o candidato Sérgio Naya”.
Quase perdi o
emprego na Rádio Platina, por causa desse apoio a candidatura do Fued
Dib para deputado federal. Só não me mandaram embora, porque eu era
vereador, se não tinha ido pra a rua.
E tem
mais... Em 1979, quando a Revolução de 1964 acabou com o
bi-partidarismo, ou seja, com o MDB e a ARENA, criando o
pluripartidarismo, quase todos os integrantes do MDB de Ituiutaba
correram para o lado de Tancredo Neves, que deixava as hostes do
Movimento Democrático Brasileiro, para fundar, no Brasil, o Partido
Popular (PP).
Fued, que era
deputado federal, no primeiro mandato, disse para mim numa tarde daquele
ano, sentado num dos bancos da Praça do Fórum (Praça Adelino Vilela
Carvalho): “todos me abandonaram, acabei ficando sozinho, mas eles me
pagam, ainda vou dar o troco”. Naquela hora, assumi a palavra e disse a
ele: “todos, não, eu sou um dos fundadores do MDB e vou ficar, vou
ajudar a organizar o PMDB.
Filiei naquele
ano 468 eleitores de todas as classes sociais, inclusive muita gente dos
bairros, da zona rural e ajudei a organizar o Partido do Movimento
Democrático Brasileiro em Ituiutaba. Além de minha ajuda acertei com
três outros companheiros a ficarem e a participarem da organização do
PMDB: Anísio Marques dos Santos, Helis Ferreira e Youssef Gergi Sabbagh.
Agora vejam o
comportamento do “companheiro” Fued Dib comigo. Ressalto, ninguém tem
obrigação de fazer nada pelos outros, mas é só para mostrar qual foi o
comportamento dele como “companheiro” durante o período que fui
vereador.
Em 1989, quando
acabou os indexadores da moeda, no plano verão, nós, vereadores, por
falta de opção, para reajustar os salários dos vereadores, depois de
consultar à AMAM – Associação Mineira de Municípios –, por orientação
desse órgão, indicamos um indexador dos salários dos vereadores: o
salário dos servidores. E fizemos constar na Lei Orgânica do Município,
promulgada no dia 21 de abril de 1990, que o nosso salário seria
aumentado quando aumentasse o salário dos servidores municipais, se
fosse de 5%, o nosso aumento seria 5%, e assim por diante.
Sem ninguém
saber por que, o Tribunal rejeitou essas contas em 1991, e decretou que
nós teríamos de devolver uma certa quantia em dinheiro, referente ao
aumento. Todos os vereadores com quem tive a oportunidade de conversar
na época, inclusive, eu, só fomos notificados pelo Tribunal de Contas,
em 2002, portanto, onze anos depois.
Além de
não nos comunicar sobre o ocorrido, sabem quem votou contra a aprovação
das nossas contas, por causa da referida indexação, nos obrigando a
devolver a quantia recebida a mais?
Segundo o
Tribunal de Contas foi o presidente do órgão, o senhor Fued Dib, pois na
votação registrou-se empate de dois votos a dois, quem deu o voto de
minerva contra nós foi justamente ele, que teve, em 1986, suas contas
aprovadas por nós, seus companheiros. Não discuto o mérito da questão,
mas sim a falta de companheirismo do homem, que por causa dele quase
briguei com o presidente do PMDB, para ajudá-lo ter aquele emprego em um
importante órgão estadual. O Tribunal de Contas de Minas Gerais. Ele
podia pelo menos terno avisado, na época, mais nem isso fez.
Devo dizer que
não fizemos nada errado, nem usamos de má fé, se recebemos a mais foi
porque a AMAM, na época, disse que poderíamos indexar de acordo com o
aumento dos servidores públicos municipais. Aí me lembrei do que tinha
dito o presidente do PMDB, Teofeu Patrocínio de Morais, quando resistiu
assinar o documento que indicaria Fued Dib com um cargo no governo de
Minas, afirmando que ele não era companheiro de ninguém. Fued Dib provou
isso ao votar contra todos os seus companheiros, Carlos Melo, Luziano
Justino Dias, Ricardo Abalém, Walter Arantes Guimarães, Anagê Novais,
Sebastião Luiz Mamede e eu, que o tinha ajudado a vida inteira. Sem
falar nos outros vereadores que também foram punidos por eles, sem que
tenham cometido erro algum.
Fiz toda essa
narrativa, só pra provar que em todos os momentos, eu fui companheiro de
verdade dos meus “companheiros” e, portanto se o Fued Dib me mantivesse
na assessoria de imprensa da prefeitura, estaria apenas retribuindo um
pouquinho do muito que fiz por ele a vida toda. Mesmo porque, eu tinha
experiência daquela assessoria.
Capítulo LVIII
Permaneci na assessoria de imprensa,
mas vejam em que condições

Fued Dib assume segundo mandato e exonera todos os peemedebistas de sua administração
Passado o fervor da
posse, que ocorreu num sábado, dia 1º de janeiro, eu aguardava com
ansiedade a segunda-feira, dia 3, que seria decisivo para a minha
permanência à frente daquela Assessoria de Imprensa.
Inicialmente o
prefeito Fued exonerou todos os peemedebistas, em seguida nomeou todos
os secretários que integrariam o primeiro escalão do governo. Depois,
foram nomeados, o segundo e o terceiro escalão, mas meu nome não estava
lá. Desde o primeiro dia de trabalho eu me apresentei para trabalhar,
inclusive fiz toda matéria de posse e como eu tinha fotografado toda
posse, fiz um álbum de fotos e entreguei à primeira dama, senhora Maria
das Graças Dib, que me agradeceu muito.
Passou o mês de
janeiro, o mês de fevereiro e já havia chegado o mês de março e minha
nomeação nada. Durante esse período, muito apreensivo, eu perguntava ao
Secretário de Governo, Elias Hercules, sobre a minha nomeação e ele
respondia: “continua trabalhando”!
Minhas contas
estavam todas vencidas, iria fazer três meses que eu não recebia
salário. No final do mês de fevereiro, exatamente no dia 28, quando o
Fued estava chegando cedo para o trabalho, eu perguntei para ele se eu
seria nomeado, ele respondeu sem me dar muita confiança: “tem muita
futrica, vamos ver”.
Aí sim, fiquei
muito mais preocupado e apreensivo, imaginando que tipo de entrigas
estariam fazendo para me prejudicar. Eu nem imaginava que tipo de
intriga estava sendo feita pelo vice-prefeito, Abatênio Marquez, e pelos
que tinham participado de sua campanha, gente do ex-prefeito e deputado
Romel Anísio.
Quando fiquei
sabendo disso, pelo meu amigo e companheiro Walter Arantes Guimarães,
que era naquela hora presidente o PR, portanto que tinha dado
sustentação à candidatura e contribuído para a vitória do Fued
naquela eleição, pensei comigo mesmo: “não vão me nomear”.
Então resolvi
estabelecer uma estratégia: no dia seguinte bem cedo fui para a
prefeitura, cheguei uns quinze minutos antes do Fued e quando ele
chegou, perguntei se podia falar com ele no gabinete, ele respondeu que
sim. Subimos juntos para o gabinete e eu lhe disse: “bem, Fued, à vida
inteira te ajudei, será que tudo isso não é suficiente para que eu possa
fazer parte do seu governo”? Como todos sabem, ele, que é muito
prolixo, assumiu a palavra e disse: “olha, Hairton, tem muita gente
querendo a sua cabeça, mas resolvi, até nem sei o porquê, vou te
nomear”.
Indaguei que
tipo de fofoca havia sido feito sobre mim, que estava impedindo aquela
nomeação, ele não quis dizer, então, para não me desgastar, o agradeci
pela atenção e sai do gabinete, na expectativa de ser nomeado, pois
significava para mim, naquela altura dos fatos uma vitória, muito
difícil, como todas que conquistei na vida.
Isso ocorreu no
dia 11 de março. No dia 14, na segunda-feira, o ex-vereador José
Arantes entrou na minha sala, na assessoria de imprensa, e disse para
mim que eu ia ser nomeado, mas não era como eu estava esperando. Ele
saiu e foi embora.
No dia 16 de
março de 2005, no período da tarde, fui realmente nomeado, mas não no
cargo que eu ocupava, mas sim em um outro cargo, abaixo de
diretor, que eu ocupava naquela assessoria. Meu salário caiu pela
metade. Foi uma paulada que levei na cabeça, dada pelo Fued Dib, mesmo
ele tendo me nomeado. Não foi só porque havia me rebaixado de posto, ele
nomeou também para trabalhar na assessoria uma pessoa chamada Geiza,
sua tradicional inimiga política, rancorosa, persequidora, tudo que
podia fazer de ruim para os outros, ela era capaz de fazer. Ela foi
nomeada no SC-2 no cargo que eu ocupava, mas na verdade quem fazia
praticamente a maior parte das matérias era eu. Ela, muita vezes, nem ia
lá. Tive que aceitar, pois já fazia três meses que eu não recebia nem
um centavo para pagar minhas contas.
O mais grave
dessa história veio depois... Eu fiquei doente, peguei dengue e, para
complicar, descobri, por acaso que estava com uma artéria entupida, isto
foi descoberto, porque um dia passei muito mal e fui parar no médico,
ele fez um eletrocardiograma em mim, dando isquemia no miocárdio, fiz
depois um cateterismo e comprovou-se a obstrução coronária.
Mas, voltando
ao Fued... Além dele ter nomeado uma pessoa muito difícil de
convivência, ele deve ter orientado aquela pessoa para que toda matéria
feita por mim, teria que passar por uma censura prévia, aquilo me
pareceu que era para mim pedir exoneração da minha função. Tive que
aquentar, pois estava doente, doença que agravava a cada dia, com aquela
posição imposta ao meu trabalho. Eu que toda vida acreditei nele, Fued,
e nunca ter feito restrições ao seu trabalho. Fui parar no chão, perdi
minha autoestima e tinha ainda que colocar um stend em uma de minhas
artérias, para desobstruí-la, e não sabia como proceder, pois a cirurgia
era muito cara. Humilhei-me e fui pedir ajuda ao Fued, por intermédio
do secretário de governo, Elias Hércules, pois naquela altura dos
acontecimentos eu não tinha mais coragem de entrar no gabinete e ver a
cara daquele homem que ajudei a vida toda e que estava agora me dando o
troco com indiferença. Pedi um carro pra me levar urgente a São Paulo,
porque a minha artéria direita estava com 80% de obstrução e eu podia
sofrer um infarto a qualquer momento.
Vocês vão ficar
pasmos com a resposta que me foi dada pelo secretário Elias Hercules,
que não iam me ajudar não, e nem arrumar carro para me levar a São
Paulo, porque eu não era tão importante assim. Ao ouvir aquela
resposta imaginei: “certamente vou morrer, porque no momento não
disponho de recursos para fazer esse tipo de locomoção e nem realizar
esse tipo de cirurgia. Jamais tinha imaginado em minha vida viver uma
situação daquelas. Quem eu havia ajudado a vida inteira estava me
largando à margem do caminho, entregue ao meu próprio destino. Numa hora
dessas acredito, a gente tem que ajudar até um inimigo, quanto mais um
amigo que eu era.
Um ano antes
dele se tornar prefeito, ele sofreu uma crise cardíaca e foi parar na
UTI do Hospital nossa Senhora da Abadia, sabe quem foi visitá-lo, apesar
de toda a indiferença dele comigo? Eu, o prefeito Publio Chaves e o
secretário de Saúde, Dr. Luiz Pedro, fomos levar a ele a nossa
solidariedade.
Interessante, existe um ditado popular que afirma: “se queres conhecer
uma pessoa, coma um saco de sal com ela”. Infelizmente, eu comi muitos
sacos de sal com o Fued Dib, mas confesso só fui descobrir de verdade
quem ele era depois do que ele fez comigo e com outro companheiro,
Luziano Justino Dias, até então, certamente, eu estava inebriado pelo
canto da Sereia, podem acreditar nisso.
Todo mundo sabe
que o Fued se candidatou a prefeito no (PR) Partido da República, mas
até isso acontecer quem o ajudou a chegar s ser candidato a prefeito foi
o ex-vereador Luziano Justino Dias, que mesmo estando operado, quase
impossibilitado de andar, saiu com esse ingrato a tiracolo e ajudou a
garantir sua candidatura, pois se dependesse só dele, não tinha a menor
chance, pois tinha sido botado para correr do PMDB, que ele abandonou
depois de ser indicado por nós, para ocupar um cargo no Governo de
Minas, como Conselheiro do Tribunal de Contas, como já foi dito
anteriormente.
Vejam bem, se
não fosse inicialmente o ex-vereador Luziano, ele, Fued, jamais seria
candidato, pois ninguém acreditava mais nele, devido à sua falta de
consideração pelos companheiros. Sabem o que ele fez depois que assumiu a
prefeitura? Já contei um pouco anteriormente: ele exonerou praticamente
todo mundo do PMDB e nomeou todos os companheiros daqueles que a vida
inteira combateu – um combate falso – o ex-prefeito e deputado federal,
na época, Romel Anísio Jorge. Falo isso porque, em todas as
oportunidades que concedeu entrevista esse político demagogo, sempre
afirmou: “podem ter me tirado do PMDB, mas eu não tiro o PMDB de dentro
de mim. Mas para completar, o homem que havia garantido a sua
candidatura, Luziano Justino Dias, tinha sido mandado embora da
prefeitura, ele que tinha também sido exonerado no dia que ele assumiu o
cargo de prefeito.
Disse que ele
não participaria mais dos quadros da prefeitura, na sua administração.
Ninguém entendeu aquela posição, mas eu sabia, ele não gosta de quem o
ajuda. O Luziano quase sofreu um infarto diante dessa posição, mas ficou
pressionando. De tanto o Luziano pressionar e de tanto alguns
companheiros dele pressionar, o homem que disse que não voltava atrás,
quando afirmou que ia trocar de companheiros e que o Luziano não iria
participar de sua administração, voltou atrás. Em abril de 2005, no
final do mês, Luziano Justino Dias foi nomeado como assessor Especial do
Prefeito, assim como eu também fui nomeado para trabalhar na assessoria
de imprensa.
Antes o Luziano
não tivesse sido nomeado, pois o tratamento imposto a ele nem o pior
inimigo merece. Ele foi tratado como adversário, com o maior desprezo,
ao ponto do Fued virar a cara quando o via em sua frente.
Para encerrar o
meu relato a respeito desse lobo travestido de cordeiro, vou contar o
último ato dele contra mim, me exonerou. Mas perdeu a eleição, por
ter abandonado os seus companheiros, por não saber fazer política, por
ter exonerado todos os peemedebistas da sua administração, por ser
perseguidor de funcionário público, por ter feito uma administração
medíocre, por ter feito governo para os ricos em detrimento dos pobres,
ele não foi re-eleição para prefeito em 2008, perdeu para o grande
companheiro, homem de comportamento reto, que respeita a individualidade
e as limitações alheias, e é muito humano, Publio Chaves.
Um dia após o
pleito, no dia 6 de outubro de 2008, Fued Dib me exonerou quando ainda
eu estava de licença em tratamento de saúde, porque, com muito prazer,
ajudei a derrotá-lo.
Capítulo LVIX
Publio Chaves assume o seu terceiro mandato
depois de uma vitória espetacular
sobre seu oponente
Depois de uma
campanha eleitoral desgastante e árdua, a mais baixa que a cidade já
assistiu nos últimos trinta anos, Publio Chaves saiu vitorioso, embora
tenha sido caluniado, difamado, sendo alvo das mais duras críticas e
retaliações por parte de seu adversário, o Matusalém,
revanchista, Fued Dib.
Publio Chave
venceu porque levou a população, ao eleitor, uma proposta séria e
progressista, ao contrário do seu oponente que se perdeu na falácia e no
xingatório, próprio de sua personalidade. Foi uma vitória espetacular,
da proposta sadia em favor do povo, contra o revanchismo, o
autoritarismo.
Publio Chaves e o seu vice, o
médico, Luiz Pedro Correa do Carmo, tinham vencido o ódio personalizado
no candidato Fued Dib.
A diplomação
foi marcada pela justiça para o dia 20 de novembro de 2008, só que os
derrotados nas eleições de 6 de outubro daquele não, inconformados com a
derrota, soltaram um boato na cidade de que o prefeito Publio Chaves
não seria diplomado, alegando que havia ocorrido irregularidade na
eleição, e que o candidato derrotado é que seria diplomado, através de
medida deliberativa do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais.
Baboseira pura de quem havia perdido a eleição e não tinha se conformado
com a derrota.
A diplomação
ocorreu como estava prevista, no Fórum Newton Luiz, sede da Justiça
Eleitoral da 141ª zona eleitoral e eu, com o maior prazer, lá estava
para cobrir aquele ato, que para mim significava muito, porque o meu
amigo e companheiro, estava recebendo o terceiro diploma daquela
espetacular vitória que eu mais uma vez tinha colaborado de forma direta
para acontecer, derrotando aquele candidato e todos os que o apoiaram,
inclusive, o presidente Lula, Romão, Padilha, Samir, etc.
Prestaram
atenção nos nomes que apoiaram o candidato Fued Dib nesta eleição? Pois é
dentre eles Romão. Estão lembrando que citei anteriormente que a vida
inteira eles fingiram ser adversários? Pois é, mais uma das mentiras
desse demagogo que caiu por terra.
Mas vamos ao
que interessa: a posse dos eleitos estava marcada para o dia 1º de
janeiro de 2009, às 19 horas, na Câmara Municipal de Ituiutaba. Com o
maior prazer eu estava lá como jornalista e como integrante da campanha
vitoriosa que havia derrotado aquele que durante quatro anos desgovernou
esta cidade, causando uma série de prejuízo ao desenvolvimento deste
município, mas especialmente a população de Ituiutaba.
A nova Câmara
de vereadores se empossou e em seguida foi dada posse ao prefeito,
Publio Chaves, e ao vice, Luiz Pedro. Em seguida os empossados se
dirigiram à prefeitura, ao gabinete onde seria feita a transmissão de
cargo.
Depois de quase
um ano sem entrar naquele gabinete, pelos motivos já mencionados por
mim anteriormente, eu estava de volta, assessorando o meu amigo, o meu
companheiro Publio Chaves, que já havia me convidado para ocupar
novamente a Assessoria de imprensa da Prefeitura, cardo que perdi logo
após a vitória e posse do perseguidor Fued Dib, no período de 2005 a
2008, como já descrevi.
Confesso, me
senti vingado, com minha alma lavada ao ver aquele homem frente a
frente, ao lado de quem havia vencido aquela eleição; foi gratificante
demais para mim ver ele digerindo a derrota, que lhe foi imposta por
Publio Chaves, e por todos aqueles que queriam uma cidade diferente, com
perspectiva de desenvolvimento.
Capítulo LX
Publio Chaves inicia seu terceiro mandato
e eu continuo na Assessoria de Imprensa

Dr. Publio Chaves e Hairton Dias
Felizmente um
novo dia iniciou e a cidade respirava aliviada a libertação de uma
administração que estava ficando para trás, sem criatividade e sem
perspectiva para o futuro. Publio Chaves iria iniciar uma nova
administração tendo o homem como meta principal, até criou um slogan:
“Crescer e Valorizar as pessoas”. Construir casas populares, investir na
saúde e na educação, eram metas estabelecidas para aquele terceiro
mandato como prefeito de Ituiutaba.
Para o grande
desafio que tinha à frente, eu tinha consciência de que a administração
do prefeito Publio precisaria de uma excelente divulgação,
principalmente pelos acontecimentos registrados antes de sua posse, onde
o Matusalém, inconformado com a derrota, procurava de todas as formas
desmerecer essa grande vitória.
Não tive
dúvida, orientado pelo prefeito, iniciei o meu trabalho à frente da
assessoria de imprensa fazendo uma exposição dos principais projetos que
seriam realizados nos primeiros meses de governo de Publio Chaves,
inclusive, sequenciar alguns projetos iniciados só no papel e que
precisavam ser resgatados, caso contrário a cidade ficaria no prejuízo.
Não perdi
tempo, à medida que a competente assessoria técnica do prefeito ia
superando as dificuldades para aprontar aqueles projetos, eu ia
informando à população em que pé estavam: canalização do córrego São
José, construção de casa populares, reforma da Praça Getúlio Vargas,
Centro de Convenções, término do Pronto-Socorro Municipal e IFTM,
sem esquecer os projetos que seriam iniciados pelo prefeito, nos
primeiros dias de governo.
Pôr a casa em
ordem, sanear as dívidas deixadas, a curto, médio e longo
prazo, para posteriormente iniciar a reformulação da assistência social,
cumprir a promessa de terminar a pavimentação dos bairros que somente
ele, Publio Chaves, asfaltou nos dois primeiros mandatos; recapear o
asfalto estragado das vias públicas; iniciar a construção das salas de
aula para abrigar o segundo grau da Escola Municipal Machado de Assis,
que o governo anterior havia fechado. Isso se deu na primeira semana de
seu terceiro mandato, resgatando, assim, compromisso assumido com pais
de alunos daquela escola. Iniciar a canalização do São José, da 38-A até
a Av. 25; construir as casas populares do Programa “Minha Casa Minha
Vida”. Todas essas obras tiveram o efetivo apoio da imprensa de
Ituiutaba, com quem mantive um bom relacionamento.
O tempo ia
passando e com o início das obras não iniciadas pela administração
anterior, o prefeito Publio Chaves começou a sofrer uma perseguição
implacável por parte do senhor Fued Dib, através do rádio e de um jornal
semanal, “Tribuna do Pontal”, um tablóide marrom, que foi criado pelos
adversários, com o objetivo de achincalhar, o prefeito Publio,
procurando dessa forma, desestabilizar o seu governo. Isso foi criando
um clima pesado na cidade, por tudo aquilo que o Fued não fez em seu
governo durante quatro anos, queria que fosse feito de uma vez, pela
administração Publio Chaves.
Capítulo LXI
Oposição revanchista contra o prefeito
Publio Chaves faz ele sofrer infarto
O tempo urgia e
as metas estabelecidas pela administração Publio chaves estavam sendo
cumpridas, o que fazia crescer em seu mais ferrenho adversário, para não
dizer inimigo, uma ira sem precedente, tudo isso levado pelo despeito,
por não ter feito uma boa administração e ter sido derrotado pelo povo,
especialmente pela classe trabalhadora da cidade, que sempre mereceu o
apoio e a atenção daquela administração iniciada em 1º de janeiro de
2009, sob o comando de Publio Chaves.
Os boatos
inventados por aquele que tinha perdido as últimas eleições crescia a
toda força na cidade, dizendo que o prefeito Publio seria caçado, por
ter comprado voto na eleição, era uma forma de atormentar o seu governo.
Para complicar ainda mais essa situação, Fued, se valendo do País ser
democrático, não se conformando com a derrota, inventou testemunhas e
entrou com um processo na justiça eleitoral, alegando compra de votos,
procurando com esse artifício, complicar a administração que estava indo
muito bem. Usou alguns radialistas de emissoras locais, para noticiarem
que o prefeito poderia ser caçado por compra de votos na eleição.
Todo dia era um
boato diferente, coisa de gente desocupada, de pessoa sem
responsabilidade, sem qualidade, que queria a todo custo, na
marra, justificar a derrota imposta pelo povo, através do
companheiro Publio Chaves.
Até que chegou o
dia 8 de março de 2010. Naquele dia, na parte da manhã, o Sr Fued
despeitado, a convite de uma emissora local, que áquela hora servia a
seus propósitos, o levou para ser entrevistado em um programa de
jornalismo, na hora do almoço em que foram abertos os microfones daquela
emissora para o maior achincalhe já registrado em um programa
radiofônico, contra o prefeito Publio Chaves. Se não bastasse, o
jornaleco “Tribuna do Pontal” também fez a mesma coisa, publicando
matéria contra a vida particular do prefeito naquela edição que circulou
no mesmo dia. Era uma carga pesada demais, para uma pessoa só aguentar.
Naquele mesmo
dia, às 17 horas, o prefeito foi inaugurar obra conquistada pelos
deputados Gilmar Machado, Aelton Freitas e Nárcio Rodrigues, o IFTM –
Instituto Federal do Triângulo Mineiro –, concluída em sua
administração. Depois de um discurso destacando a importância e o valor
daquela escola para a região, o prefeito Publio Chaves considerou
inaugurada aquela escola federal. Mas a turma revanchista estava lá,
fazendo careta acintosamente, e todo tipo de sarcasmo para o prefeito,
que estava ali como a maior autoridade do município, representante do
povo que o elegeu, se portando educadamente, como um perfeito
cavalheiro.
O prefeito, um
homem educado, fino e sensível, diante daquela situação desrespeitosa,
quadro dantesco, não aguentou aquela situação de falta de respeito,
falta de ética e consideração com a pessoa humana, foi acometido de
stress emocional e sofreu um infarto agudo no miocárdio, sendo levado,
entre a vida e a morte, para o hospital. O resultado, todos já sabem.
O que mais me
revoltou é que alguns seguidores do Sr. Fued riram debochadamente quando
o prefeito caiu no chão, se contorcendo de dor, lutando contra a morte,
e diziam: “olha a cara dele, está onde merece, no chão”. Isso foi o que
devem ter aprendido com o chefe deles, que sempre pregou o ódio, não
respeitando ninguém, se julgando acima de todos.
O prefeito
Publio Chaves, graças à atuação dos bombeiros e da equipe de médicos do
Hospital Nossa Senhora da Abadia, salvou-se de morrer naquele momento,
porém, em razão do tempo que o seu cérebro ficou sem receber sangue
oxigenado, teve grave consequência, passando a ter uma vida vegetativa,
apesar de todo esforço e recursos da medicina.
Capítulo LXII
Oponente tenta ganhar o Poder no “tapetão”
Com a terrível
situação do prefeito Publio Chaves, ele ficou afastado do comando do
município para tratamento de saúde. De acordo com a constituição
Estadual e Federal, o Município, numa situação dessas, passa a ser
governado pelo vice-prefeito, no impedimento desse, pelo presidente da
Câmara.
Em Ituiutaba,
como havia um vice, depois do pedido de licença, assinado pelo
Secretário de Governo Publio Chaves Júnior, assumiu o comando do
município, o médico, Dr. Luiz Pedro Correa do Carmo, com o compromisso
de continuar as obras iniciadas por Publio Chaves. Isso se deu no dia 21
de março de 2010.
Dr. Luiz Pedro Correa do Carmo assume o
comando do Munícipio no dia 21 de
março de 2010

Dr. Luiz Pedro Correa do Carmo
O primeiro ato do
prefeito, Dr. Luiz Pedro, até então interino foi nomear novos
secretários, mudando substancialmente os rumos políticos da
administração, isso porque, dos secretários existentes ficaram apenas o
filho do prefeito, Publio Chaves Júnior, Luiz Felix dos Santos (PMDB), e
José Tannous (PSDB), os demais foram substituídos, isso provocou um
clima de guerra do PMDB, que segundo eles o partido era o responsável
pelo mando político em Ituiutaba, porque o prefeito, Luiz Pedro,
pertencia ao Democrata (DEM). Saliento que também fui mantido no meu
cargo, a frente da Assessoria de Imprensa da Prefeitura, isto porque,
sempre cumpri com responsabilidade as minhas funções de assessor de
imprensa.
Esse fato
agitou os primeiros dias da administração do prefeito Luiz Pedro, que
não arredou o pé de sua decisão, mesmo havendo uma pressão violenta do
PMDB. Diante desse quadro de cisão entre o PMDB de Ituiutaba e o
prefeito Luiz Pedro, os adversários do grupo político que havia
conquistado o mando político na cidade, liderados pelo derrotado Fued
Dib, entraram em ação: propuseram uma ação na justiça de segunda
instância, pedido a cassação do prefeito Publio Chaves, e de seu vice,
Dr. Luiz Pedro, alegando que havia ocorrido irregularidade na eleição de
6 de outubro de 2008, ou seja, materializaram aquele boato lançado
através do rádio, que havia ocorrido compra de votos, com
distribuição de gasolina no dia da eleição.
A verdade é que
o Fued Dib, inconformado, não tinha até aquela data digerido a derrota
imposta a ele por Publio Chaves e por Luiz Pedro. Queria, porque queria
de todas as formas, desestabilizar a administração do município, agora,
sob o comando do Dr. Luiz Pedro Correa do Carmo.
Esta ação foi
proposta no Tribunal de Justiça em Belo Horizonte, mas, como existe a
primeira instância e os fatos alegados tinham ocorrido em Ituiutaba, o
processo foi enviado para a cidade. Marcada a audiência de instrução e
julgamento, eu fui convidado pelos advogados de defesa, Dr. Francisco
Roberto Rangel e Dr. Marcelo Rangel, para ser testemunha de defesa
naquele processo absurdo, proposto pelo Fued Dib, com o único objetivo
de desestabilizar a administração. No dia marcado, compareci à sala de
audiência – diga-se de passagem, com o maior prazer, porque iria ter a
oportunidade de falar da lisura, da seriedade, da responsabilidade e da
grandeza do prefeito Publio Chaves e de seu vice Luiz Pedro.
A primeira
pergunta feita pelo juiz: “o senhor tem interesse nesse processo”?
Respondi que não, mas ponderei que estava ali para ajudar, se possível, a
restabelecer a verdade em torno dos fatos. Foi-me perguntado se era de
meu conhecimento que no dia da eleição os acusados tinham distribuído
gasolina em troca de voto. Respondi que não, que “durante a campanha
jamais tive notícia de que o prefeito Publio Chaves tivesse usado
esse tipo de comportamento para aliciar alguém. Ao Contrário”, disse:
“antes dos pleitos eleitorais o prefeito reunia-se com todos os
funcionários da prefeitura e recomendava que era vedado a todos os
funcionários e aos companheiros usarem ou permitir o uso de qualquer bem
público ou qualquer artifício a favor, desse ou daquele candidato.
Publio sempre teve um comportamento ético e de respeito à coisa pública,
por isso não tenho conhecimento desse tipo de comportamento,
porque um homem da sua estirpe não precisa usar esse tipo de expediente
para vencer qualquer coisa que dispute ou participe, porque ele é um
homem honesto, reto e de um valor moral e intelectual irrepreensível”!..
Foi à gota
d’água, depois desse meu depoimento o Juiz, Dr. Marcos José Vedovotto,
dispensou todas as demais testemunhas e encerrou aquela audiência. Dias
depois, saiu à sentença, a ação foi julgada improcedente por falta de
provas.
Moral da
historia, o inconformado e derrotado Fued Dib, sofria a segunda derrota,
a primeira imposta pelo grande líder Publio Chaves, e a segunda pela
Justiça. Ele perdeu no voto e queria ganhar na justiça, no
tapetão, mas acabou sendo derrotado pela justiça também. Isso para mim
era justiça divina. Uma pessoa que não respeita a individualidade das
pessoas, as limitações de cada um, a forma de pensar e de agir, havia
recebido um corretivo para acabar com sua arrogância, sem consideração
com ninguém, se julga o infalível, acima do bem e do mal.
Toda essa
narrativa que fiz nesse livro é para que o povo de Ituiutaba tome
conhecimento dos fatos que ocorreram comigo durante o período que fui
vereador e militei na política desta cidade. Quero dizer à população que
mesmo tendo sofrido todos os percalços aqui transcritos, em meu coração
não existe lugar para ressentimento; porém, sou humano, e acredito que
se a justiça humana falhou por não ter punido esses políticos, a Justiça
Divina não falhará, e um dia, todos que praticaram o mal contra mim e a
esta cidade serão julgados e punidos, inicialmente pela história e,
depois por Deus, nosso criador.
Capítulo LXIII
Mudança de local de trabalho
Acreditando ter
vivido todas as surpresas que a vida política reservou para mim, eu
imaginava que iria viver os últimos dias da minha atividade na
assessoria de imprensa, com tranqüilidade, já que havia passado todos os
transtornos provocados pelo infausto acontecimento que afastou o
prefeito Publio Chaves do comando do município e que promoveu, de acordo
com a Constituição Federal, a ascensão do vice-prefeito Dr. Luiz Pedro
Correa do Carmo, a frente do município.
Passados alguns
meses e como eu estava completando praticamente um ano à frente da
assessoria de imprensa, desde que o Dr. Luiz Pedro assumiu o comando do
município, trabalhando sozinho naquela função, o prefeito parece que
querendo me homenagear, me chamou ao seu gabinete e perguntou o que eu
achava de ser transferido para exercer a minha função de
jornalista na Fundação Cultural de Ituiutaba. Confesso, a princípio
fiquei surpreso com aquela proposta, pois eu estava completando quinze
anos de prestação de serviço naquela função de assessor de imprensa da
Prefeitura de Ituiutaba.
Foi aí que o
prefeito explicou o porquê daquela proposta. Segundo ele, precisava de
alguém de sua confiança e de minha competência para divulgar os
trabalhos daquela Fundação, principalmente porque havia nomeado um novo
presidente para gerir as atividades naquela instituição municipal, o
advogado e professor, Francisco Roberto Rangel, de quem eu era amigo de
longa data. Disse ainda que era um prêmio a minha competência e à minha
dedicação no serviço público, pois ao longo de todos os anos que estive à
frente daquela assessoria, dediquei-me de corpo e alma, eu e o
jornalista Rui Barbosa Castanheira e o repórter fotográfico Romes
Faustino– a quem rendo as minhas homenagens póstumas. Rui que me ajudou
muito nos dois primeiros mandatos do prefeito Publio Chaves e agora
nesse mandato em que tive apenas o repórter fotográfico Flávio Siqueira
para me ajudar, batendo as fotos que eu precisava. Fizemos o serviço de
oito a dez profissionais que normalmente ocupa as assessorias de
imprensa de prefeituras do porte de Ituiutaba.
Fiquei feliz de
ir trabalhar naquela fundação, porque a final de contas iria trabalhar
menos, fazer a divulgação de um órgão só e tirar dos meus ombros uma
grande responsabilidade que era divulgar toda administração, que
fielmente divulguei ao longo dos anos que fui o diretor de imprensa, sem
nunca ter faltado um dia se quer ao trabalho, e que cabia agora, a
partir daquela data, aos meus sucessores não deixar a peteca cair e
informar à população, com toda objetividade e transparência, aquilo que a
administração está fazendo, no sentido de promover o bem-estar da
coletividade.
Capítulo LXV
Por que deixei o PMDB

Vereador Hairton Dias, o segundo em pé, toma posse juntmente com prefeito Acácio Cintra, no segundo mandato de veredor - 1977
Para ficar bem claro e não
paire dúvida alguma, levo ao conhecimento de todos, os motivos pelos
quais deixei o PMDB. Tudo tem a ver com a forma que a maioria dos
dirigentes peemedebistas sempre atuaram com relação a mim e que agora
não é diferente, transcrevo no final deste livro todas as situações que
eu vivi dentro do partido e que culminou com meu desligamento de seus
quadros partidários, depois de quarenta e seis anos de militância. Devo
dizer que não é fácil enfrentar uma situação dessas, por que, esse tipo
de político age de forma dura para eliminar de qualquer jeito quem
ameaça a posição que ostenta e ponha em risco o que planeja. Foi o que
aconteceu comigo, quando da eleição do atual diretório do partido,
tiraram o meu nome e o nome de outros companheiros desse diretório, isso
por que, opúnhamos a forma do projeto que estão arquitetando para esta
cidade de Ituiutaba, o poder a qualquer custo, isso significa tentar
conquistar o poder pelo poder e não para beneficiar a população. Veja
bem, nesses quarenta e seis anos de PMDB, eu sempre me posicionei contra
esse tipo de fazer política dentro do partido. Por isso paguei o preço
que estou pagando até hoje.
Às atitudes desses
“ex-companheiros” se repetem, embora em épocas diferentes, são iguais,
antes eu tinha um mandato de vereador, agora sou apenas membro do
partido, mas a exemplo do que ocorreu comigo no passado, não aceito o
fisiologismo barato, os interesseiros de plantão, os que fazem política
única e exclusivamente para tirar proveito dela, em detrimento de uma
causa maior, que é o interesse público. Analisem bem, em todas as minhas
iniciativas em favor do povo, ao invés de ser apoiado, fui combatido,
fui preterido. Sabe por quê? Por que sou um idealista, fiz política
voltada para o povo e isso não interessa a eles. Esses políticos só
gostam de quem eles podem manipular para atingir seus objetivos. Vou
recapitular o que já transcrevi anteriormente, apenas para mostrar quem
são esses políticos e o que pretendem:
Veja bem, a minha primeira grande
decepção dentro do PMDB foi quando pleiteei o apoio dos meus
“companheiros” de bancada para me tornar presidente da Câmara, pleiteei
isso por que éramos maioria no legislativo, de 1977 a 1982, mas os meus
companheiros, entre aspas me derrotaram, só porque afirmei em uma
entrevista a imprensa local que se fosse eleito acabaria com os
privilégios e as mordomias na Câmara, incluindo os jetons extras das
reuniões extraordinárias.
A minha segunda grande decepção com meus
“companheiros” de partido aconteceu quando denunciei ato de corrupção
na implantação do projeto de canalização do Ribeirão Pirapitinga e
também cobrei o outro projeto, o da canalização do Córrego São José
(Obra do século) que desabou mais de seiscentos metros de canalização.
Naquela oportunidade fui processado por denunciar a forma irregular que
esse projeto vinha sendo feito. É bom lembrar que durante a vigência do
processo, do qual fui absolvido recebi a solidariedade e apoio de
companheiros peemedebistas de todo o Brasil, até de outros partidos,
menos de meus “companheiros” do PMDB de Ituiutaba que simplesmente me
abandonaram.
A terceira grande decepção foi quando da
escolha do candidato a prefeito do partido, para disputar a eleição de
1992. Fui preterido pelos meus próprios “companheiros”. Naquela
oportunidade foi encomendada pesquisa eleitoral pelos dirigentes
peemedebistas, naquela época sob a presidência de Gilson Lucas de Lima,
eu alcancei 89% das intenções de voto dos 2.200 eleitores pesquisados,
para que eu fosse o candidato do partido, mas a direção por motivos
escusos, e porque, eu, segundo eles, não tinha dinheiro para bancar a
campanha, então preferiram lançar outro nome, candidato sem expressão,
se tinha dinheiro não gastou nem um centavo e o partido perdeu a eleição
para prefeito naquele ano.
Mas as minhas decepções não para ai,
veio à eleição de 2004, naquela hora, segundo os próprios pemedebistas
afirmavam, que eu tinha a cara do PMDB, mas só a cara, porque em
pesquisa encomendada novamente pelo partido, para saber qual o perfil do
próximo candidato a prefeito para eleição daquele ano, meu nome foi
lembrado com destaque, mas a falta de visão ou perseguição dos
dirigentes do partido, esse resultado não foi levado em conta, porque a
exemplo do que já havia ocorrido em 1992, eu não tinha dinheiro para
bancar a campanha e nem era obrigado a ter, eu era trabalhador e como
tal fui tratado, sem a menor consideração. Esqueceram a minha lealdade
ao partido, a minha luta em defesa do povo, o meu prestigio junto à
opinião pública. A direção do partido ignorou tudo isso e me eliminou
autoritariamente do processo de escolha do candidato do partido. Eu era
companheiro deles, mas eles não eram meus companheiros, indicaram
novamente um candidato sem expressão, só porque tinha muito dinheiro,
mas não tinha prestigio, carisma, história de luta em favor do povo e em
defesa do trabalhador. Aquele candidato só era rico e nada mais. Uma
vez mais eu fui preterido pelos meus “companheiros”.
Todas essas situações eu vivi dentro do
PMDB a partir do momento que me filiei e me tornei vereador por quatro
mandatos nesta cidade, graças ao apoio da gente honrada e trabalhadora
de Ituiutaba, e agora quando eu pensava que esse tipo de atitude era
coisa do passado dos coronéis do partido, descobri que existem também os
subservientes, os impostores, os chupinhas do poder, que vendem a alma
para o diabo por dinheiro e pelo poder, agem assim para satisfazer sua
vaidade pessoal, não se importando com os princípios éticos e morais que
devem gerir o comportamento político, hoje tão reclamado pelo povo
brasileiro. Tentam passar uma imagem que nunca tiveram, fingem-se de
santos, quando na verdade são demônios, são interesseiros, homens que
tem preço, destituídos de qualquer sentimento e princípios éticos e
morais, que sempre usaram e usam uma identidade falsa para tapear,
enganar o cidadão e tirar proveito para si e para os seus; pouco se
importando com o conceito formado pela sociedade em torno deles. São
capazes de despirem-se de todas às qualidades morais, si é que possuem e
venderem a própria honra.
Faço aqui uma ressalva, o único
dirigente do PMDB fiel aos princípios básicos do partido e leal aos
companheiros até hoje foi o prefeito Publio Chaves, que nunca abandonou
nem um companheiro a margem do caminho e que jamais apoiaria as atitudes
dos atuais dirigentes peemedebistas.
E como último ato, esses dirigentes
promoveram a eleição do atual diretório do partido, que deveria ser
constituído de comum acordo com todos nós, membros do partido, mas
especialmente de sua comissão provisória, infelizmente esses mandatários
continuam praticando atos ultrapassados: mudam-se os dirigentes, mas às
práticas antigas, autoritárias continuam as mesmas, isto porque, um
desses dirigentes, vereador André Vilela numa atitude obscura e
unilateral que não representa a vontade da maioria dos peemedebistas,
numa atitude antidemocrática, sabe-se lá a que preço, sem explicação
alguma, montou uma chapa que resultou na eleição do atual diretório, no
dia 16/08/2015, constituído por pessoas sem compromisso com a história
do partido nesta cidade, criando no seio partidário uma grande
insatisfação e que poderá levar a agremiação a uma grande perda nesta
cidade.
Quanto a nós, um de seus fundadores,
vereador por quatro mandatos, secretário geral do partido, que sempre
lutamos para cumprir os ideais e a história de luta do partido ao longo
dos anos e em defesa das instituições democráticas e do povo, há mais de
45 anos, independente de qualquer outro interesse que não fosse o do
partido, questionamos a esse dirigente por que nós e outros companheiros
não fazíamos parte daquele diretório, em entre linhas nos foi dito não
representávamos nada na ordem do dia e o que interessava agora para
eles, não era a história, desse ou daquele integrante, mas sim, o
que interessava para eles era conquistar o poder a qualquer
custo. Diante do que ouvi fiz a seguinte afirmação: "agora, mesmo
que quisessem eu não aceitaria fazer parte daquele projeto, preferia até
perder a eleição, porque para mim o poder, tem que ser para promover o
bem comum, o desenvolvimento do município e oferecer ao seu povo uma
melhor qualidade de vida. Porque ninguém pode querer simplesmente, o
poder pelo poder. Porque dessa forma, o poder avilta e corrompe
como estamos assistindo hoje no Brasil devido a esse tipo de
atitude".
Com relação ao anúncio de filiação do
Dinossauro (Fued Dib), da política de Ituiutaba ao PMDB, fica
demonstrado mais uma vez a falta de respeito, solidariedade e
companheirismo, dos atuais dirigentes do partido, especialmente do
presidente do PMDB, vereador André Vilela ao companheiro Publio Chaves,
por que esse dirigente por motivos escusos sabe-se lá a que preço, traz
novamente para o seio do partido, esse fisiologista que tanto mal fez ao
maior líder que a agremiação teve até hoje, tirando-o do convívio dos
amigos e familiares, sem falar que em seu segundo mandato de prefeito
foi processado pelo então e atual vereador, presidente do partido, André
Vilela, por usar, mais de dois mese em fazenda de sua propriedade todo
maquinário da prefeitura, em detrimento dos mine e pequenos
proprietários rurais que iam se beneficiar de um programa do município
chamado PROMAP – Programa Municipal de Assistência ao Pequeno Produtor
Rural, pois não tinham dinheiro para alugar maquinas para fazer
serviço de aração em suas terras, para o plantio, porque as referidas
maquinas da prefeitura estavam ocupadas fazendo aração na fazendo do
prefeito de então Fued Dib.
Esse prefeito, segundo o vereador André
Vilela passou por cima da lei, cometendo o crime de peculato, uso de
bens do patrimônio público em seu interesse pessoal (esse processo está
subjudice na justiça local). Além desse processo, esse político senil
tem outros processos graves. Se o Brasil fosse um país sério, o
inviabilizaria de qualquer postulação política, sem falar que esse
político perseguiu e exonerou todos os peemedebistas que trabalhavam na
Prefeitura em seu segundo mandato de prefeito nesta cidade. E por que
também, esse político pré-histórico fez muito pouco por esta cidade,
diante do muito que recebeu dela, a não ser cometer falcatruas em sua
vida política, mas, sobretudo, por pisar e perseguir os peemedebistas e
tirar proveito do PMDB por mais de trinta anos, em benefício próprio,
chegando até a enriquecer-se. Será por que o vereador e presidente do
partido, André Vilela fez tudo isso, trazer de volta esse político
ultrapassado de Ituiutaba para o PMDB, depois que ele próprio o ter
processado por improbidade administrativa hein?... De uma hora para
outra, o dinossauro Fued Dib, de demônio vira santo, para o presidente
do PMDB, vereador André Viela. Será por que isso aconteceu
hein?...
Diante dessa posição estranha que sempre
combati a vida toda, muito decepcionado não tive dúvida, anunciei que
ia deixar o partido, alguns companheiros e familiares ao tomar
conhecimento de minha decisão, me procuram para deixar comigo o PMDB e
isso já foi feito. O tempo passou, mudou-se o comando, mas às
praticas políticas ultrapassadas e antidemocráticas, continuam as
mesmas, sinalizando para um futuro incerto para o partido, por que
outros companheiros manifestam o desejo de deixa-lo. O círculo está se
fechando, é o último ato desses interesseiros, que pode estar decretando
o fim do PMDB nesta cidade, pelo menos para nós um de seus fundadores.
Por que a partir desta data (05/10/2015), eu, familiares e amigos
desfiliamos do partido nesta cidade.
Todos esses fatos faram registrados
pelos órgãos de imprensa desta cidade e estão registrados principalmente
nos anais da história.
Relação de companheiros que saíram comigo do partido, no dia 05/10/2015 – Hairton Dias; Eraldo Antônio da Silva; Alcina
Florinda David; Nilton Nunes de Oliveira; Luzia Barbosa da Silva; Neuza
Florindo de Castro; Carlos Alberto de Vasconcelos; Maria Aparecida
Medeiros de Vasconcelos; Sueli Solange Silva; Maria Célia Silva Colli;
Oliveira Dias da Silva; Priscila Vinhal Dias; Margarete Batista Moreira
Dias; Oliveira Dias da Silva; Sebastião Junior.
Capítulo LXV
Agradecimentos

Dr. Manoel Tiburcio Nogueira
Quero também,
no final desta narrativa, registrar meus agradecimentos e homenagear a
dois grandes profissionais, meus amigos e conselheiros jurídicos, Dr.
Manoel Tiburcio Nogueira e Dr. Francisco Roberto Rangel, homens de
qualidades invejáveis, advogados de capacidades ímpares, dois dos
maiores profissionais da área jurídica da região do Triângulo Mineiro.

Dr. Francisco Roberto Rangel
Registro
também meus agradecimentos ao ex-vereadores, Luziano Justino Dias,
Ricardo Abalém e Sebastião Luiz Mamede, no passado de posições
diferentes às minhas, mas que hoje sabem entender as minhas posições.
Meus sinceros
agradecimentos e minhas homenagens aos companheiros: Eurípedes Divino
Parreira, Sinésio de Freitas, Marquinhos da Esportiva Calçados, Alberico
José Vilarinho, Valter Vanderlei Valadão, Paulo Sergio da Cruz, Ebert
Laurente, Edmar Mariano, Jamil Nasralla, Vanderlei Alves, que deram sua
contribuição para a realização dos Jogos Estudantis de Ituiutaba.

Hairton e
Publio
E por último a minha homenagem ao
grande político de Ituiutaba, meu amigo e companheiro Publio Chaves,
homem bom e generoso, que por sua grandeza e nobreza de espírito foi
também perseguido e caluniado, mas deixa para sempre o seu legado, como
sendo para mim, o maior administrador que essa terra de São José do
tijuco conheceu.
E P Í L O G O
Estou
encerrando esse relato de minha vida política, deixo aqui registrado que
se tivesse que fazer tudo que fiz outra vez, eu faria com a mesma
determinação, porque pautei minha conduta no exemplo deixado por meus
pais, Aristides Dias da silva e Laura Gonçalves da Silva, que sempre me
ensinaram a ser honesto, bom, honrado e trabalhador. “Ser honesto não é
qualidade, mas sim obrigação de todos”. Estas são palavras de meu
saudoso pai: “se você, meu filho, quiser conquistar alguém para
suas idéias deve dar exemplo, porque um exemplo vale mais que mil
palavras”. Meu pai ensinou-me ainda que: “o homem deve ser respeitado
pelo dinheiro que tem, pela coragem que tem e pela razão que tem; isto
porque, quem não tem dinheiro, quem não tem coragem e não tem razão, não
vale nada”. E ainda: “o mal maior não é para quem recebe, mais sim para
quem pratica”.
Amigos meus,
que ainda vão ler este livro, mas a quem eu contei parte do seu conteúdo
antes dessa publicação, me disseram: “você não tem receio de que esses
políticos que fazem parte dessa história façam represália contra você?
Eu respondi: “não, porque esta não é uma obra de ficção, eu não inventei
nada do que aqui relatei, e se eles fizerem alguma coisa contra mim, à
população inteira irá saber e se conscientizar do que esses homens são
capazes. Não temo os adversários, mas reclamo o silêncio e a falta de
ação dos bons.
Todos os
relatos feitos por mim nesse livro estão arquivados e registrados nos
anais da Câmara municipal, nos jornais Folha de Ituiutaba, Diário
Regional, Correio de Uberlândia, Revista Página da Semana, Jornal
Esteio, e na Justiça (1ª e 2ª Estância, onde ocorreu esse processo
absurdo contra mim.
Dedico esse livro especialmente aos meus
familiares: a meus pais, in memorian, Aristides Dias da Silva e Laura
Gonçalves da Silva; a minha esposa Margarete Batista Moreira
Dias; as minhas filhas: Andréa Vinhal Dias e Priscila Vinhal Dias;
aos meus enteados: Flávia Moreira de Oliveira Ferreira e Durval Teodoro
de Oliveira Júnior; aos meus netos, Eduardo, João Pedro, Lucas, Ana
Júlia, Mariana e Sophia; aos meus irmãos Odete, Oliveira, Olivia, Edson,
Hélio, Genevra, Maria Célia, Sueli e Leilane; e a todos os sobrinhos;
os quais me deram força e coragem para lutar contra todas as
dificuldades e perseguições que enfrentei durante a vigência desse
processo absurdo de que fui vítima.
Minha última consideração - “Política: Minha vida, meu ideal, minha dor”!
Ituiutaba, Minha Terra!
Inda que eu aqui não tenha nascido,
Tu me acolheste como filho da terra.
Um filho que não deixará de te amar,
Irmão do teu povo, soldado da tua luta...
Uno-me aos tijucanos para cantar bem alto:
Terra nutriz, bendita e amada por todos nós.
A minha história de vida está entrelaçada à tua história.
Busquei o saber, e em teus educandários aprendi.
Agora, só me resta dizer: em teu seio eu quero morrer!
Hairton Dias

Ituiutaba, novembro de 2011
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